Não posso dizer que sou velho
Mas também não sou tão novo assim
E mesmo ainda tendo muito chão pela frente
Posso dizer que ja vivi
Já magoei e ja fui magoado
Já chorei e já sorri
Fui demitido, fui contratado
Já estive aqui e ali
Já amei sendo amado
Já fui saudavel e ja adoeci
Já amei quem não me amava
Já me deram amores que não mereci
Já conversei sem dizer sequer uma palavra
E ja não ouvi quem mais me falava, vazio!
Já gritei em vão pra quem não me escutava
Sei a diferença entre olhar nos olhos e olhar na alma
E como um vulcão que chora lava
Eu também ja chorei de raiva
Conheci a mão que bate
Conheci a mão que afaga
Convivi com quem acende
E também com quem apaga
Já fui ascensão
Já fui calmaria
Já fui egocêntrico
Já fui empatia
Já tive pressa
Agora tenho vida
Só respira e sente o gosto!
Fui paralelo, fui oposto
Fui cansado, fui disposto
Fui orgulho, fui desgosto
Fui fagulha, fui esboço
Fui abelha, fui colosso
Fui arte, fiz parte
Mistério etéreo sem encarte
Fui da Terra, fui de Marte
Estive em paz, e em combate
Me questionei por dentro e por fora
Procurando uma solução
Sem saber se sou a mão no céu ou o pé no chão
Fui universo
Fui avesso
Fui sereno
Fui expresso
Fui indiferença
Tive apreço
Descobri que a felicidade pode sim ter nome, sobrenome e endereço
Sem esquecer que: mais do que qualquer um pode te dar, é o que está dentro de você!
Aprendi que não é preciso ver para crer
Fui razo, fui profundo
Fui nada, fui tudo
Ensinei e aprendi
Já dei valor pra coisas fúteis
Mas me encantei mesmo pelas coisas simples
Poesia, dialética, conexão, síntese
Fui coeso
Fui antítese
Fui ambíguo
Fui objetivo
Fui sujeito
Fui adjetivo
Hora sem jeito
Hora extrovertido
Vi coisas que não eram coisas
Mas que tinham imenso valor
Aprendi por vivência que se cresce muito com a dor
Mas se cresce mais ainda com o amor
Talvez gesto de viver esteja em ver o quanto evoluímos
Quando enfim deste plano, partirmos
Serendipidade