O vento espalha cinzentas cinzas,
aviva a brasa da ingratidão;
forja o artista a vã redenção,
colorindo o orgulho que pintas
na ilusão do mágico amargor,
ferindo a ideia no rigor,
num selo escuro que afaga e some,
sob o frio do seu gume.
Mudo, diante da lâmina nua,
fita no espelho da própria fratura...
a sua mais secreta criatura,
onde a vaidade recua,
e a fundas dores o espírito atenua:
a gota espessa que no metal sua.