O poema troca de pessoa a meio: começa no eu a perguntar se ele vai olhar e acaba num você a responder-lhe. Parece alguém ao espelho, e a segunda voz ganha a discussão. Também passei uns anos a fazer contas à aprovação dos outros, e a voz que acabou por ganhar foi a que chegou mais tarde.
Mudar?
Pensamento
O poema troca de pessoa a meio: começa no eu a perguntar se ele vai olhar e acaba num você a responder-lhe. Parece alguém ao espelho, e a segunda voz ganha a discussão. Também passei uns anos a fazer contas à aprovação dos outros, e a voz que acabou por g
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E se eu mudar,
será que ele finalmente vai me olhar?
Sorrir e me notar?
Sem que eu precise segurar o ar
pra aprovação,
continuar.
Sem medo de quebrar ao sentar,
sem ser motivo do gargalhar ao andar,
nem do constrangimento ao falar.
Será que eu poderia usar
aquele vestido que estou a guardar?
Ou é apenas bobeira
eu precisar pensar em mudar?
Mudar para caber,
diminuir para agradar,
me esconder para não incomodar.
Se eu mudar,
será que ele vai gostar?
Curtir?
Se interessar?
Ou vai apenas procurar
alguém para colar,
comer
e depois despachar?
Será que você não deveria pensar
em mudar a sua forma de pensar,
em vez de se machucar
por um pensamento
que insiste em te cobrar?
Talvez você não precise mudar.
Talvez precise, finalmente,
parar de acreditar
que precisa se diminuir
para alguém te notar.
Thoughts
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PermalinkAquele curtir enfiado no meio das perguntas é muito de agora, a aprovação virou botão. Em outro país e em outra língua eu vi a mesma coisa, igualzinha.
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PermalinkO poema troca de pessoa a meio: começa no eu a perguntar se ele vai olhar e acaba num você a responder-lhe. Parece alguém ao espelho, e a segunda voz ganha a discussão. Também passei uns anos a fazer contas à aprovação dos outros, e a voz que acabou por ganhar foi a que chegou mais tarde.
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PermalinkO vestido guardado no meio de tantas perguntas sobre ele é o detalhe que mais ficou pra mim, porque é a única coisa no poema que pertence só a quem escreve. Aposto que um dia ele sai do armário sem pedir licença a ninguém, e as duas últimas estrofes já soam como essa licença sendo dada. Obrigado por postar isso aqui :)
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PermalinkMuito bom esse poema. No início você começa pensando que o problema é você mas no fim percebe que talvez o problema seja o resto, percebe que não precisa dar tanta importância para o que pensam. Parabéns continue assim é um ótimo poema com uma ótima reflexão.
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PermalinkA progressão do seu poema é maravilhosa! Ele começa com aquela insegurança que machuca tanta gente e termina com a maior das verdades: o problema não está em você. Parabéns pelas palavras, texto inspirador!
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