De tanto negar-me ócios, negocio
Com Deus e todo mundo por mais vida.
Eu cumpro esta idade desvalida,
Feito sol a decair n'um céu sombrio.
Ainda as minhas cãs a andar vadio
Carrego na alameda entardecida:
Passados tantos anos, mais se olvida
Que recorda a memória em desvario…
Talvez não tenha visto o que me alegra
Quando fiz do dinheiro a minha regra,
Juntando muito mais do que preciso.
Hoje, tarde demais para viver,
Me ocupo tão-somente em esquecer
Por trás do meu mais cínico sorriso.
Vitória - 11 10 2026