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O INFERNO QUE NÃO SABE QUE QUEIMA

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Pensamento

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Caiozinho

Carrapicho usado de chicote é coisa de quem cresceu perto de mato, e arde de um jeito que ninguém de cidade imagina.

Carrapicho usado de chicote é coisa de quem cresceu perto de mato, e arde de um jeito que ninguém de cidade imagina.

Conteúdo da publicação

As pessoas fazem maldades. Algumas sabem exatamente o que estão fazendo. Outras não. E talvez estas últimas sejam as mais difíceis de compreender, porque conseguem ferir, destruir, humilhar e até arruinar a própria vida sem jamais reconhecer inteiramente a própria participação nisso. Continuam, repetem, justificam. Às vezes, até se ajoelham, rezam, pedem perdão a Deus e cumprem seus rituais, mas, no dia seguinte, voltam a fazer exatamente as mesmas coisas. Como se a consciência pudesse ser lavada sem que as mãos precisassem parar de sujar.

Por quê?

Lembro-me de quando era criança e voltava da escola de ônibus. Sempre no mesmo horário, no mesmo ponto, havia um garoto que subia sem pagar a passagem. Poderia passar por baixo da catraca, mas havia outra coisa que ele parecia gostar mais de fazer. Apanhava vários carrapichos e os usava como chicotes, golpeando os garotos que entravam no ônibus. Sem dó, sem piedade. O motorista e o cobrador achavam aquilo engraçado. Riam enquanto nós éramos chicoteados.

Eu era um dos que apanhavam.

Sentia um ódio imenso daquele garoto. Houve dias em que deixei de pegar o ônibus em que ele estava. Ele me conhecia de vista e, quando eu não subia, ria com um prazer que me parecia uma vitória. O motorista e o cobrador continuavam sorrindo. Eu esperava outro ônibus.

Era isso. Para eles, uma brincadeira. Para mim, uma humilhação da qual precisava escapar mudando meu caminho de volta para casa.

Semanas depois, soube que o garoto havia se mudado de estado. Sua família era extremamente violenta. A mãe havia morrido, o pai o espancava e vivia bêbado. O menino, às vezes, cheirava cola.

A informação não apagou o que aconteceu comigo. Mas acrescentou alguma coisa àquela lembrança.

Aquele garoto também apanhava. Talvez tivesse aprendido dentro de casa que a força servia para decidir quem sofria e quem fazia sofrer. Talvez, quando segurava aqueles carrapichos, experimentasse uma espécie de poder que não encontrava em nenhum outro lugar da vida. Em casa, podia ser o menino impotente. No ônibus, podia escolher quem sentiria medo.

Não sei se era assim. Nunca conheci o que se passava dentro dele.

Mas há uma possibilidade terrível nessa história: a de que alguém que conhece a dor por dentro descubra que também pode produzi-la nos outros e passe a sentir prazer nisso.

A vítima deixa de ser apenas vítima. Torna-se também o agente de uma violência que conhece muito bem.

E, nesse instante, a dor não desaparece. Apenas muda de endereço.

O que mais me perturba, entretanto, não é somente a existência de pessoas que fazem maldade conscientemente. É a quantidade de gente que parece não perceber o sofrimento que provoca, mesmo quando ele está diante de seus olhos. Gente que acha divertido enquanto ninguém reage, que chama crueldade de brincadeira, humilhação de sinceridade e covardia de personalidade forte.

Quando alguém reclama, a resposta costuma ser ainda pior: o ofendido é sensível demais, não sabe brincar, não aguenta a verdade, não tem senso de humor. O agressor transforma a dor que causou em defeito de quem a sentiu.

É uma maneira engenhosa de escapar de si mesmo.

A pessoa não precisa negar o que fez. Basta negar que aquilo tenha importância. Não precisa apagar a agressão, apenas diminuir a vítima. Não precisa provar que é inocente, apenas convencer a si mesma de que o outro mereceu.

E assim consegue continuar vivendo sem encarar a própria imagem.

Talvez o mais perigoso não seja a incapacidade de distinguir o certo do errado, mas a capacidade de reconhecer essa diferença e, ainda assim, construir justificativas para nunca precisar agir de acordo com ela.

Conheci outra situação que me fez pensar nisso.

Eu estava na casa de um colega. Ele jogava videogame e, pelo fone, insultava violentamente o adversário. O outro jogador usava trapaças, algo que era bastante evidente. Meu amigo odiava quem fazia aquilo. Dizia que gente assim merecia morrer. Mas não se limitava a reclamar do jogo: começou a atacar a vida pessoal do sujeito, dizendo que ele apanhava do pai, que a família o desprezava, que ninguém gostava dele e que não valia nada.

Do outro lado, o jogador começou a chorar.

Pediu desculpas. Disse que sua vida era exatamente aquela. O pai o espancava, a mãe o desprezava e ele realmente acreditava que não valia nada.

Meu amigo parou de jogar.

Começou a aconselhá-lo, pediu desculpas e tentou remediar o que havia feito. Ficou um climão.

O que aconteceu naquele momento?

Até então, havia um adversário. Um trapaceiro. Um sujeito que, na cabeça do meu amigo, merecia ser castigado. Alguém que existia apenas como uma presença inconveniente do outro lado da tela.

De repente, aquela presença respondeu com uma dor real.

Meu amigo havia usado como insulto justamente a ferida que o outro carregava. Sem saber, transformara o sofrimento de alguém em munição para sua própria indignação.

Talvez tenha sido a primeira vez naquela partida em que ele conseguiu enxergar o adversário como uma pessoa inteira, e não como um obstáculo que precisava ser destruído.

A crueldade ficou insuportável quando deixou de ser abstrata.

E isso me faz pensar em quantas pessoas só conseguem reconhecer a humanidade do outro quando são obrigadas a olhar diretamente para ela. Enquanto a dor permanece distante, é fácil fazer piadas, insultar, desprezar e desejar a morte. Enquanto não há rosto, voz embargada ou lágrimas, o sofrimento pode ser tratado como um conceito, uma fraqueza ou uma punição merecida.

Mas o outro sempre existiu antes de começar a chorar.

A humanidade dele não nasceu quando meu amigo se comoveu. O que nasceu foi a percepção de meu amigo.

É aqui que me lembro de uma frase de A Parábola do Semeador, de Octavia Butler:

“As pessoas causam incêndios porque estão frustradas, bravas, sem esperança. Não têm o poder para melhorar a vida, mas têm o poder de deixar os outros ainda mais arrasados... e o único modo de provar a si mesmas que têm poder é usando-o.”

Há algo profundamente perturbador nessa ideia.

Uma pessoa pode não conseguir mudar a própria vida, mas consegue estragar a de alguém. Pode não conseguir conquistar respeito, mas consegue provocar medo. Pode não encontrar uma maneira de sair da própria miséria, mas encontra uma maneira de arrastar outra pessoa para dentro dela.

Não consegue construir, então destrói. Não consegue se sentir importante, então diminui alguém. Não consegue interromper o próprio sofrimento, então espalha sofrimento como quem distribui aos outros uma conta que nunca pediu para pagar.

Por alguns instantes, isso funciona.

A pessoa sente que fez alguma coisa. Conseguiu uma reação. Tirou alguém do sério. Fez alguém chorar. Impôs sua presença. Produziu uma consequência.

E, para quem se sente impotente, até a capacidade de destruir pode parecer uma forma de liberdade.

Mas que espécie de poder é esse que depende de tornar a vida de outra pessoa pior para que a própria existência pareça suportável?

Que espécie de vitória precisa transformar alguém em vítima para que outro se sinta vencedor?

O incêndio não resolve nada. Apenas ilumina, por alguns segundos, a sensação de que ainda é possível fazer alguma coisa. Depois, tudo continua queimando.

E a pessoa volta a procurar alguma coisa para incendiar.

O mais assustador é que ela talvez nem perceba a repetição. Não pensa necessariamente: “Estou sofrendo e quero que os outros sofram comigo.” Pode pensar que todos são idiotas, que ninguém presta, que o mundo é injusto, que as pessoas merecem o que recebem. Pode construir uma explicação para cada agressão e encontrar uma justificativa diferente para cada vítima.

É assim que alguém pode passar a vida inteira espalhando aquilo que não suporta dentro de si sem reconhecer que está fazendo isso.

A raiva se transforma em opinião. O ressentimento vira princípio. A humilhação sofrida se transforma em autorização para humilhar. E a própria incapacidade de lidar com a dor passa a ser confundida com lucidez, força ou superioridade.

A pessoa não enxerga mais o incêndio. Enxerga apenas os culpados por ele.

Há quem diga que tudo isso acontece porque as pessoas estão feridas. Acredito que, muitas vezes, sim. Mas não quero transformar toda crueldade em uma tragédia secreta, como se todo agressor fosse apenas uma vítima esperando que alguém descobrisse sua história.

Existem pessoas que fazem mal por conveniência, por interesse, por prazer ou porque aprenderam que podem conseguir o que querem prejudicando os outros. Existem pessoas que sabem perfeitamente o que estão fazendo e simplesmente não consideram o sofrimento alheio importante o bastante para interrompê-las.

Nem todo monstro está escondendo uma criança ferida.

E nem toda criança ferida se transforma em monstro.

O sofrimento pode ajudar a explicar uma conduta, mas não a torna inevitável. A história de alguém pode nos ajudar a compreender como chegou até determinado lugar, mas não nos obriga a aceitar que continue levando outras pessoas para lá.

Há uma diferença entre compreender uma pessoa e absolvê-la.

Compreender é tentar enxergar os mecanismos que a levaram a agir. Absolver é declarar que esses mecanismos eliminam sua responsabilidade.

Não eliminam.

O garoto do ônibus talvez estivesse reproduzindo a violência que conhecia. Ainda assim, eu era uma criança que precisava mudar de ônibus para não ser chicoteada. Meu amigo talvez estivesse despejando uma raiva que ultrapassava aquela partida. Ainda assim, suas palavras feriram alguém que já estava no chão.

Podemos reconhecer o sofrimento de quem agride sem apagar o sofrimento de quem foi agredido.

Na verdade, se não conseguirmos fazer as duas coisas ao mesmo tempo, estaremos apenas escolhendo qual dor merece existir.

Também me pergunto o que acontece quando essas pessoas procuram a religião, participam de rituais, pedem perdão e continuam agindo da mesma maneira.

Talvez porque o ritual seja mais fácil do que o confronto consigo mesmo.

É possível ajoelhar-se sem se arrepender profundamente. É possível confessar um erro sem abandonar o comportamento que o produz. É possível pedir perdão e, ao mesmo tempo, conservar intacta a convicção de que a culpa pertence aos outros.

Uma pessoa pode aprender todas as palavras do amor e nunca aprender a amar alguém fora de si mesma.

Pode falar de bondade enquanto humilha quem não tem poder para reagir. Pode defender a justiça enquanto justifica a injustiça que lhe convém. Pode condenar a violência praticada por seus adversários e encontrar mil razões para a violência praticada por seus aliados.

O problema não é necessariamente a ausência de valores. É a capacidade de separar os valores declarados da própria conduta.

A pessoa acredita no bem, desde que o bem não exija que ela abra mão da própria razão. Acredita no perdão, desde que não precise reparar o dano. Acredita na justiça, desde que não seja obrigada a responder pelo que fez.

E talvez seja isso que mais me incomode: a facilidade com que alguém pode construir uma identidade moral sem precisar olhar para as consequências de seus atos.

É possível passar a vida inteira tentando ser uma pessoa boa sem jamais perguntar se as pessoas ao redor se sentem seguras em sua presença.

É possível acreditar sinceramente que se está do lado certo e, ainda assim, fazer da vida de alguém um lugar insuportável.

Não basta perguntar o que uma pessoa acredita sobre si mesma. Às vezes, é preciso perguntar o que acontece com os outros quando ela entra em uma sala.

Porque há pessoas que falam de amor e espalham medo. Pessoas que defendem a liberdade e sufocam quem discorda. Pessoas que exigem respeito, mas só sabem oferecê-lo a quem as obedece.

E, quando alguém aponta a contradição, elas se ofendem.

A crítica passa a ser uma agressão. A consequência vira perseguição. O limite imposto pelo outro é tratado como uma injustiça.

A pessoa que machucou alguém descobre que também pode sofrer por ser confrontada com o que fez. Então desloca novamente o problema: deixa de discutir a ferida que provocou e passa a discutir a crueldade de quem teve coragem de apontá-la.

O espelho se transforma em inimigo.

Talvez seja por isso que tantas pessoas fujam de si mesmas. Não porque desconheçam inteiramente o que fizeram, mas porque reconhecer o que fizeram exigiria abandonar alguma coisa que lhes é preciosa: a imagem de inocência, a posição de vítima, a certeza de superioridade, a necessidade de estar sempre certas.

Há pessoas que preferem perder um relacionamento, uma amizade, uma família ou a própria dignidade a admitir que erraram. Não necessariamente porque não saibam que estão perdendo tudo, mas porque, naquele instante, reconhecer a própria responsabilidade parece uma perda ainda maior.

E assim continuam. Mesmo quando já não resta ninguém para vencer.

É possível que uma pessoa destrua a própria vida tentando provar que os outros são culpados por ela.

Pode afastar todos os que a amam, perder oportunidades, destruir a confiança e terminar sozinha, ainda convencida de que o mundo lhe deve alguma coisa. Sua vida se torna a prova de sua infelicidade, mas ela não consegue perceber que parte dessa infelicidade também foi produzida por suas escolhas.

Não porque tudo estivesse sob seu controle. Não porque todas as injustiças que sofreu fossem imaginárias. Mas porque a dor que recebeu não explica, sozinha, tudo aquilo que passou a fazer.

Há um momento em que a história deixa de ser apenas sobre o que fizeram conosco e passa a ser também sobre o que fazemos com aquilo que nos fizeram.

Esse momento pode ser insuportável.

Talvez seja por isso que algumas pessoas nunca cheguem até ele.

Prefiro pensar nessas pessoas como seres humanos que podem estar presos em mecanismos que já não conseguem reconhecer. Não porque queira sentir pena. Não porque considere que mereçam minha compreensão como uma obrigação. E muito menos porque acredite que todos possam ser salvos.

Quero compreender porque a ignorância sobre a própria crueldade é uma das coisas mais perigosas que existem.

Quem sabe que faz mal pode, pelo menos, ser confrontado com aquilo que escolheu fazer. Quem se convenceu de que nunca faz mal transforma qualquer confronto em prova de que os outros estão contra ele.

E ninguém consegue entrar na consciência de outra pessoa à força.

Podemos mostrar. Podemos falar. Podemos estabelecer limites. Podemos nos recusar a participar. Mas não podemos obrigar alguém a reconhecer o que não quer enxergar.

Nem devemos sacrificar a própria vida tentando convencer outra pessoa de que ela está destruindo a sua.

Não quero sentir pena de quem me faz mal. Não quero ser obrigado a perdoar alguém porque conheço sua história. Não quero transformar a compreensão em mais uma dívida que a vítima precisa pagar.

Quero apenas entender como chegamos a esse ponto, em que alguém pode estar sofrendo tanto que passa a produzir sofrimento e, ainda assim, não reconhece a própria participação no incêndio.

Porque talvez haja pessoas vivendo no inferno sem saber que estão nele.

Sentem o calor, sentem a raiva, sentem a frustração, sentem a humilhação de existir em uma vida que não conseguem suportar. Mas, em vez de perguntar de onde vêm as chamas, procuram culpados entre aqueles que estão por perto.

E, quando encontram alguém, jogam mais lenha.

Talvez a pessoa que chicoteia os outros esteja tentando esquecer que também apanha. Talvez aquele que humilha precise desesperadamente acreditar que não é tão insignificante quanto se sente. Talvez aquele que deseja a morte de um desconhecido esteja tentando calar alguma coisa que não suporta reconhecer em si mesmo.

Talvez.

Mas o menino que apanha não deixa de sentir dor porque o outro também apanha em casa. O jogador que chora não sofre menos porque o adversário estava frustrado. E as pessoas que vivem ao redor de alguém em guerra consigo mesmo não têm a obrigação de servir como campo de batalha.

O inferno de uma pessoa não lhe dá o direito de incendiar a casa dos outros.

E é aqui que volto à frase de Octavia Butler. O poder de destruir pode ser a última coisa que resta a alguém que perdeu a esperança de construir. Mas isso não transforma destruição em grandeza. Não transforma crueldade em coragem. Não transforma sofrimento em inocência.

Há uma diferença entre estar ferido e fazer da própria ferida uma arma.

Talvez a pergunta mais difícil não seja por que as pessoas fazem maldades. Talvez seja por que algumas precisam acreditar que não estão fazendo maldade para continuar vivendo consigo mesmas.

Porque, enquanto alguém consegue dizer “eu errei”, ainda existe uma fresta por onde pode entrar alguma coisa diferente. Mas, quando tudo o que faz é justificado, quando toda vítima é culpada, quando todo limite é uma ofensa e toda crítica é uma perseguição, a pessoa constrói ao redor de si uma prisão sem grades.

E ainda pode passar a vida inteira culpando os outros por mantê-la presa.

O que me assusta não é apenas a possibilidade de alguém estar pegando fogo por dentro.

É a possibilidade de que essa pessoa tenha passado tanto tempo queimando que já não reconheça o fogo como fogo. Que tenha confundido a própria dor com a realidade inteira. Que acredite que o mundo é assim mesmo, que as pessoas só entendem a força, que ninguém presta, que todos merecem sofrer.

E que, por isso, continue espalhando as chamas.

Não quero salvar todo mundo. Não quero carregar a dor de desconhecidos, justificar a crueldade de quem me cerca ou fingir que compreender significa aceitar. Quero apenas que sejamos capazes de reconhecer a diferença entre a dor que recebemos e aquela que escolhemos devolver.

Porque uma coisa é ter sido queimado pela vida.

Outra é começar a incendiar tudo ao redor.

E talvez a tragédia mais profunda seja esta: há pessoas que passam a vida tentando escapar do inferno e, sem perceber, transformam-se naquilo que faz do mundo um inferno para os outros.

Não sabem por que todos se afastam. Não entendem por que ninguém permanece. Não compreendem por que recebem hostilidade quando acreditam estar apenas se defendendo.

Continuam procurando a origem do fogo em toda parte, menos nas próprias mãos.

E talvez nunca a encontrem.

Não porque o espelho esteja quebrado.

Mas porque, toda vez que se aproximam dele, preferem incendiar o quarto.

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Thoughts

  • jpaulo107

    O motorista e o cobrador a rir foi o que me ficou atravessado. Quem vai ao volante manda naquele espaço todo, e se calhar bastava um olhar pelo espelho para aquilo acabar no primeiro dia.

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  • Caiozinho

    Carrapicho usado de chicote é coisa de quem cresceu perto de mato, e arde de um jeito que ninguém de cidade imagina.

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