Blusa?
Minha blusa favorita rasgou. Agora não posso mais vesti-la.
Se eu tivesse tido mais cuidado, talvez ela ainda estivesse inteira. Ela tinha um vermelho tão vivo que nem o pior vinho seria capaz de manchá-la.
E, no fim, uma mancha teria sido o menor dos males. Manchas a gente lava, esconde, até esquece.
O rasgo, não.
Ele permanece ali, escancarando um vazio onde antes só havia cor e calor.
Podem existir outras blusas vermelhas por aí. Muitas, talvez. Mas todas parecem desbotadas — nenhuma carrega a mesma vida.
Essa é a pior ironia: às vezes, o destino nem precisa se dar ao trabalho de nos tirar algo. Ele só precisa esperar que nossas próprias mãos façam o serviço.