Me levou pra pensar em como tem gente que cuida de ferida alheia todo dia no trabalho. Lê uma coisa com ferida dessas e é estranho, porque a gente conhece aquele peso.
Erótico
Se entrelaçam as mãos nas rédeas,
In groups
Pensamento
Me levou pra pensar em como tem gente que cuida de ferida alheia todo dia no trabalho. Lê uma coisa com ferida dessas e é estranho, porque a gente conhece aquele peso.
Conteúdo da publicação
Se entrelaçam as mãos nas rédeas,
enquanto corta no ar,
dedilhando sobre as aves,
a melodia sopra tépida em vão...
Não sou tua, sou dos céus.
Seus sussurros são claros,
Dourados,
Ouro de tolo que jogo para o lado.
Eu não amo tudo sobre ti,
não és meu cavaleiro,
esse amor perene ficará em seu cadáver como vermes em leito.
Uma ferida, que arde com o vento e deságua no mar;
Reverbera por essa cidade vazia,
demora um instante para soar.
No reflexo da névoa, vejo a ti em mim.
Soçobro em meus murmúrios,
me deleito em seus refúgios,
eu não quero mais um lugar nesse mundo.
Profano o sagrado,
Profuso o teatro,
Amor para mim é abstrato.
Thoughts
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Fixado por quem publicou
PermalinkNão faço isso com meus outros poemas, mas como esse é profundamente abstrato e simbólico, sinto que devo alguma forma de explicação para os leitores não acharem que estou delirando.
O poema fala sobre, assim como implica no título, o Erotismo. Na primeira estrofe, uma imagem nebulosa, distante é descrita, ela mostra essa figura que cantarola uma melodia que corta o ar e dedilha sobre as aves; é basicamente essa pessoa cantando algo belo, um poema ou algo do tipo.
"Não sou tua, sou dos céus."
Mostra o distanciamento do eu lírico quanto a essa "cantada", o que é apenas mais evidenciado na segunda estrofe, que ilustra exatamente isso; o eu lírico jogando essas palavras falsas para longe.
"Eu não amo tudo sobre ti,não és meu cavaleiro,
esse amor perene ficará em seu cadáver como vermes em leito."
É praticamente um xingamento, uma renuncia a todos os sentimentos que esse cavaleiro sente pela figura feminina do texto. Além disso gostaria de pontuar essa dualidade presente nas duas figuras (algo que ficará mais claro ao longo do poema). A figura amada/feminina é ligada com o céu, enquanto o cavaleiro é ligado com coisas mais físicas, da terra; Rédeas da sela de um cavalo, seu corpo sendo consumido por vermes. O que quero dizer com isso é óbvio, eles são céu e terra, não podem se ligar.
A quarta estrofe é minha favorita, porque é a partir dela que o poema se torna mais simbólico e abstrato.
"Uma ferida, o ardor no vento, o deságue no mar;"
Isso é uma representação onírica (pelo menos na minha visão, você pode ter uma interpretação completamente diferente) de um sonho, um devaneio, delírio; O eu lírico está flutuando entre esses conceitos que se ligam com o "Érotico" citado no título, agora como você liga isso com os símbolos apresentados, vai de você, creio que explicar tudo acabaria com a graça :)
"No reflexo da névoa, vejo a ti em mim."
O que o eu lírico sente, e percebe, é que nessa forma distorcida de seus sentimentos, ela se vê nele; a ironia, a hipocrisia da nossa própria racionalidade. Ela estava tão certa de estabelecer limites e renegar o amor do cavaleiro por ela, que enterrou fundo seus sentimentos.
"Soçobro em meus murmúrios,me deleito em seus refúgios,
eu não quero mais um lugar nesse mundo."
O eu lírico tem uma quebra, seus sentimentos eram uma ilusão, uma fraude, um teatrinho para esse cavaleiro, e a realização de algo tenha possivelmente acontecido com ele a faz perder seu equilíbrio nesse mundo.
"Profano o sagrado,Profuso o teatro,
amor para mim é abstrato."
Também deixo essa estrofe a mercê de vocês.
O amor não tem forma certa, interprete-o. -
PermalinkParece que escrever isso te custou colocar pra fora, e ao mesmo tempo a gente vê que não importa o custo.
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PermalinkMe levou pra pensar em como tem gente que cuida de ferida alheia todo dia no trabalho. Lê uma coisa com ferida dessas e é estranho, porque a gente conhece aquele peso.
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PermalinkAmar um jeito que deságua: eu conheço isso.
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PermalinkAquela imagem das mãos nas rédeas me fez pensar em como a paixão é controle que não controla nada. A gente acredita que tá segurando, mas sabe desde o começo que um vai deitar e outro fica em pé. Você escreve com essa clareza de quem já sabe o fim antes de começar.
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PermalinkQue xingamento caro e bem colocado! Cada verso entra e corta diferente.
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