Nos últimos dias, uma sequência de acontecimentos extremos em diferentes partes do planeta tem chamado atenção. Incêndios de grandes proporções na Indonésia, atividade vulcânica, chuvas intensas e alagamentos no Japão, inundações na China, furacões e tempestades no Pacífico, condições perigosas no litoral dos Estados Unidos e até o colapso de uma geleira entre o Nepal e o Tibete.
E aqui no Brasil, especialmente na Amazônia, também estamos vivendo nossos próprios sinais de alerta. Manaus voltou a enfrentar fumaça e um aumento expressivo nos registros de incêndios florestais.
Quando vemos tantas situações acontecendo próximas umas das outras, é natural perguntar se existe alguma relação entre elas. Mas é justamente aí que precisamos ter cuidado. Nem tudo possui a mesma causa. Um vulcão, uma enchente, um furacão e um incêndio florestal são fenômenos diferentes e precisam ser analisados separadamente.
Ao mesmo tempo, eu acho que seria um erro olhar para tudo isso e simplesmente dizer que não significa nada.
O planeta sempre teve eventos extremos, mas nós também mudamos a forma como ocupamos o planeta. Construímos cidades em áreas vulneráveis, destruímos florestas, alteramos ecossistemas e criamos sociedades extremamente dependentes de uma infraestrutura que muitas vezes não está preparada para situações fora do padrão.
E existe ainda a questão das mudanças climáticas, que não pode ser tratada nem com negacionismo, nem com pânico. O que importa é observar os dados, comparar períodos, entender as tendências e descobrir onde os riscos estão realmente aumentando.
Para mim, a pergunta mais interessante não é se o mundo está acabando. Eu não acho que esteja.
A pergunta é se nós estamos preparados para um mundo que pode nos exigir cada vez mais capacidade de adaptação.
Porque uma chuva extrema não precisa necessariamente virar uma tragédia. Uma cidade preparada consegue responder melhor. Um incêndio pode ser combatido antes de alcançar grandes proporções quando existe prevenção. Uma população bem informada consegue reagir mais rápido.
No fim, talvez o maior alerta não esteja apenas nos fenômenos que estamos vendo, mas na nossa capacidade de lidar com eles.
Não precisamos entrar em pânico. Precisamos prestar atenção.
Precisamos de ciência, planejamento, prevenção, responsabilidade ambiental e, principalmente, de menos indiferença.
Porque a natureza não precisa seguir aquilo que é confortável para nós.
Nós é que precisamos aprender a estar preparados.