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Somos o país que permitimos.

HeldonMenezes
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O Brasil que sangra com a fome, o desemprego, o crime e a corrupção não é vítima do acaso; é o reflexo exato da omissão do seu próprio povo. Enquanto nos limitamos a lamentar a existência de maus…

Pensamento

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aleroz

Solução sem entender a história de um país é como construir uma cidade primeiro e só depois procurar quem vai morar nela. Responsabilidade nasce também do pertencimento. E o Brasil é muito mais complexo do que simplesmente colocar “o brasileiro” dentro de

Solução sem entender a história de um país é como construir uma cidade primeiro e só depois procurar quem vai morar nela. Responsabilidade nasce também do pertencimento. E o Brasil é muito mais complexo do que simplesmente colocar “o brasileiro” dentro de uma mesma caixa. Aqui, muitas vezes, nem sequer existe uma identidade brasileira única e compartilhada. Uma pessoa que nasce no Sul pode não se reconhecer na realidade indígena do Norte; um nordestino pode ter uma relação completamente diferente com alguém do Centro-Oeste. Não somos apenas diferenças de opinião: são histórias, culturas, territórios, biomas, formas de viver e experiências sociais diferentes convivendo dentro do mesmo país.

Brasil não é um videogame em que basta descobrirr quais botões apertar para mudar o sistema. Antes de cobrar responsabilidade, talvez seja necessário entender o que significa pertencer a esse lugar ; ee como construir alguma unidade sem apagar justamente as diferenças que formaram o país.

E é aí que vejo o problema do seu texto: você fala de responsabilidade como se estivesse olhando o Brasil de fora. Fala “o brasileiro”, “a população”, “o cidadão”, como se você não estivesse incluído nisso.

Se a responsabilidade é nossa, então é nossa.

Entender o Brasil também é entender por que somos tão diferentes antes de presumir que todos deveriam reagir da mesma maneira. Sem isso, a solução corre o risco de ser apenas mais uma tentativa de controlar os botões de um sistema que ainda não compreendemos.

Conteúdo da publicação

O Brasil que sangra com a fome, o desemprego, o crime e a corrupção não é vítima do acaso; é o reflexo exato da omissão do seu próprio povo. Enquanto nos limitamos a lamentar a existência de maus políticos, fechamos os olhos para a verdade mais incômoda: a culpa pelo colapso do país é de cada cidadão que vota, cruza os braços e espera o milagre acontecer.

A conta da nossa passividade já chegou. Atingimos a marca absurda onde, economicamente, cada trabalhador com carteira assinada precisa sustentar mais de duas pessoas dependentes de recursos do Estado. Financiamos uma educação falida e um decréscimo vergonhoso na eficiência educativa para, no final, aceitarmos tudo calados. O brasileiro transformou a indignação em meme e a fiscalização em preguiça e indolência.

Governantes incompetentes, injustos e corruptos só prosperam onde a população é “mansa” ou conivente. Enquanto o cidadão se recusar a cobrar diariamente os seus representantes, continuará sendo cúmplice da sua própria ruína. A crise brasileira não é política; é de postura e de responsabilidade.

Heldon Menezes – “Homens inteligentes conversam sobre letras, armas e gênios”

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  • aleroz

    Solução sem entender a história de um país é como construir uma cidade primeiro e só depois procurar quem vai morar nela. Responsabilidade nasce também do pertencimento. E o Brasil é muito mais complexo do que simplesmente colocar “o brasileiro” dentro de uma mesma caixa. Aqui, muitas vezes, nem sequer existe uma identidade brasileira única e compartilhada. Uma pessoa que nasce no Sul pode não se reconhecer na realidade indígena do Norte; um nordestino pode ter uma relação completamente diferente com alguém do Centro-Oeste. Não somos apenas diferenças de opinião: são histórias, culturas, territórios, biomas, formas de viver e experiências sociais diferentes convivendo dentro do mesmo país.

    Brasil não é um videogame em que basta descobrirr quais botões apertar para mudar o sistema. Antes de cobrar responsabilidade, talvez seja necessário entender o que significa pertencer a esse lugar ; ee como construir alguma unidade sem apagar justamente as diferenças que formaram o país.

    E é aí que vejo o problema do seu texto: você fala de responsabilidade como se estivesse olhando o Brasil de fora. Fala “o brasileiro”, “a população”, “o cidadão”, como se você não estivesse incluído nisso.

    Se a responsabilidade é nossa, então é nossa.

    Entender o Brasil também é entender por que somos tão diferentes antes de presumir que todos deveriam reagir da mesma maneira. Sem isso, a solução corre o risco de ser apenas mais uma tentativa de controlar os botões de um sistema que ainda não compreendemos.

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