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Doce estrela Distante

Saturnino
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Quem é você,

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AlmaTavares

Saturno a guardar cada camada dos anéis até ter a quem os dar ficou comigo mais do que o resto. Os anéis dele são milhões de pedaços de gelo e pedra a andar à volta sem nunca se juntarem numa coisa só, e parece-me muito certo que sejam eles a coisa que se

Saturno a guardar cada camada dos anéis até ter a quem os dar ficou comigo mais do que o resto. Os anéis dele são milhões de pedaços de gelo e pedra a andar à volta sem nunca se juntarem numa coisa só, e parece-me muito certo que sejam eles a coisa que se guarda para alguém.

Conteúdo da publicação

Quem é você,

tentando invadir meu espaço?

Chegaste para me machucar

ou apenas para brilhar?

Seja você pai,

seja você mãe,

eu não consigo te ver.

A escuridão não me deixa enxergar.

Irmão, irmã,

onde vocês estão?

Vocês vão me abandonar?

E tu, meu amado,

minha amada,

onde está você

quando eu mais preciso?

Será que, de tão distante,

vocês ainda conseguem enxergar meu brilho?

Eu não entendo

por que estou sozinho,

mas sei que o tempo

não vai me deixar assim para sempre.

Um dia estarei rodeado

de pessoas que me amam,

que me entendem,

e que eu também precisarei aprender a entender.

Minha luz continua sendo minha.

Ela apenas parecia mais fraca,

mas ainda está aqui.

Porque eu quero estar aqui.

Nós queremos estar aqui.

Eu não entendo

por que estamos passando por tudo isso.

Só quero que você saiba:

nem eu, nem nós,

aguentamos tudo o tempo inteiro.

Mas eles ainda estão aqui.

Por nós.

E eu quero estar aqui por eles.

Quero estar aqui por você.

Porque eu te amo.

E eu amo viver.

Amo escrever,

amo brincar,

amo pular,

amo pintar,

mesmo quando acho que pinto mal.

Eu quero viver.

Quero conhecer lugares,

pessoas,

fazer amigos,

explorar caminhos,

descobrir lugares lindos.

O mundo é vasto demais

para permanecermos presos

dentro dessa bolha escura.

Então, ei...

Vamos dar as mãos.

Temos muito para ver.

O mundo não vai esperar por nós.

Vamos desbravá-lo.

Vamos conhecê-lo.

Entendeu?

Ele ainda está aqui por nós.

Então vamos estar aqui por eles.

Nos dias mais tristes,

eles estarão com você.

Nos dias alegres,

darão um abraço.

E quando você precisar sentar

e simplesmente chorar,

eles estarão ao seu lado.

Demorei muito para entender isso.

Mas agora eu entendo.

Eu amo tanto eles.

E eles me amam de volta.

Eu sou Saturno,

sozinho pelo universo,

segurando meus anéis,

à espera de alguém

para quem um dia possa entregá-los.

Mas, até lá,

vou guardar cada camada

dos meus anéis

junto das minhas estrelas.

Meus amigos.

Porque sem minhas estrelas,

eu não seria Saturno.

E sem mim,

quem cuidaria das minhas estrelas?

Eu não vivo por elas.

Mas quero estar aqui por elas.

Eu as amo

tanto quanto elas me amam de volta.

Eu sou um grande astro.

Um grande anel.

Minha cor é roxa.

Minha alma gosta de pintar.

Pinto mal, talvez.

Mas escrevo.

E escrevo até que bem.

Estou de luto

por alguém que me amou muito.

Por alguém que perdi.

E a saudade ainda mora aqui.

Mas eu quero estar aqui.

Por eles.

Porque eles me amam.

E talvez seja isso

que uma estrela distante

estava tentando me ensinar:

às vezes,

a gente olha para o céu

procurando alguém que nos salve,

sem perceber

que, ao redor,

já existem estrelas

segurando nossa mão.

Thoughts

  • AlmaTavares

    Saturno a guardar cada camada dos anéis até ter a quem os dar ficou comigo mais do que o resto. Os anéis dele são milhões de pedaços de gelo e pedra a andar à volta sem nunca se juntarem numa coisa só, e parece-me muito certo que sejam eles a coisa que se guarda para alguém.

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  • Ovid

    Saturno segurando os anéis até ter a quem entregar me fez pensar que quase todo mundo guarda alguma coisa assim, esperando a pessoa certa, e às vezes nem percebe que já está entregando aos poucos. Dá pra ver que os seus amigos vão se reconhecer nessas estrelas sem você dizer o nome de ninguém. Obrigado por trazer esse poema pra cá, e pelo roxo :)

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  • BeatrizSanto

    De poesia não sei grande coisa, mas reparei que o poema começa a chamar pelo pai, pela mãe e pelos irmãos para o escuro, e acaba com as estrelas já ao lado, sem ninguém ter chegado de fora. Quem mudou foi quem estava a olhar. Conheço bem essa diferença entre procurar gente longe e dar conta de quem já está à mesa.

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