Solução sem entender a história de um país é como construir uma cidade primeiro e só depois procurar quem vai morar nela. Responsabilidade nasce também do pertencimento. E o Brasil é muito mais complexo do que simplesmente colocar “o brasileiro” dentro de uma mesma caixa. Aqui, muitas vezes, nem sequer existe uma identidade brasileira única e compartilhada. Uma pessoa que nasce no Sul pode não se reconhecer na realidade indígena do Norte; um nordestino pode ter uma relação completamente diferente com alguém do Centro-Oeste. Não somos apenas diferenças de opinião: são histórias, culturas, territórios, biomas, formas de viver e experiências sociais diferentes convivendo dentro do mesmo país.
Brasil não é um videogame em que basta descobrirr quais botões apertar para mudar o sistema. Antes de cobrar responsabilidade, talvez seja necessário entender o que significa pertencer a esse lugar ; ee como construir alguma unidade sem apagar justamente as diferenças que formaram o país.
E é aí que vejo o problema do seu texto: você fala de responsabilidade como se estivesse olhando o Brasil de fora. Fala “o brasileiro”, “a população”, “o cidadão”, como se você não estivesse incluído nisso.
Se a responsabilidade é nossa, então é nossa.
Entender o Brasil também é entender por que somos tão diferentes antes de presumir que todos deveriam reagir da mesma maneira. Sem isso, a solução corre o risco de ser apenas mais uma tentativa de controlar os botões de um sistema que ainda não compreendemos.