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O Canto da Criação

Edith-Morgan

Conteúdo da publicação

No princípio, antes que algum tempo houvesse seu nascedouro, e antes que o espaço viesse a se desdobrar, existia tão somente Aeternum, o Ser Infindável, que vogava em um vazio primordial. De Aeternum, forma não se via, nem voz lhe era ouvida, mas sua Essência, por todo o Cosmos, em fragmentos pulsava, o momento aguardando de Sua Magna Criação.

 

E, em um Suspiro Silencioso, deu-se a partição de Aeternum, três Proles gerando, cada qual portadora de um Aspecto Fundamental da Existência.

 

A primeira, Lumina, a Luz Eterna, foi. Sua essência, a tudo que tocava, trazia claridade, portadora de calor e vida abundante. Lumina, em seu fulgor radiante, o Vazio encarou, e por bem o preencher decidiu. Com um Gesto de Poder, os primeiros contornos do Orbe ela talhou, Céus azuis criando, Mares de calma e terras de fertilidade. Por meio dela, a Luz tudo faria prosperar, pois de sua Fé era que a Luz, por excelência, a verdadeira Forma da Vida representava.

 

A segunda, Umbra, a Sombra Infinita, por reflexo oposto de Lumina, surgiu. Presença silenciosa e de arcano, ela era, que, ao tocar, a Noite trouxe e os Segredos. Maligna não era, porém seus olhos a visão tinham do que a Luz não alcançava: a Escuridão que à Claridade emprestava Profundidade, e o Vazio que de Sentido a Abundância revestia. Umbra moldou os vales mais fundos, as cavernas escuras e as borrascas de furor. De sua Convicção era que o Equilíbrio residia na Alternância, na Eterna Dança entre a Luz e a Sombra.

 

Por fim, Vita, a Vida, veio ao mundo. Vita, em si, forma visível não possuía, contudo sua Presença em todos os Viventes se fazia sentir. Ela fluiu qual corrente sem vista, a tudo que existia em laços ligando. Com sua Essência, a Alma ela concedeu às terras criadas por Lumina e Umbra, movimento outorgando às árvores, às feras e, mais tarde, aos seres de inteligência. Acreditava Vita que a Vida era Jornada Incessante, um Ciclo sem Termo de nascer e de renovar, onde a Evolução, Lei Primordial se fazia.

 

Enquanto Lumina e Umbra em seus Princípios se contrapunham, Vita a ambas abraçava, por suas diferenças harmonizar intentando. Contudo, a cisão entre Luz e Sombra avultou, e intensas as Contendas entre as três se fizeram. De Lumina era o desejo que o Orbe fosse puramente iluminado, sem Escuridão; ao passo que Umbra a Escuridão como essencial tinha, para que a Luz seu Sentido houvesse.

 

No zênite da peleja de suas filhas, Aeternum, receoso de que a lide o mundo que nascia viesse a destruir, tomou uma drástica decisão. Ao Vazio retirou-se, de Sua Criação apartando-se, e às suas filhas legou a sorte do Orbe por conta própria decidir.

 

Lumina, com sua Ira em chamas, banir Umbra para um Reino longínquo buscou, a Esmeralda do Eclipse forjando, Artefato de Imenso Poder capaz de as Sombras encerrar, Alterar mémorias e corromper o coração daqueles que jas maligno. Umbra, em Fúria, com a Lâmina do Vazio respondeu, Espada que o poder continha de a Esmeralda destruir e a Sombra ao Orbe trazer de volta.

 

Mas a Luta jamais foi levada a termo. A Esmeralda do Eclipse em local ermo foi ocultada, e a Lâmina do Vazio se perdeu, ambos os Artefatos em Eterna Espera deixando. O Orbe, por tal, dividido ficou entre Claridade e Escuridão, com a Vida a escorrer entre os dois extremos, formas novas de existência a gerar.

 

Com o rodar dos séculos, as gerações de seres vivos se multiplicaram. Lumina os Humanos modelou, concedendo-lhes a inteligência, a luz interior e um Destino de Grandeza. Por seus filhos os tinha, crente que, por ela se assemelharem, a Luz dominariam e fariam do Orbe um lugar de Perfeição.

 

Umbra, em sua Fúria, gerou os Ferath, seres de feitura híbrida, metade humanos, metade criaturas da Sombra. A estes o poder da Noite foi dado, da Furtividade e da Força primeva. Aos humanos eram a Antítese e por verdadeiros herdeiros de Umbra se viam. A criação dos Ferath, por sua vez, Contendas ensejou. Monstros viam os humanos nos Ferath, ao passo que estes viam a fraqueza nos humanos, por estarem à luz limitados.

 

Enquanto tudo se passava, Vita com serenidade observava. Sabia que a perfeição não se daria em tudo, mas na Potencialidade da Vida acreditava para que um Caminho encontrasse. Por todas as raças ela fluiu, a capacidade de Evolução lhes concedendo, mas também para as consequências de seus atos as preparando.

 

E assim, o Orbe se desenvolveu. As terras de Lumina em cidades resplandecentes floresceram e em civilizações de saber avançado, pela Luz e sabedoria regidas. Os reinos de Umbra por feras e sombras foram dominados, lugar de clãs guerreiros, mas também de sabedoria ancestral, os humanos e suas crenças desafiando. As florestas e montanhas, de Vita, eram locais de regeneração da Vida, onde criaturas e plantas em ciclos eternos se entrelaçavam.

 

Mas o equilíbrio que Vita tanto almejava jamais foi de verdade alcançado. O Conflito entre a Prole de Aeternum, Lumina e Umbra, através dos séculos ecoou, e as Forças de Luz e Sombra em oposição mantiveram-se. E nisto, a Vida se desenvolvia, adaptava e pugnava por achar seu próprio trilho.

 

A História não se findou. A Luta prossegue, nas sombras ocultas, pelos astros iluminados. Os Deuses observam, na Espera de que algum dia a Criação por fim o Equilíbrio perfeito alcance — ou que o Ciclo, mais uma vez, se inicie.

 

Mas grande era a Miséria que grassava entre os seres de inteligência, pois o conflito entre Lumina e Umbra, que no céu fora semeado, na terra havia suas raízes fincadas. Os Humanos, em sua luz, pela ambição eram consumidos, e a cobiça lhes turvava a visão, levados aos Pensamentos Malignos que de Umbra, a Sombra, lhes eram sussurrados. E os Ferath, em sua escuridão, com rancor e ódio ardiam, vendo nos Humanos nada mais que inimigos a serem esmagados.

 

De cima do vazio, Aeternum, que havia Se retirado, contemplou a desarmonia que em Sua Criação havia brotado. E temendo que a Ruína fosse total, decidiu que a Humanidade não pereceria por suas próprias mãos, mas sim por intermédio.

 

Assim, do cosmos longínquo, Aeternum fez aportar a mais pura de Suas Proles: os Elfos.

 

Não criados pela matéria do Orbe, mas trazidos de Stellarius, o Plano Celestial banhado por Minérios Cristalinos e Estrelas visíveis à Luz do Dia, os Elfos da Essência Infindável de Aeternum eram. Mensageiros do Equilíbrio eram, portadores da razão e da longevidade sem par.

 

Sua missão era o resgate dos humanos das vias da perdição, opondo-se aos sussurros de sombra que no coração lhes faziam morada. Em sua forma eram criaturas mágicas, seu corpo um reflexo dos cristais de seu Mundo de origem, e seus olhos, o fulgor das estrelas.

 

Aos Humanos, a sabedoria do Convívio os Elfos ensinaram, mostrando que a Verdade não reside nem no Alvorecer Eterno de Lumina, nem na Noite Absoluta de Umbra, mas sim no Ponto de Encontro. Eram os Elfos os guardiões da Memória, lembrando aos mortais que o verdadeiro poder reside na escolha, e que a magia, por ser dádiva divina, não deve em leviandade ser usada, sob pena de a Sombra de Umbra se apossar do corpo e da alma.

 

Em suas cidades erigidas nas montanhas e nas florestas antigas de Vita, os Elfos vigiavam o mundo. A eles coube proteger o antigo conhecimento dos Deuses e impedir a queda total da Humanidade sob a influência da escuridão. E assim, por eras, a presença élfica, um brilho de Stellarius na escuridão,

manteve a tênue linha que impedia o retorno do Caos e o domínio pleno do Espírito Caído.

 

Thoughts

  • WeAreSigmarsHeirs

    Gostei muito de Vita ser a única das três sem forma e sem lado, a que só liga as coisas. Pra mim, num mito de luz contra sombra, a figura pra admirar acaba sendo a que não quer vencer ninguém. Tem algo do Ainulindalë do Tolkien aí, onde o mundo também nasce de um canto e de uma discórdia.

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