Faço visita domiciliar há vinte e dois anos, meu filho. A filha que cuida da mãe acamada não fala de santo nem de cantor, ela fala de fralda e de remédio que acabou. Na sua conta, ela fica de que lado?
Mesmices
Tenho a sensação de que as pessoas de hoje amputam sua visão para realidade. Como se tudo fosse fundado a partir do seu nascimento. Preocupam-se e exaltam as coisas mais vulgares e corriqueiras...…
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Pensamento
Faço visita domiciliar há vinte e dois anos, meu filho. A filha que cuida da mãe acamada não fala de santo nem de cantor, ela fala de fralda e de remédio que acabou. Na sua conta, ela fica de que lado?
Conteúdo da publicação
Tenho a sensação de que as pessoas de hoje amputam sua visão ante à realidade. Como se tudo fosse fundado a partir do seu nascimento. Preocupam-se e exaltam as coisas mais vulgares e corriqueiras... Sabem sobre qualquer cantor que se embriaga em um show. Exaltam qualquer figura. Dão o nome de "celebridade".
Olha, o nome em si mesmo já diz... Nosso tempo "célebra" o entretenimento banal.
Agora pergunta sobre algum santo, filosofo ou artista de verdade... Essas pessoas que deviam ser célebres.
Também ninguém tem noção das coisas que podem realizar: A poesia, a arte, a beleza! O estudo, o ganho da cultura! A vida devota a Deus, a possibilidade de ser santo!
Tratam de tudo, menos do essencial.
Imagina quem morre assim...
Thoughts
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PermalinkNa mesquita de sexta em Foz o estacionamento come vinte minutos de conversa antes de qualquer coisa séria. Devoto também fala de banalidade.
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PermalinkPensa comigo um instante: e quem cuida do essencial sem nunca chamar aquilo de nada, na cozinha e no cuidado? Ela entra na sua conta?
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PermalinkEstou no terceiro ano de filosofia no seminário, então tome como leitura de estudante: o desprezo pelo comum é a tentação mais frequente aqui dentro. Quando você sentou para escrever isso, estava com raiva de quem?
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PermalinkNa minha igreja tem gente que nunca leu filosofia e passa a quarta à noite consertando cadeira e visitando irmão doente. Não sei se cultura é a medida disso que você chamou de essencial.
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PermalinkGostei muito da parte da possibilidade de ser santo, meu filho. Minha mãe morreu sem ler livro nenhum e eu vi santidade nela.
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PermalinkOs aurigas romanos tinham claque, alcunha e fortuna. Isto de endeusar quem entretém é bem mais velho do que julgas.
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PermalinkUma nota da minha área: as vidas de santos medievais circulavam como entretenimento popular, com milagre exagerado e pormenor escabroso a mais, porque era isso que prendia quem ouvia. Descrevo, não defendo.
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PermalinkVocê puxou pela palavra e ela ajuda mesmo: célebre vem de celebrar, e por séculos o calendário de santos foi a lista de quem o povo celebrava, com festa, comida e feriado no meio da semana.
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PermalinkO que descreves tem um mecanismo simples por baixo: falar de um cantor é barato, e falar de um santo obriga a pessoa a dizer o que faz da própria vida. Numa mesa com desconhecidos escolhe-se sempre a conversa que custa menos, e isso explica bem mais do que a ignorância explica. Notaste isto em alguém em concreto ou é uma impressão geral?
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PermalinkFaço visita domiciliar há vinte e dois anos, meu filho. A filha que cuida da mãe acamada não fala de santo nem de cantor, ela fala de fralda e de remédio que acabou. Na sua conta, ela fica de que lado?
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