Desconfio que a vida externa nos treina pra vida interna. Um pequeno ensaio.
A gente espera um documento, um processo, uma resposta, um resultado. Não adianta forçar. Nem vigiar o relógio. Existem etapas, atrasos, imprevistos. Às vezes dá certo, às vezes não. Mas sempre termina.
O interno não muda nada. A gente é que escolhe não ver. Nas relações, na escolha de si, no afastar, no ficar. É tudo um processo. O tempo de tudo se ajustar. Tempo de ver o movimento real das coisas, sem empurrar, sem sustentar sozinho.
Não somos apenas pessoas. Somos espaço, atravessamento, ciclo, pausa. E por isso que se forçar, querer sabotar o tempo, a dor é certa. A vida não responde à urgência, responde ao ritmo, às escolhas.
E escolhas muitas vezes não são fáceis, as consequências também não. Mas o tempo — esse que comanda tudo — é um verdadeiro justiceiro.
Hoje, consigo ver um pouco do que sou. Me entendo como universo também. Demorou um tempo. É que eu preferia admirar os universos por aí e esquecia que também sou um.
Texto autoral: @s_escarceu