Todos os dias, enquanto sobrevivo no meu dia, fico pensando: como seria se realmente pudéssemos viver?
Realmente viver, como deveria ser, como dá o sentido da palavra. O sinônimo de alegria, de calmaria que era para ser. Alguns realmente vivem, se entopem de tanta vida garantida, tanto que não se importam e nem pensam que essa vida não é garantia certa para todo o planeta.
Sonho acordada com uma vida sem alarmes de destruição, sem o sangue invisível que cai no chão a todo tempo, sem essa divisão definida em algum momento, sem a falsa escolha que nos é ensinada como doutrina.
A vida como deveria ser.
A vida é um ecossistema de números, que definem quem tem o falso poder. Números cada vez maiores, inimagináveis, mais um sopro de poder. Números que matam a fome das almas vazias que precisam se mostrar para se sentir menos vazias, a velha sensação de ser alguma coisa no meio do vasto nada que é isso tudo.
Marte, mais uma descoberta, um lindo planeta que estava em paz. Mas virou objeto desse pertencimento que os números carregam. O poder momentâneo.
A Terra, cheia de histórias, está há tanto tempo que já nem se calcula mais. Mais uma vez, presencia essa guerra de egos que destrói cada vez mais. Eu não tenho medo do mundo acabar, tenho medo de morrer depois de tanto tempo desejando viver, sendo obrigada a pertencer a esses instantes pertencentes à ganância e ao ego de almas vazias.
Os números seguem ocupando cada espaço descoberto. Afinal, o amanhã sempre é garantido, a morte se esconde admirando isso tudo, talvez. Tanto vazio que apaga a memória, ele os cega. Ou será que eles desconfiam que a morte esconde rios de ouro? Esse grande material de valor nomeado por eles mesmos.
Viver só é impossível e complicado por causa deles mesmos, de nós e de outros. O mundo, a vida, tudo é tão caótico por uma simples enganação. Os números são a prova de quem quer se mostrar maior, mesmo sabendo que, em um dia qualquer, irá desaparecer. Os números? Continuarão sendo a vitrine desse falso poder na Terra.
A vitrine que divide cada um, que destrói cada vez mais cada espaço descoberto na Terra.
E pra quê isso tudo? Bem, a morte provavelmente esconda ouro na sua imensidão.
Por isso que admiro e invejo o espaço. Ele segue com sua beleza e tapeia a cara desses que se acham sábios e poderosos demais.
Texto autoral