Égua, essas perguntas que se sentam do teu lado nos dias difíceis ficaram rodando na minha cabeça a noite toda.
Eu sou esse caos todo
O caos dentro de mim começou a gritar.
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Pensamento
Égua, essas perguntas que se sentam do teu lado nos dias difíceis ficaram rodando na minha cabeça a noite toda.
Conteúdo da publicação
O caos que precisava sair
O caos dentro de mim começou a gritar.
Não era um grito que os outros pudessem ouvir. Não fazia barulho do lado de fora, não interrompia meus dias, não me impedia de sorrir quando alguém perguntava se estava tudo bem.
Era um grito silencioso.
Daqueles que acontecem por dentro enquanto, por fora, a vida continua como se nada estivesse acontecendo.
E talvez fosse justamente isso que mais me cansava.
Eu continuava.
Dia após dia.
Acordava, trabalhava, conversava, cumpria minhas responsabilidades, sorria quando precisava sorrir. Para quem me olhava de fora, eu apenas estava vivendo a minha vida normalmente.
Mas ninguém conseguia enxergar o que acontecia dentro de mim.
Havia um caos inteiro procurando uma brecha para sair.
Então comecei a procurar maneiras de colocá-lo para fora. Escrevia. Desenhava. Tentava transformar em palavras aquilo que nem eu sabia explicar. Como se cada frase escrita, cada traço sobre o papel, pudesse retirar de dentro de mim um pouco daquilo que já não cabia mais.
Até que, aos poucos, percebi que eu não precisava apenas colocar o caos para fora.
Eu precisava olhá-lo.
Precisava parar diante de mim mesma e enxergar aquilo que durante tanto tempo tentei ignorar.
Porque, dentro de mim, minhas emoções haviam se misturado aos meus pensamentos.
Problemas que precisavam ser resolvidos.
Preocupações que pareciam não ter fim.
Lembranças que eu queria esquecer, mas que insistiam em voltar.
Medos que eu não sabia nomear.
Inseguranças que aprendi a esconder tão bem que, por algum tempo, até eu mesma esqueci que elas existiam.
Tudo se cruzava.
Tudo se confundia.
E quanto mais eu tentava encontrar uma saída, mais parecia me perder dentro de mim.
Foi então que percebi a névoa.
Aquela névoa que durante tanto tempo esteve diante dos meus olhos não era apenas confusão.
Era tristeza.
Era medo.
Era insegurança.
Era ansiedade.
Eram sentimentos que eu havia empurrado para lugares escondidos, acreditando que, se não falasse sobre eles, talvez desaparecessem.
Mas sentimentos guardados não desaparecem.
Eles apenas aprendem a gritar mais baixo.
E havia também as perguntas.
Ah, aquelas perguntas...
E se?
E se eu tivesse feito diferente?
Será que escolhi certo?
E se eu tivesse falado?
E se eu tivesse ficado?
E se eu tivesse ido?
E se tivesse sido diferente?
Durante muito tempo, vivi acompanhada por esses “e se”.
Eles se sentavam ao meu lado nos dias difíceis, caminhavam comigo pelas lembranças e, algumas noites, pareciam conhecer exatamente os lugares onde ainda doía.
Até que um dia compreendi uma coisa:
eu não precisava responder a todas aquelas perguntas para continuar vivendo.
Algumas perguntas pertenciam ao passado.
Algumas respostas eu jamais teria.
E algumas coisas simplesmente não poderiam ser mudadas.
Eu poderia passar o resto da minha vida tentando voltar para lugares onde já não existia caminho ou poderia escolher seguir adiante, mesmo sem saber exatamente onde aquela estrada terminaria.
Foi quando entendi que permanecer de pé não significava não sentir.
Eu podia sentir medo e continuar.
Podia sentir tristeza e continuar.
Podia não ter todas as respostas e continuar.
Podia admitir que estava cansada.
Podia, finalmente, parar de tentar carregar o mundo inteiro sobre os meus ombros.
Porque talvez eu nunca tivesse precisado ser forte o tempo todo.
Talvez eu apenas precisasse ser verdadeira comigo mesma.
E, pela primeira vez, em vez de perguntar “como faço para acabar com esse caos?”, comecei a perguntar:
“O que esse caos está tentando me dizer?”
E foi ali que alguma coisa começou a mudar.
Eu não precisava destruir aquilo que sentia.
Precisava compreender.
Precisava acolher as partes de mim que passei tanto tempo tentando esconder.
Precisava permitir que algumas lágrimas caíssem sem transformá-las em vergonha.
Precisava aceitar que havia coisas que ainda doíam.
E, principalmente, precisava entender que seguir em frente não significava esquecer o que aconteceu.
Significava não permitir que aquilo continuasse decidindo para onde eu iria.
Então, pouco a pouco, comecei a respirar.
Não porque o caos havia desaparecido.
Mas porque eu já não estava fugindo dele.
Ainda havia linhas cruzadas dentro de mim.
Ainda havia lembranças.
Ainda havia medo.
Ainda havia perguntas.
Mas, no meio de tudo aquilo, comecei a encontrar pequenos espaços de silêncio.
E, pela primeira vez, aquele silêncio não me assustou.
Ele me ensinou a parar.
A olhar para mim.
A reconhecer quem eu era.
E a entender que eu não precisava dar conta de tudo para merecer continuar.
Eu só precisava permitir que, depois de tantos anos tentando sobreviver ao caos, eu finalmente pudesse aprender a viver.
E talvez fosse esse o começo da minha cura:
não quando o caos deixou de existir,
mas quando eu descobri que ele já não precisava mais comandar a minha vida.
Thoughts
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PermalinkParar de fugir e olhar o caos de frente é o que mais custa. E fica mais leve quando tem alguém do lado pra dividir o peso!
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PermalinkTrocar a pergunta de como acabar com o caos pela do que ele está tentando dizer é o salto que muita gente leva anos pra dar. Aposto que esse texto vai servir de porta pra alguém aqui que ainda está gritando por dentro sem ninguém ouvir. Obrigado por trazer isso pra cá, de verdade! :)
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PermalinkÉgua, essas perguntas que se sentam do teu lado nos dias difíceis ficaram rodando na minha cabeça a noite toda.
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