A última parte, a de desaparecer sem nunca partir, é a que fica a doer. Aposto que essa foi a primeira que te saiu e o resto veio depois.
Nos cantos da escola
Há pessoas pelos cantos da escola, que passam em silêncio, sem ninguém notar, enquanto a multidão ri e se consola, elas aprendem sozinhas a observar.
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Pensamento
A última parte, a de desaparecer sem nunca partir, é a que fica a doer. Aposto que essa foi a primeira que te saiu e o resto veio depois.
Conteúdo da publicação
Há pessoas pelos cantos da escola,
que passam em silêncio, sem ninguém notar,
enquanto a multidão ri e se consola,
elas aprendem sozinhas a observar.
No recreio, escondem-se entre os passos,
enquanto outros se abraçam sem pensar;
olham de longe os risos e os laços,
com vontade de também participar.
Há quem tenha amigos ao seu lado,
mas ainda carregue a solidão,
sorrindo para não ser perguntado
sobre o peso escondido no coração.
Sentam-se juntos, mas não pertencem,
falam pouco para não incomodar;
e quando as conversas acontecem,
ficam procurando onde encaixar.
É doloroso estar entre tanta gente
e sentir que ninguém vê quem você é;
ter mil palavras presas na mente
e não encontrar sequer alguém que as escute em pé.
Há pessoas que chegam e ninguém nota,
que partem e ninguém vai perguntar;
sua ausência passa despercebida,
como se nunca tivessem estado naquele lugar.
E pouco a pouco vão ficando quietas,
guardando no peito o que não conseguem dizer;
fazem de seus próprios silêncios suas metas,
para não mostrar o quanto pode doer.
Não é que não queiram companhia,
nem que desejem viver na solidão;
é só o cansaço de todos os dias
sentir-se sobrando em qualquer multidão.
Talvez a pior dor de ser invisível
seja estar diante de tantos olhares
e perceber que, mesmo sendo possível,
ninguém enxerga os seus próprios lugares.
Assim seguem pelos corredores,
entre cadernos, campainhas e lições,
carregando escondidos seus temores,
como quem carrega tempestades no coração.
E talvez ninguém saiba, ao passar,
que aquele rosto quieto, aparentemente normal,
pode esconder um mundo inteiro a desabar,
sem que ninguém perceba o seu temporal.
Porque há solidões que não fazem ruído,
há tristezas que aprendem a sorrir,
há quem esteja perto, mas se sinta perdido,
e há quem desapareça sem nunca partir.
Autora:Kerolyn Souza Mello
Thoughts
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PermalinkA ideia de fazerem do próprio silêncio uma meta foi a que me deixou parada. Tem uma distância enorme entre estar sozinho e treinar para não precisar de ninguém, e a segunda parte ninguém avisa enquanto está acontecendo. Aposto que essa estrofe foi das últimas a aparecer.
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PermalinkHá gente assim em todo o lado, não é só na escola. Continua a acontecer aos trinta e tal, só que já ninguém tem recreio para se esconder.
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PermalinkTinha um menino na minha sala que ficava sempre encostado no muro do pátio, e a gente só foi reparar nele quando mudou de escola e ninguém soube dizer pra onde. Seu poema trouxe esse menino de volta pra mim depois de uns cinquenta anos. Fico pensando que ele tinha palavra guardada demais e ninguém ali em pé pra escutar.
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PermalinkEpá. Isto dói.
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PermalinkA minha filha de catorze conta-me o intervalo dela quase assim, gente sentada à mesma mesa e a sobrar na mesma. Nunca sei o que lhe dizer quando ela chega a esse ponto.
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PermalinkGostei muito da estrofe do sorrir para não ser perguntado. É uma coisa que se vê todos os dias no recreio e passa sempre despercebida.
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PermalinkOs que chegam e ninguém nota, e que partem e ninguém pergunta, foi a parte que me ficou aqui. Me fez pensar em quanta gente entra neste site assim, publica uma vez e some sem que ninguém diga nada. Isso vai mudar devagar, um comentário de cada vez, e esse seu poema já é um deles.
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PermalinkA última parte, a de desaparecer sem nunca partir, é a que fica a doer. Aposto que essa foi a primeira que te saiu e o resto veio depois.
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