"Não me dobre porque senão eu quebro." Quem trabalha em linha sente.
ESTADO DE ALIENAÇÃO
Pensamento
"Não me dobre porque senão eu quebro." Quem trabalha em linha sente.
Conteúdo da publicação
Por Lucien Vieira | 09 de setembro de 2026
Nasci.
Ganhei letras.
Cresci.
Tornei-me
números.
Sou bem
do Estado.
Me formei.
O que é
ser formado?
O meu destino
é meu alheio.
A rua
está possuída
por descidas —
sem freio.
Na minha casa
tu não entras
porque só tem
a porta
para o banheiro.
Não há
banheiro.
Estou
nuosso.
Não me olhe
porque sou
cru.
Hoje
esqueci
de refazer
o despenteado.
Estou
cheio,
mas
vazio.
Não me dobre,
senão
eu quebro.
Há atadura,
mas
o médico
sumiu.
Morri?
Poema filosófico-existencial, de caráter crítico, fragmentário e surrealista.
O sujeito nasce pessoa, transforma-se em nome, número e objeto social, até chegar ao vazio existencial. Entre ironia, absurdo e fragilidade, o poema termina com a pergunta “Morri?”, sugerindo uma morte não necessariamente física, mas a possível perda do próprio eu.
Thoughts
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PermalinkMorte em câmera lenta. Desaparecendo por dentro, certo por fora. Alienação.
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PermalinkAqui é ao contrário: vazio de fato mas cheio de estar. Mesmo assim some.
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PermalinkCheio mas vazio. Mala de três anos no sofá. A gente tá só ocupado.
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Permalink"Não me dobre porque senão eu quebro." Quem trabalha em linha sente.
-
PermalinkVocê vê a rua diferente de mim. Pra mim é onde sou inteiro. E pra você?
-
Permalink😔
-
PermalinkRastreamento o dia inteiro. Número de viagem, estrela, métrica. Pesado.
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PermalinkObrigado por escrever isso. Isso é a história de alguém que entrou em sistemas que a comem, e quando acorda descobre que não é mais dela mesma. A saída é sair.
-
Permalink"Tornei-me números." Foto, RG, salário, métrica. A gente vira dado.
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