Cerimônia das chamas (2)
Liderando a frente desta procissão, a donzela sagrada caminhava em direção ao altar de pedra, carregando uma grande tocha acesa, contendo uma chama dourada viva que queimava vorazmente, deixando para trás uma língua flamejante dourada. Flanqueada pelo melhor que a tribo pôde nutrir, os doze maiores Daemons, os grandes antigos.
Diante da escadaria do templo, adornada por um longo tapete vermelho com entalhes em ouro, a donzela sagrada — o núcleo das tradições do culto divino — era uma mulher escolhida pelo próprio fogo sagrado, sendo a única pessoa em todo o culto a ter acesso frequente a ele.
Dirigindo-se ao centro do altar, a donzela sagrada exibia a dignidade de sua posição, vestida com um roupão cerimonial vermelho vibrante, ricamente bordado com fios de ouro, padrões de lótus e a imagem de uma garça voando. Adornando sua cabeça, uma coroa de ouro ornamentada com pedras preciosas.
Chegando ao centro do altar, havia um grande braseiro de ferro.
O alvoroço tomou conta da praça central conforme o amanhecer se aproximava; e apenas quando a luz do sol se revelou, e seus raios iluminaram suas faces, a cerimônia teve seu início. Tambores tocaram, ecoando alto como a erupção de vulcões.
Seguindo o ritmo, os doze anciãos saíram prontamente em duas fileiras, uma de cada lado:
Líder do conselho dos grandes antigos, Gilgamesh, ancestral da primeira das quatro famílias.
Segundo antigo, espada fantasma.
Terceiro antigo, rei da destruição, o instrutor dos campos de aprendizado.
Quarto antigo, Chernobog, deus negro.
Quinto antigo, espada sangue de ferro.
Sexto antigo, dragão do apocalipse.
Sétimo antigo, Mephisto, demônio das chamas.
Oitavo antigo, lança dos oito sóis.
Nono antigo, demônio da luz de prata.
Décimo antigo, senhor do vale das ilusões.
Décimo primeiro antigo, rei dos punhos.
Décimo segundo, lâmina ceifadora de almas.
Um sistema formado pelo primeiro imperador, Aeshma. Os grandes antigos que se apresentam à frente da tribo representam não apenas o ápice da força, mas o símbolo inquestionável de proeza e domínio absoluto do tao demoníaco, reconhecidos por seus longos cabelos negros como uma noite densa e olhos escuros como obsidiana.
A maior potência, hoje, seguia rumo aos seus postos.
Naquele momento, os tambores foram tocados pela segunda vez, seguidos logo atrás pelas trombetas.
Aproximando-se lentamente do braseiro, levantando a grande tocha até ele — ressaltando com a luz das chamas a abençoada e estonteante beleza da donzela sagrada —, ela o acendeu.
A chama dourada foi posta em seu interior, acendendo-se em uma grande labareda de fogo negro que tocava o céu.
A donzela sagrada assentiu com a cabeça, se virando para a multidão de crentes, gritando a plenos pulmões:
— O decreto do Demônio Celestial é inviolável! Recebam o Espírito Santo, filhos do demônio! Aqui, neste exato momento e hora, declaro a descida do espírito sagrado, encarnado no fogo: este corpo queima entre as chamas, sem apegos ou arrependimentos! Eliminando a ignorância, buscando a iluminação em Mara, deixando o pó das tristezas do coração nesta terra! — Quando ela começou a recitar a escritura sagrada, todos os Daemons reunidos, incluindo os doze antigos, entoaram o mantra com fervor.
O cântico se espalhou por todo o altar, erguendo seus braseiros, aumentando a temperatura, chegando a ser sufocante.
Reagindo à fé apaixonada de seus fiéis, as chamas negras se alastraram, e a energia demoníaca emanava do céu pintado pelas chamas.
— A chama brilhante que guia na escuridão desceu sobre o mundo. O Demônio Celestial é verdadeiramente Deus!
Centenas de membros estavam curvados em reverência, abençoados pelas chamas negras que começaram a cintilar e arder.
Entre a vasta multidão, uma figura destoava de todos os outros Daemons: uma criança de cabelos muito compridos, lisos e brancos ou loiro-platinados claros. Sua pele era quase completamente branca, com um tom meio fantasmagórico e albino. Seguindo o grande antigo Chernobog, a criança entoava os mantras sagrados em ressonância com os milhares de crentes:
— Somos os filhos da casa de Caim, trilhamos o caminho do coração, a trilha espinhosa onde os demônios dançam em meio à tempestade ardilosa da dificuldade do mundo cruel que renega estes teus filhos. Levantamo-nos diante de cada passo rumo ao lamento de almas perdidas, guiadas pela vontade do fogo sagrado que a todos nós guia:
Perante a luz divina e o fogo sagrado,
Curvamo-nos às chamas negras,
O Demônio Celestial, fonte primordial de toda a origem.
Sua luz guia nossos passos na penumbra;
Seu fogo purifica a mente e ilumina o espírito.
Soberano dos céus e dos demônios,
Em tua glória encontramos a verdade eterna.
Consumo o ego no fogo divino,
Liberto a alma do plano terreno.
Pela luz do venerável eu caminho,
No senhor me torno eterno.