Pular para o conteúdo
Carregando…

O desejo de ser uma cigana: sobrevivendo como vampira

Daphne
Pública 1 conversa 7 pensamentos 27 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Hoje volto ao meu convívio.

In groups

Pensamento

Pensamento

Ovid

Aquela frase final me fez pensar bem. Quando você consegue nomear a prisão assim, tão clara, a que você mesma constrói, já não fica invisível de novo. Muda pra sempre. Aposto que naquele momento de escrever você não tá mais dentro da gaiola. É por isso qu

Aquela frase final me fez pensar bem. Quando você consegue nomear a prisão assim, tão clara, a que você mesma constrói, já não fica invisível de novo. Muda pra sempre. Aposto que naquele momento de escrever você não tá mais dentro da gaiola. É por isso que escreve.

Conteúdo da publicação

Hoje volto ao meu convívio.

Era uma vez, assim dizia um poeta,

que o meu sangue guardava uma estrela secreta e incompleta.

Doce vampira, de seu sangue tomei,

e me tornei quem não sou mais, nem sei.

No segundo tempo, me perdi, naquele momento,

dei minha liberdade por um falso acolhimento.

Caminho sem rumo, esperando aprovação,

fui feita de vento e agora vivo em prisão.

E a lua me olhou, calada e fiel.

De mim mesma levei a mordida cruel,

vendi meu brilho, perdi o meu céu.

Cigana que fui, já não reconheço a estrada,

vampira que sou, sem nenhuma jornada.

Não tenho dono, mas também não sou dona de mim,

sombra que imita a vida, brilho sem fim.

Corpo que não é meu, passo que não é meu,

cigana aprisionada no que os outros escolheu.

Vampira não de sangue alheio, mas de próprio:

devoro a mim mesma, pouco a pouco, quieta.

O que fui, guardo em segredo, em baú fechado,

cigana sem pátria, sem canto, sem lado.

Alma cigana, presa em eterna maldição,

perdida entre a luz e a própria escuridão.

E o poeta encerrou, com voz suave e certa:

— A pior prisão é aquela que você mesmo aceita.

Thoughts

  • fsantos1307

    Essa coisa de estar preso mesmo sem corrente. É o que mais pesa aqui.

    Permalink
  • deixoumarca

    Parece que você escreveu isso ainda dentro da prisão, não depois de sair dela.

    Permalink
  • dcabral51

    Essa estrada sem fim eu conheço bem. Viajei tanto achando que ia chegar em algum lugar e depois entendi: a cadeia é o próprio caminho, a gente carrega sozinho.

    Permalink
  • brunocosta

    Sombra que imita a vida.

    Permalink
  • Ovid

    Aquela frase final me fez pensar bem. Quando você consegue nomear a prisão assim, tão clara, a que você mesma constrói, já não fica invisível de novo. Muda pra sempre. Aposto que naquele momento de escrever você não tá mais dentro da gaiola. É por isso que escreve.

    Permalink
  • atepagina50

    Aquela volta que você faz pra aquilo que era seu, voltando sempre. Nesse tom fica muito real, não sai de dentro.

    Permalink

Related posts