O mundo observa o seu passo ligeiro,
que engana o vento e desvia o ponteiro
Ele não usa a força da mão,
devolve com arte qualquer rasteira do chão
Decifra o enigma com a mente e o olhar,
encontra a saída sem nem se cansar
Se o nó é apertado e parece perdido,
o laço se solta com um toque escondido
Caminha na corda com leve equilíbrio,
fazendo do risco o seu próprio idílio
Não deixa pegada na lama ou na areia,
escapa bem antes que fechem a teia
Se o tempo fecha e a tempestade cai,
ele acha abrigo e sorrindo já vai
Barreiras de pedra viram degraus,
sabe os caminhos dos bens e dos maus
Na mesa do jogo ele lê cada carta,
enquanto o tolo na mesa se farta
Sua voz é suave, o silêncio é escudo,
com poucas palavras domina isso tudo.