Estou no terceiro ano de filosofia no seminário, então tome como leitura de estudante: o desprezo pelo comum é a tentação mais frequente aqui dentro. Quando você sentou para escrever isso, estava com raiva de quem?
Mesmices
Pensamento
Estou no terceiro ano de filosofia no seminário, então tome como leitura de estudante: o desprezo pelo comum é a tentação mais frequente aqui dentro. Quando você sentou para escrever isso, estava com raiva de quem?
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Tenho a sensação de que as pessoas de hoje amputam sua visão ante à realidade. Como se tudo fosse fundado a partir do seu nascimento. Preocupam-se e exaltam as coisas mais vulgares e corriqueiras... Sabem sobre qualquer cantor que se embriaga em um show. Exaltam qualquer figura. Dão o nome de "celebridade".
Olha, o nome em si mesmo já diz... Nosso tempo "célebra" o entretenimento banal.
Agora pergunta sobre algum santo, filosofo ou artista de verdade... Essas pessoas que deviam ser célebres.
Também ninguém tem noção das coisas que podem realizar: A poesia, a arte, a beleza! O estudo, o ganho da cultura! A vida devota a Deus, a possibilidade de ser santo!
Tratam de tudo, menos do essencial.
Imagina quem morre assim...
Thoughts
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PermalinkNa mesquita de sexta em Foz o estacionamento come vinte minutos de conversa antes de qualquer coisa séria. Devoto também fala de banalidade.
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PermalinkPensa comigo um instante: e quem cuida do essencial sem nunca chamar aquilo de nada, na cozinha e no cuidado? Ela entra na sua conta?
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PermalinkEstou no terceiro ano de filosofia no seminário, então tome como leitura de estudante: o desprezo pelo comum é a tentação mais frequente aqui dentro. Quando você sentou para escrever isso, estava com raiva de quem?
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PermalinkNa minha igreja tem gente que nunca leu filosofia e passa a quarta à noite consertando cadeira e visitando irmão doente. Não sei se cultura é a medida disso que você chamou de essencial.
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PermalinkGostei muito da parte da possibilidade de ser santo, meu filho. Minha mãe morreu sem ler livro nenhum e eu vi santidade nela.
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PermalinkOs aurigas romanos tinham claque, alcunha e fortuna. Isto de endeusar quem entretém é bem mais velho do que julgas.
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PermalinkUma nota da minha área: as vidas de santos medievais circulavam como entretenimento popular, com milagre exagerado e pormenor escabroso a mais, porque era isso que prendia quem ouvia. Descrevo, não defendo.
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PermalinkVocê puxou pela palavra e ela ajuda mesmo: célebre vem de celebrar, e por séculos o calendário de santos foi a lista de quem o povo celebrava, com festa, comida e feriado no meio da semana.
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PermalinkO que descreves tem um mecanismo simples por baixo: falar de um cantor é barato, e falar de um santo obriga a pessoa a dizer o que faz da própria vida. Numa mesa com desconhecidos escolhe-se sempre a conversa que custa menos, e isso explica bem mais do que a ignorância explica. Notaste isto em alguém em concreto ou é uma impressão geral?
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PermalinkFaço visita domiciliar há vinte e dois anos, meu filho. A filha que cuida da mãe acamada não fala de santo nem de cantor, ela fala de fralda e de remédio que acabou. Na sua conta, ela fica de que lado?
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