A força que resta na dor
Anos de luta
Cinquenta e quatro anos hoje, celebrando o respirar,
Mesmo quando o corpo cobra um preço alto ao acordar.
Há seis anos o médico deu o nome à minha dor,
Mas esse inimigo antigo já testava o meu valor.
Às vezes abrir os olhos é dúvida e hesitação,
Não sei se chego em pé ou se fico na solidão.
O braço pesa toneladas para um copo alcançar,
Falta a força para comer, dói a mandíbula ao mastigar.
A névoa mental me trava, o raciocínio quer fugir,
A palavra se perde no ar antes mesmo de eu dizer.
Mas saber contra o que luto me dá forças pra seguir,
Pois mesmo na névoa e na dor, eu escolho não desistir.