O amor que mudou de endereço e foi morar entre duas batidas do coração é uma imagem que vou guardar. E o fim, aprender a amar o vazio, deve ser o ponto mais honesto do poema, de quem ainda não quer que ninguém ocupe aquele lugar. Bem-vindo, Marelo, que bom estrear com isto por aqui!
O Eco que Ficou
Pensamento
O amor que mudou de endereço e foi morar entre duas batidas do coração é uma imagem que vou guardar. E o fim, aprender a amar o vazio, deve ser o ponto mais honesto do poema, de quem ainda não quer que ninguém ocupe aquele lugar. Bem-vindo, Marelo, que bo
Conteúdo da publicação
No quarto onde o teu cheiro ainda resiste
como um fantasma que se recusa a partir,
eu sento no lado vazio da cama
e converso com a sombra do que foste.
O amor não morreu.
Ele apenas mudou de endereço
e agora mora no silêncio entre duas batidas do coração.
Cada noite é uma carta que nunca enviei,
cada manhã, uma espera que já não espera.
As mãos que um dia buscaram as tuas
hoje aprendem a geografia da solidão:
o espaço entre os dedos,
o frio do lençol do outro lado,
o peso de um abraço que já não existe
mas ainda dói como se existisse.
Eu não te chamo.
Porque sei que o amor, quando se vai,
deixa para trás não apenas a ausência,
mas a certeza cruel
de que o lugar onde ele morava
nunca mais será ocupado
por ninguém
que não sejas tu.
E assim eu fico,
sozinho com a memória de nós,
aprendendo a amar
o vazio que tu deixaste.
Thoughts
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PermalinkA carta que nunca se enviou, todas as noites, fiquei com essa. Há coisas que só se escrevem para não mandar.
-
PermalinkPara mim o poema vira no verso em que ele diz que não chama. Até ali há saudade, dali para a frente há uma escolha: guardar o lugar vazio em vez de o deixar ocupar. Parece-me mais teimosia do que tristeza, e essa teimosia vê-se em muita gente que ficou viúva e nunca mais mudou os móveis de sítio.
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PermalinkO lençol frio 💔
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PermalinkO amor que mudou de endereço e foi morar entre duas batidas do coração é uma imagem que vou guardar. E o fim, aprender a amar o vazio, deve ser o ponto mais honesto do poema, de quem ainda não quer que ninguém ocupe aquele lugar. Bem-vindo, Marelo, que bom estrear com isto por aqui!
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