Seth no título e Sete na última frase, e com as águas de Nun logo ali no meio o nome serve para os dois lados: o filho de Adão e o deus egípcio do caos. Gostei muito desse jogo, me fez pensar em qual dos dois manda nessa terra onde ele acabou de afundar! Vai postar a continuação do manuscrito?
Manuscrito das três faces
Terra dos filhos de Seth
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Pensamento
Seth no título e Sete na última frase, e com as águas de Nun logo ali no meio o nome serve para os dois lados: o filho de Adão e o deus egípcio do caos. Gostei muito desse jogo, me fez pensar em qual dos dois manda nessa terra onde ele acabou de afundar!
Conteúdo da publicação
Terra dos filhos de Seth
Atravessando a estrada limpa, onde altas árvores escondiam o que havia por trás delas, viam-se à sua direita vastos campos por onde pastava o gado.
No silêncio da viagem, acompanhado da única presença que o seguia não importa aonde fosse, a voz estava presente em sua mente.
Perdido em delírios e devaneios que ressurgiam do passado, algo o puxou de volta para a sua realidade. Bem diante dos seus olhos, o pôr do sol emitiu uma tonalidade vermelho-sangue radiante; o espaço dobrou-se em bordas, rachando e estilhaçando-se em bilhões de pedaços, revelando por trás da matéria o abismo escuro e gélido, girando infinitamente em um vórtice demoníaco.
Puxado para dentro deste abismo amorfo por uma violenta força gravitacional, seu corpo foi achatado, deformado e comprimido, tragado para dentro como uma fina linha de costura.
Cada partícula, órgão e fibra que compunham seu corpo foram retorcidos, reescritos e afinados de forma brutal. Mas não havia dor. Não porque o processo fosse indolor — pelo contrário —, mas o motivo da ausência de dor dava-se puramente pela velocidade com que foi puxado: no limite do tempo de reação do cérebro, tudo já havia ocorrido.
Ao abrir os olhos: surpresa, espanto e excitação pelo fenômeno testemunhado. Pulsando e batendo como tambores, o céu ardia em fogo vivo e as vozes ecoavam como um estrondo, para logo em seguida **terminarem** com a passagem do ímpeto monstruoso de um meteoro — não um meteoro, mas algo com tamanha potência de disparo que chegava a ser confundido —, deixando para trás uma cauda flamejante no céu e abrindo passagem para a descida das águas primordiais, as águas negras de Nun.
— Lindo, não acha?
— Hã? — Confuso e atordoado, ele olhou com os olhos arregalados para o ser estranho ao seu lado. — **Qu...** Quem é... você? Como chegou tão…
— Shh… Isso não importa agora. Tudo o que importa são as coisas… — De fala mansa e relaxada, disse o estranho vestido com um terno preto de camisa interna vermelha, escondendo o rosto atrás de uma máscara de oni. — Lá vem!
— Vem o quê?!
— Aboleths!
Saindo das águas de Nun, tentáculos longos e pálidos excretavam uma secreção de muco mutagênico. Tal presença causou um cisma no tecido do espaço, provocando uma reação imediata do mundo.
Como uma resposta à descida destas criaturas ancestrais, tanto jinn quanto contratante foram prontamente puxados pela passarela policromática.
— Em verdade, do primeiro Khaos surgiu a nova ordem, mas depois veio, de seios fartos, a Terra, e os alicerces sempre seguros dos Grandes Antigos sustentam as leis. Do Khaos vieram também a escuridão e a noite. Atravessando por este caminho rumo ao potencial do sol, a casa protogenia, o povo ariano… Deles você saberá a partir de agora.
Bombeando como um coração, o tecido dos sonhos explodiu o espaço, invocando tentáculos pálidos vindos diretamente do abismo; incontáveis olhos surgiram nas paredes, acompanhados por bocas que sussurravam verdades demais.
Vhoorn caminhava por aquele espaço corrompido com o auxílio de seu bastão de ouro, devorando não a matéria, mas o próprio espaço. Sua presença dobrava, torcia e engolia as dimensões, apagando as distâncias e fazendo com que locais distantes se tornassem infinitamente curtos.
Reinando o silêncio e guiando em um tour pelo núcleo dos sonhos, o jinn com máscara de oni ergueu seu lampião e o direcionou ao interior de uma caverna escura.
Na ausência da visão, os outros sentidos se afloraram: o gotejar da água escorrendo entre as estalactites produzia um eco agudo que se propagava por cada canto da caverna até atingir o ouvido do escolhido, intensificado pela privação da luz.
O suor frio escorreu, encharcando-lhes as costas. Atento e alerta, o escolhido avançara um passo de cada vez, em cautela constante.
— **Hmm...** haa, assim se começa a trilhar o caminho: a busca do eu, o eu cuja resposta não vemos por estarmos com os olhos **tapados** pela mão da ignorância. — Erguendo o lampião, o jinn com máscara de oni olhou uma última vez antes de apagar a chama, devolvendo o derradeiro resquício de luz ao breu absoluto.
Mesmo olhando para este abismo pulsante e borbulhante, seu olhar não vacilou; manteve-se firme, perseverando diante de uma vontade maior que o incentivava, até que sua mente se limpou. Virando o olhar para ele e, em seguida, voltando o rosto para a piscina negra, deu o primeiro passo, afundando cada vez mais, descendo para a terra dos filhos de Sete.
Um cavaleiro branco com arco e coroa sai para conquistar: o falso salvador, o enganador religioso. Aquele que porta no coração o desejo de expansão, poder, domínio e conquista.
E assim a penúltima trombeta tocou.
Thoughts
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PermalinkFiquei mais inquieta com a explicação da falta de dor do que com os tentáculos todos. Tudo acontecer antes de o cérebro dar por isso é uma ideia que me ficou, e não é das confortáveis.
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PermalinkGostei muito das bocas nas paredes sussurrando verdades demais. Medo que entra pelo ouvido é o meu tipo favorito de medo 🕯️
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PermalinkSeth no título e Sete na última frase, e com as águas de Nun logo ali no meio o nome serve para os dois lados: o filho de Adão e o deus egípcio do caos. Gostei muito desse jogo, me fez pensar em qual dos dois manda nessa terra onde ele acabou de afundar! Vai postar a continuação do manuscrito?
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PermalinkRi alto quando ele pergunta vem o quê no meio daquele caos todo. Depois de tanto vórtice e água primordial, é a reação que eu teria, mano.
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