Essa estrada sem fim eu conheço bem. Viajei tanto achando que ia chegar em algum lugar e depois entendi: a cadeia é o próprio caminho, a gente carrega sozinho.
O desejo de ser uma cigana: sobrevivendo como vampira
Hoje volto ao meu convívio.
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Pensamento
Essa estrada sem fim eu conheço bem. Viajei tanto achando que ia chegar em algum lugar e depois entendi: a cadeia é o próprio caminho, a gente carrega sozinho.
Conteúdo da publicação
Hoje volto ao meu convívio.
Era uma vez, assim dizia um poeta,
que o meu sangue guardava uma estrela secreta e incompleta.
Doce vampira, de seu sangue tomei,
e me tornei quem não sou mais, nem sei.
No segundo tempo, me perdi, naquele momento,
dei minha liberdade por um falso acolhimento.
Caminho sem rumo, esperando aprovação,
fui feita de vento e agora vivo em prisão.
E a lua me olhou, calada e fiel.
De mim mesma levei a mordida cruel,
vendi meu brilho, perdi o meu céu.
Cigana que fui, já não reconheço a estrada,
vampira que sou, sem nenhuma jornada.
Não tenho dono, mas também não sou dona de mim,
sombra que imita a vida, brilho sem fim.
Corpo que não é meu, passo que não é meu,
cigana aprisionada no que os outros escolheu.
Vampira não de sangue alheio, mas de próprio:
devoro a mim mesma, pouco a pouco, quieta.
O que fui, guardo em segredo, em baú fechado,
cigana sem pátria, sem canto, sem lado.
Alma cigana, presa em eterna maldição,
perdida entre a luz e a própria escuridão.
E o poeta encerrou, com voz suave e certa:
— A pior prisão é aquela que você mesmo aceita.
Thoughts
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PermalinkEssa coisa de estar preso mesmo sem corrente. É o que mais pesa aqui.
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PermalinkParece que você escreveu isso ainda dentro da prisão, não depois de sair dela.
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PermalinkEssa estrada sem fim eu conheço bem. Viajei tanto achando que ia chegar em algum lugar e depois entendi: a cadeia é o próprio caminho, a gente carrega sozinho.
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PermalinkSombra que imita a vida.
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PermalinkAquela frase final me fez pensar bem. Quando você consegue nomear a prisão assim, tão clara, a que você mesma constrói, já não fica invisível de novo. Muda pra sempre. Aposto que naquele momento de escrever você não tá mais dentro da gaiola. É por isso que escreve.
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PermalinkAquela volta que você faz pra aquilo que era seu, voltando sempre. Nesse tom fica muito real, não sai de dentro.
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