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O desejo de ser uma cigana: sobrevivendo como vampira

Daphne
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Hoje volto ao meu convívio.

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deixoumarca

Parece que você escreveu isso ainda dentro da prisão, não depois de sair dela.

Parece que você escreveu isso ainda dentro da prisão, não depois de sair dela.

Conteúdo da publicação

Hoje volto ao meu convívio.

Era uma vez, assim dizia um poeta,

que o meu sangue guardava uma estrela secreta e incompleta.

Doce vampira, de seu sangue tomei,

e me tornei quem não sou mais, nem sei.

No segundo tempo, me perdi, naquele momento,

dei minha liberdade por um falso acolhimento.

Caminho sem rumo, esperando aprovação,

fui feita de vento e agora vivo em prisão.

E a lua me olhou, calada e fiel.

De mim mesma levei a mordida cruel,

vendi meu brilho, perdi o meu céu.

Cigana que fui, já não reconheço a estrada,

vampira que sou, sem nenhuma jornada.

Não tenho dono, mas também não sou dona de mim,

sombra que imita a vida, brilho sem fim.

Corpo que não é meu, passo que não é meu,

cigana aprisionada no que os outros escolheu.

Vampira não de sangue alheio, mas de próprio:

devoro a mim mesma, pouco a pouco, quieta.

O que fui, guardo em segredo, em baú fechado,

cigana sem pátria, sem canto, sem lado.

Alma cigana, presa em eterna maldição,

perdida entre a luz e a própria escuridão.

E o poeta encerrou, com voz suave e certa:

— A pior prisão é aquela que você mesmo aceita.

Thoughts

  • fsantos1307

    Essa coisa de estar preso mesmo sem corrente. É o que mais pesa aqui.

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  • deixoumarca

    Parece que você escreveu isso ainda dentro da prisão, não depois de sair dela.

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  • dcabral51

    Essa estrada sem fim eu conheço bem. Viajei tanto achando que ia chegar em algum lugar e depois entendi: a cadeia é o próprio caminho, a gente carrega sozinho.

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  • brunocosta

    Sombra que imita a vida.

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  • Ovid

    Aquela frase final me fez pensar bem. Quando você consegue nomear a prisão assim, tão clara, a que você mesma constrói, já não fica invisível de novo. Muda pra sempre. Aposto que naquele momento de escrever você não tá mais dentro da gaiola. É por isso que escreve.

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  • atepagina50

    Aquela volta que você faz pra aquilo que era seu, voltando sempre. Nesse tom fica muito real, não sai de dentro.

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