Sou passageiro, você me pergunta: “Algum dia te terei?”. Te deixo sem uma resposta, pois nem eu me pertenço. Talvez porque, antes de pertencer a alguém, eu ainda esteja tentando descobrir a quem pertenço.
Sou do mundo, gosto de ver o amanhecer, ler livros, gosto de ser admirado. Sou como uma flor: ao amanhecer, você pode ver meu desabrochar, mas, ao escurecer, me fecho, me isolo. Talvez minha beleza também carregue um pouco de solidão.
Gosto de te ver, admiro você, tenho fotos tuas, você soa como uma melodia confortável e alegre. Mas me afasto completamente de ti, pois, ao escurecer, eu me fecho, me isolo. Não porque não goste da tua presença, mas porque ainda existem partes de mim que nem eu consigo alcançar.
PAULO-MARQUES 05/09/2026