Havia um jardim escondido,
onde as flores aprendiam a calar,
guardavam tempestades nas pétalas
e medo de um dia desabrochar.
Eram flores ainda pequenas,
delicadas demais para o temporal,
sorriam sob a luz do dia,
mas à noite tudo parecia igual.
Algumas tinham pétalas cansadas,
outras já não queriam florescer;
não era falta de primavera,
era o peso de simplesmente viver.
Havia botões fechados em silêncio,
com segredos difíceis de contar,
e flores que, mesmo cercadas,
não encontravam onde repousar.
O vento passava entre os galhos,
levando suspiros pelo chão;
ninguém percebia que, naquele jardim,
cada pétala escondia um coração.
E quando a chuva caía forte,
molhava aquilo que ninguém via
flores frágeis, quase invisíveis,
crescendo em meio à melancolia.
Talvez fossem apenas flores...
ou talvez fossem jovens a florescer,
aprendendo, entre espinhos e silêncios,
que crescer também pode doer.
Autora:Kerolyn Souza Mello