O QUE RESTA QUANDO AS CERTEZAS VIRAM CINZA?
Árias passou a vida registrando o mundo. Era tabelião. Carimbava, assinava, autenticava. Dava às coisas a aparência de permanência. Até o dia em que assinou um documento falso. Não por engano. Por escolha. E descobriu algo que nenhum livro havia lhe ensinado: a verdade não tinha poder. O selo tinha.
Kael passou a vida fazendo o contrário. Contava. Guardava. Inventariava. Sabia quanto existia de quase tudo. Mas havia coisas que nenhum estoque conseguia preservar.
Por motivos diferentes, os dois abandonam a cidade. Não como heróis. Como homens que já não conseguem continuar vivendo dentro daquilo que ajudaram a construir.