(À esquerda revolucionária, tão sedutora de início com suas ideias igualitárias e tão repulsiva depois ao saber do seu histórico de governos totalitários)
Ah, a rosa vermelha!
Tem um cheiro tão sublime,
Tão certo dessa centelha
Iluminar mais que o crime!
Segurada por nossos dedos,
Nos faz sentir a dor
De saber seus segredos,
Que vão muito além da cor.
É uma mui bela planta,
Arejada e regada por nós,
Meros cortes na garganta
Dessa flor cheia de voz.
Nos chama a atenção
Com o inesgotável perfume,
Mas tudo o que faz à mão
É destruir a pele no ciúme.
Será que é válido sentir
A perfeição que parece,
A troco de ao inferno ir
Vendo que não merece?
Não que outras não sejam
Idênticas a ela no processo,
Embora queira que vejam
A defesa do aroma confesso.
As flores foram compostas
Não só para deflagrarem
O melhor dessas apostas,
Mas também para amarem.
Então, se assim lhes é
O amor que tanto sentem,
A negação da santa fé
É o que jamais mentem.
Por isso, amiga rosa,
Peço-te que não abandones
A dívida "misteriosa"
Que tens com os iPhones.
Queria uma descoberta
Aos de coração puro:
Estarias tu muito aberta
Para ter o que procuro?
Carquejo, madrugada de 25 de Dezembro de 2025.