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O Beija-flor e a Rosa Vermelha

Raiana
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Dedicado a minha amada filha Sofia.

Conteúdo da publicação

Dedicado a minha amada filha Sofia.

Era uma vez um pequeno beija-flor chamado Lino.

Ele vivia em um jardim enorme, onde havia margaridas, violetas, girassóis e jasmins. Todas as manhãs, Lino voava de flor em flor, procurando o néctar mais doce.

Mas Lino tinha uma característica que o tornava diferente dos outros pássaros.

Ele era muito tímido.

Quando encontrava outros beija-flores, escondia-se entre as folhas. Quando alguém lhe dirigia a palavra, suas pequenas asas tremiam. E, quando queria dizer alguma coisa bonita, as palavras pareciam desaparecer antes mesmo de chegar ao seu bico.

Certo dia, enquanto voava pelo jardim, Lino viu uma coisa que nunca tinha visto antes.

No meio de um canteiro, erguia-se uma rosa vermelha.

Ela era tão bonita que Lino parou no ar.

Suas asas continuaram batendo rapidamente, mas ele ficou parado, como se tivesse esquecido para onde estava indo.

A rosa tinha pétalas vermelhas como o céu quando o sol se despede. Sobre elas brilhavam pequenas gotas de orvalho, que pareciam estrelas.

Lino aproximou-se devagar.

— Bom dia... — sussurrou.

A rosa balançou suavemente com o vento.

— Bom dia, pequeno beija-flor.

Lino ficou tão surpreso que quase caiu de costas.

— Você... você fala?

A rosa riu baixinho.

— Só quando alguém tem coragem de me cumprimentar.

Lino abaixou a cabeça, envergonhado.

— Eu não sou muito corajoso.

— Eu percebi — respondeu a rosa, divertida.

Depois daquele dia, Lino começou a visitar a rosa todas as manhãs.

Ele pousava em um galho próximo e ficava observando-a.

Às vezes, aproximava-se para beber o néctar. Outras vezes, simplesmente ficava ali, admirando suas pétalas.

Quanto mais a conhecia, mais encantado ficava.

Ele gostava da maneira como ela se movia quando o vento soprava.

Gostava do perfume que se espalhava pelo jardim.

Gostava principalmente de como ela parecia iluminar tudo ao seu redor.

Mas havia um problema.

Lino estava apaixonado.

E não sabia como contar.

Todas as manhãs, ele ensaiava:

— Rosa, eu preciso dizer uma coisa...

Então ficava nervoso.

— Rosa, você é muito bonita...

E desistia.

— Rosa, acho que meu coração...

E voava para longe, completamente envergonhado.

Certa manhã, a rosa perguntou:

— Lino, por que você sempre fica tão vermelho quando vem aqui?

— Eu? Vermelho?

— Sim.

— Deve ser o sol.

A rosa riu.

— O sol ainda nem nasceu direito.

Lino ficou em silêncio.

Então a rosa percebeu.

— Você está tentando me dizer alguma coisa?

O pequeno beija-flor respirou fundo.

Era difícil para ele. Muito difícil.

Olhou para as pétalas vermelhas.

Depois para o céu.

Depois para o chão.

Até que finalmente criou coragem.

— Eu acho você a flor mais bonita de todo o jardim.

A rosa ficou quieta.

Lino sentiu o coração bater ainda mais depressa.

— Desculpe... Eu não deveria ter dito isso.

— Por quê?

— Porque talvez você ache estranho.

A rosa balançou suavemente.

— Não acho estranho.

— Não?

— Não. Acho bonito.

Lino sorriu.

Era um sorriso pequeno, tímido, mas verdadeiro.

A partir daquele dia, os dois ficaram ainda mais próximos.

Lino contava histórias sobre os lugares que conhecia.

A rosa contava histórias sobre as estações do ano, sobre as borboletas que pousavam em suas pétalas e sobre as noites em que ficava observando a lua.

E assim eles descobriram que não era apenas a beleza que fazia alguém especial.

Lino descobriu que gostava da rosa não somente porque ela era vermelha e bonita.

Gostava porque ela sabia ouvi-lo.

Porque não ria de sua timidez.

Porque fazia com que ele tivesse vontade de ser mais corajoso.

E a rosa descobriu que aquele pequeno beija-flor, apesar de falar pouco, tinha um coração enorme.

Mas o verão chegou ao fim.

As noites ficaram mais frias.

Um dia, o vento soprou forte sobre o jardim.

Lino percebeu que as pétalas da rosa começavam a cair.

— Estou com medo — disse ele.

— Do quê?

— De que você desapareça.

A rosa ficou em silêncio por alguns segundos.

— Toda flor tem seu tempo, Lino.

— Mas eu não quero que o nosso tempo termine.

A rosa sorriu.

— Talvez algumas coisas não precisem terminar só porque mudaram.

Naquela noite, Lino ficou ao lado dela.

Não voou para longe.

Não se escondeu.

Pela primeira vez, o pequeno beija-flor deixou sua timidez de lado.

— Eu amo você — disse.

A rosa fechou suas pétalas lentamente.

— Eu sei.

— Como você sabia?

— Porque algumas coisas não precisam ser ditas para serem percebidas.

Na manhã seguinte, uma forte ventania atravessou o jardim.

Quando Lino voltou, encontrou o caule da rosa vazio.

As pétalas haviam caído.

Ele procurou por ela entre as folhas.

Procurou no chão.

Procurou perto do riacho.

Mas não encontrou a rosa.

Lino ficou muito triste.

Durante dias, não cantou.

Até que, certa manhã, percebeu algo diferente.

Bem no lugar onde a rosa havia crescido, havia uma pequena semente.

Lino aproximou-se.

E sorriu.

Ele esperou.

Passaram-se dias.

Depois semanas.

Até que, certo dia, nasceu um pequeno broto.

E, meses depois, uma nova rosa vermelha floresceu.

Lino pousou diante dela.

A rosa abriu suas pétalas para o sol.

— Bom dia, pequeno beija-flor.

Lino arregalou os olhos.

— É você?

A rosa balançou suavemente com o vento.

— Talvez.

Lino sorriu.

Dessa vez, sem vergonha.

E naquele jardim, todos aprenderam uma coisa:

O verdadeiro amor não é apenas encontrar alguém que achamos bonito. É encontrar alguém diante de quem nosso coração se sente em casa.

E o pequeno beija-flor, que um dia tinha medo até de dizer uma palavra, passou a voar todos os dias sobre a rosa vermelha.

Não porque tivesse deixado de ser tímido.

Mas porque descobrira que, às vezes, amar alguém é justamente encontrar coragem para dizer aquilo que o coração já sabe.

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