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Meu décimo quarto Assassino com o Meu Rosto

hyan_amorim
Pensamento

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xadrezista

Digital na faca, máscara no esconderijo, câmera do hospital desligada bem no dia. Prova arrumadinha demais. Quem copia rosto com magia copia digital também, e o Ariel agora sente magia.

Digital na faca, máscara no esconderijo, câmera do hospital desligada bem no dia. Prova arrumadinha demais. Quem copia rosto com magia copia digital também, e o Ariel agora sente magia.

Conteúdo da publicação

Quinta-feira, 25/01/2024

Victor acabou de sair para o trabalho. Mesmo com a casa cheia de seguranças, ainda estou com medo.

Ainda existe a possibilidade de que a minha irmã seja o assassino. As suspeitas apontam para isso... mas, no fundo, eu sinto que não é ela. A Ariana que eu conheço jamais machucaria alguém.

Mesmo assim, o medo não vai embora.

Pego o livro de feitiços.

Preciso me proteger.

- Poção para detectar magia... - leio em voz alta. - Então foi daqui que veio o poder do príncipe herdeiro.

- Poção de imunidade ao fogo... Essa também vou fazer.

- Poção para respirar debaixo d'água... Muito útil.

- Poção da boa sorte... Essa então... é exatamente do que eu preciso agora.

Anoto todos os ingredientes com cuidado e mando alguém comprar as ervas.

Assim que chegam, começo o preparo.

Misturo tudo com atenção, seguindo cada detalhe do livro. O cheiro das ervas se espalha pelo ambiente, forte e estranho. Demora um pouco, mas, quando finalmente ficam prontas, deixo as poções esfriarem.

Sem pensar duas vezes... eu tomo.

Uma por uma.

Também separo uma parte para o Victor. Ele precisa de proteção tanto quanto eu.

Misturo o restante na minha garrafa de água.

Assim que meu marido chegar... vou fazê-lo tomar.

Respiro fundo.

Agora me sinto... diferente.

Quase como um mutante dos X-Men.

Sou imune ao fogo.

Consigo sentir magia.

E, o mais incrível... posso respirar debaixo d'água.

Um leve sorriso surge no meu rosto.

- É hora de testar. - digo, animado, enquanto saio do quarto.

Vou até a cozinha. A empregada está limpando a sala, e não há nenhum segurança ali dentro.

Pego um isqueiro e acendo o fogo do fogão.

Aproximo minha mão, um pouco receoso.

Assim que ela chega perto da chama... sinto apenas um leve aquecimento.

- Nossa... - digo, chocado e incrédulo, mantendo a mão no fogo.

- Senhor, o que está fazendo?! - grita um segurança, assustado.

Rapidamente puxo a mão.

Ele corre até o fogão e apaga o fogo.

- É que minhas mãos estavam frias... então resolvi aquecê-las um pouco. - digo, com um sorriso sem graça.

- Tome cuidado para não se queimar. - diz o segurança, preocupado, analisando minha mão.

- Aconteceu alguma coisa? - pergunta a empregada, entrando na cozinha.

- Não, não... está tudo bem. - respondo, sem jeito, saindo discretamente dali.

De repente, meu celular começa a tocar.

Sinto um aperto no peito.

É o Carlos.

- O que aconteceu? - pergunto, apreensivo.

- Aconteceu uma desgraça. - diz Carlos, em pânico. - O senhor Victor foi esfaqueado. Estamos neste exato momento em uma ambulância, a caminho do hospital.

- Qual hospital?! - grito, desesperado.

- No hospital do centro. - responde ele, ofegante.

- Mas como isso foi acontecer? - digo, já chorando.

- Ninguém sabe. Ele foi atacado dentro do próprio escritório. A polícia suspeita do Devorador de Íris. - explica Carlos. - O suspeito entrou pelos dutos de ventilação do prédio. Ele deixou um rastro de sangue... e também encontraram a faca.

Meu coração dispara.

- A polícia acredita que o assassino deixou digitais na arma. - acrescenta ele.

- Eu estou indo para lá! - digo, em pânico, antes de desligar o celular.

Estou a caminho do hospital, acompanhado pelos seguranças, é claro.

Estou tremendo.

Seguro minha garrafa com força entre as mãos.

Aguenta firme, meu amor...

Chego ao hospital e logo avisto Carlos no corredor. Ele está conversando com dois policiais. Os seguranças do Victor também estão ali.

- Como está o meu marido? - pergunto, desesperado, enquanto me aproximo.

- O senhor Victor está passando por uma cirurgia neste momento. - diz Carlos, visivelmente abalado. - O estado dele é delicado.

Sinto meu coração apertar ainda mais.

- Onde vocês estavam quando machucaram o meu marido? - digo, revoltado, encarando os seguranças.

Antes que eles respondam, um dos policiais se adianta:

- O suspeito entrou pelos dutos de ventilação. - explica. - Depois de atacar o Victor, ele acabou se sujando de sangue.

- Ele deixou um rastro pelo prédio. - acrescenta o outro policial.

- E como vocês não o pegaram?! - digo, indignado.

- Ele desapareceu sem deixar rastros... mas deixou cair a faca. - responde o policial. - A perícia já recolheu as digitais. Se estiverem nítidas... até amanhã teremos um nome.

Minhas pernas quase cedem.

- Isso... isso só pode ser um pesadelo... - digo, chorando, levando as mãos à cabeça. - Eu preciso ver o meu marido...

- Por favor, se acalme. - diz Carlos, me puxando para um abraço. - O senhor Victor é forte... ele vai sair dessa.

Fecho os olhos, me agarrando àquelas palavras como se fossem a única coisa me mantendo de pé.

A cirurgia já dura mais de três horas... e cada minuto parece uma eternidade. Estou andando em círculos pelo corredor do hospital, sentindo meu coração apertar a cada segundo.

De repente, o médico surge.

- Como está o meu marido? - pergunto, desesperado.

- A cirurgia foi bastante delicada, mas foi um sucesso. - diz o médico, em um tom sério. - No entanto, ele ainda está em estado crítico e foi encaminhado para a UTI.

Sinto minhas pernas enfraquecerem.

- Eu posso vê-lo? Por favor... - imploro, com a voz falha.

O médico me encara por alguns segundos antes de responder:

- Só por alguns minutos.

Uma enfermeira me conduz até a UTI. Colocam um avental em mim, uma máscara... tudo parece distante, como se eu estivesse dentro de um pesadelo.

A porta se abre. E então eu o vejo.

Victor está deitado na cama, imóvel.

Pálido.

Ligado a vários aparelhos.

O som constante do monitor ecoa pelo ambiente - bip... bip... bip...

Dou alguns passos hesitantes até ele.

- Victor... - sussurro, com a voz trêmula.

Minhas mãos tremem ao tocar as dele.

Estão frias.

Os minutos passam rápido demais... e, antes que eu perceba, preciso sair.

Sexta-feira, 26/01/2024

É de manhã. Passei em casa apenas para tomar um banho e trocar de roupa. Depois, vim para a casa da minha mãe... neste momento, é aqui que preciso estar.

Minha mãe e minhas irmãs estão me apoiando. Nunca me dei bem com a Ana, mas, nesses últimos dias, ela tem se mostrado surpreendentemente humana.

- Eu sinto muito pelo que houve com o Victor. - diz Ana, tocando minha mão com delicadeza. - Mais tarde, vou passar no hospital para te dar apoio.

- Obrigado, irmã. - respondo, ainda com a voz abatida.

- Somos sua família, filho... e vamos te apoiar. - diz minha mãe.

- Sério que só em um momento desses? - comenta Ariana, incrédula.

- Por favor, não começa. - diz Ana, já sem paciência.

- Senhora, a polícia está aqui. - diz a empregada, aproximando-se. - Estão perguntando pela senhorita Ariana.

- Eu? - diz Ariana, confusa.

Meu peito aperta.

Tomara que não seja o que estou pensando...

- Mande-os entrar. - ordena minha mãe.

A empregada sai e, logo em seguida, retorna acompanhada por dois policiais.

- Ariana Montenegro Valença... - diz um dos policiais, em tom firme, exibindo o distintivo. - Você está presa.

- O quê?! - grita Ariana, assustada.

- O que está acontecendo? Minha filha presa? - diz minha mãe, desesperada, levantando-se rapidamente. - Só pode ser algum engano!

- Você está sendo presa pela tentativa de assassinato de Victor Castellani. - diz o policial, aproximando-se. - As digitais encontradas na faca são suas.

- Só pode haver algum engano! - diz Ariana, em desespero. - Por que eu tentaria matar o meu cunhado? Além disso, eu passei o dia inteiro no hospital ontem!

Eu não consigo dizer nada.

Fico apenas em choque, observando tudo acontecer diante de mim.

- Você conseguiu se manter invisível por muitos anos. - diz o policial, firmemente. - Mas finalmente te encontramos... Devorador de Íris.

Minha mãe começa a chorar, e Ana a abraça.

- Minha filha, não... - diz minha mãe, aos prantos.

- Ariana... você é o serial killer? - pergunta Ana, horrorizada.

- Eu? O Devorador de Íris? Como assim? - diz Ariana, completamente abalada.

- Você tentou esconder seus rastros. - continua o policial, enquanto coloca as algemas nela. - Mas conseguimos chegar até o seu esconderijo. Encontramos as armas dos crimes... e suas roupas, incluindo a máscara. Tudo com as suas digitais.

Ariana entra em choque.

Ela não diz mais nada.

Antes de ser levada, ela olha para mim - assustada.

Não é um olhar frio... não é o olhar de um psicopata.

Meu peito aperta.

Olho para minha mãe, que chora desesperadamente. Vou até ela e a abraço, junto com Ana.

- Eu não sou uma assassina... por favor, acreditem em mim! - grita Ariana, enquanto é levada pelos policiais.

Terça-feira, 30/01/2024

Todos os jornais só falam da Ariana. O Devorador de Íris finalmente foi identificado.

As câmeras de segurança do hospital onde Ariana trabalha foram analisadas, mas, no dia do ataque, não estavam funcionando. Funcionários do hospital afirmam que ela desapareceu justamente no momento do ocorrido.

Todas as provas apontam para ela.

A mídia está em um verdadeiro caos. Estão perseguindo a mim, minha mãe e a Ana. Repórteres por todos os lados, perguntas sem parar...

Mesmo com tudo isso, algo dentro de mim insiste: minha irmã está dizendo a verdade.

A Ariana que eu conheço... nunca machucaria ninguém.

Mas, ainda assim, eu não tive coragem de ir vê-la na delegacia.

É de manhã.

Victor finalmente saiu da UTI.

Ele está fora de perigo.

Acabou de ser transferido para um quarto, e já consegue falar, mesmo que com dificuldade.

Victor disse que não viu quem o atacou. Segundo ele, quando percebeu... já estava no chão, sangrando.

- Nunca pensei que a Ariana fosse o Devorador de Íris. - diz o pai de Victor, visivelmente abalado. - Me desculpa... eu sei que ela é sua irmã. Deve estar sendo muito difícil para você.

- Pai... eu gostaria de conversar a sós com o Ariel por um momento. - diz Victor, com a voz fraca.

- Claro. - responde ele, levantando-se. - Vou dar uma passada na lanchonete.

Ele sai do quarto, fechando a porta atrás de si.

Olho atentamente para o rosto de Victor.

Não é o meu Victor Uchiha.

É o Do-hyun.

Aproximo-me, sento ao seu lado e seguro sua mão com cuidado.

- Príncipe herdeiro... - digo, em voz baixa.

- Como descobriu que sou eu? - pergunta Victor, com um leve sorriso.

- Vocês são completamente diferentes. É fácil perceber. - respondo, fazendo carinho em sua mão. - Agora me diga... o que você queria me contar? - pergunto, receoso.

O sorriso desaparece do rosto dele.

- Eu menti. - diz, sério. - Eu vi quem me atacou.

Sinto um frio percorrer meu corpo.

- Por que não disse nada à polícia? - pergunto, confuso.

Ele hesita por um instante.

- Porque... a pessoa que me atacou tinha o seu rosto. - diz, visivelmente abalado. - Ela estava usando magia.

Meu coração dispara.

- O... meu rosto? - digo, chocado.

- Ela tinha os cabelos da Ariana... mas o rosto era o seu. - continua ele, com dificuldade. - Era como se o assassino quisesse culpar você.

- Eu... eu não acredito que a Ariana tenha feito isso... - digo, começando a chorar.

- A Ariana é a reencarnação daquele monstro... - diz Victor, com firmeza. - E ela estava planejando jogar a culpa dos assassinatos em você. Mas a polícia agiu a tempo.

Fico em silêncio.

Meu coração se divide entre o medo... e a negação.

#romancesombrio

Thoughts

  • xadrezista

    Digital na faca, máscara no esconderijo, câmera do hospital desligada bem no dia. Prova arrumadinha demais. Quem copia rosto com magia copia digital também, e o Ariel agora sente magia.

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  • paginadobrada

    Ele botando a mão no fogo do fogão pra testar a poção e ainda falando pro segurança que tava com a mão fria kkk eu ia rir na cara dele

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