a gente tb é assim. dez anos e nenhum plano permanente. a vida muda a gente se muda junto e pronto
Carta para Ingrid Tanus: Porque “nada está escrito em pedras”.
Pensamento
a gente tb é assim. dez anos e nenhum plano permanente. a vida muda a gente se muda junto e pronto
Conteúdo da publicação
Eu aprendi com você uma frase que, de algum jeito, acabou virando uma pequena filosofia de vida para mim:
“Nada está escrito em pedras.”
Você usa essa frase para justificar, com a maior naturalidade do mundo, todas as vezes em que fez um plano, jurou que era aquilo, organizou a vida em torno dele e, no meio do caminho, simplesmente decidiu mudar.
E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas que aprendi observando você.
Você me ensinou que mudar de ideia não é necessariamente desistir. Às vezes é só prestar atenção na vida e perceber que ela está apontando para outro lugar.
Você tem uma fome de mundo que eu admiro profundamente.
Uma fome de viagens, de histórias, de pessoas, de amores, de amigos, de lugares que ainda não conhece e de experiências que talvez nem saiba nomear.
Você tem esse “bora?” que nunca é exatamente uma pergunta.
É quase uma convocação.
— Bora?
— Boraaaaaa!
E pronto. Já existe um plano.
Pode ser um café, um almoço, uma praia, uma serra, uma viagem, um treino, uma aula de forró ou qualquer coisa que tenha uma pequena possibilidade de virar uma boa história.
Você tem pânico de ficar em casa.
Eu, ao contrário, tenho uma intimidade quase suspeita com as minhas quatro paredes.
Talvez por isso nossa amizade seja tão bonita.
Você me puxa para fora.
Eu, de alguma maneira, talvez te lembre que também existe beleza em ficar.
E seguimos assim, uma arrastando a outra para um pedaço diferente da vida.
Mas existe uma coisa em você que talvez eu admire ainda mais do que essa sua vontade quase insaciável de viver: a maneira como você compartilha as pessoas.
Você abre a porta das suas amizades e simplesmente nos coloca para dentro.
Sem cerimônia.
Sem aquela necessidade estranha que algumas pessoas têm de guardar vínculos como propriedade privada.
É como se você dissesse:
“Esses são os meus amigos. Mas agora também podem ser seus.”
E isso diz muito sobre quem você é.
Você não parece acreditar que afeto diminui quando é dividido.
Pelo contrário.
Você faz caber mais gente.
E talvez seja por isso que, perto de você, eu tenha aprendido tanto sobre sororidade.
Sobre mulheres que não competem pela luz, mas ajudam umas às outras a acender a própria.
Sobre celebrar a conquista da outra sem procurar imediatamente uma comparação.
Sobre estar.
Sobre incentivar.
Sobre dizer “vai” quando a outra está com medo.
Sobre dizer “eu vou com você” quando o medo é grande demais para ir sozinha.
Você tem essa capacidade bonita de transformar amizade em rede.
E eu tenho muita honra de fazer parte dela.
Nossa amizade também tem uma coisa que eu amo: ela não precisa se provar o tempo inteiro.
Ela já foi testada pelos anos.
Já atravessou fases, mudanças, distâncias, silêncios, versões diferentes de nós duas.
E ainda assim permanece.
Despretensiosa.
Sem contrato.
Sem obrigação de ser perfeita.
Uma amizade que simplesmente continua.
Você já me viu atravessar tantos verões.
E eu também já vi você atravessar os seus.
Vi versões suas chegando, indo embora, mudando de ideia, fazendo planos, desfazendo planos e inventando outros no lugar.
E talvez essa seja a beleza de conhecer alguém há tanto tempo:
a gente deixa de conhecer apenas uma pessoa e passa a conhecer também as suas versões.
Eu conheço algumas das suas.
E você conhece algumas das minhas.
E, mesmo assim, ainda existe curiosidade.
Ainda existe assunto.
Ainda existe convite.
Ainda existe um:
“Bora?”
E isso, Ingrid, é uma das formas mais bonitas de amor que a vida me deu.
Porque amizade, para mim, também é isso:
ter alguém que conhece algumas das nossas histórias e, mesmo assim, continua interessada nos próximos capítulos.
Por isso, se um dia você mudar de plano de novo — e eu sei que vai —, mudar de cidade, inventar uma viagem, começar uma coisa completamente inesperada, se apaixonar por alguém, deixar de amar, descobrir um novo lugar, aprender uma dança ou simplesmente aparecer numa terça-feira com mais uma ideia absurda...
Eu provavelmente vou perguntar:
“Quando?”
Porque você me ensinou que nada está escrito em pedras.
E talvez, no fundo, seja justamente isso que torna a vida tão bonita.
Ela pode mudar.
Nós podemos mudar.
Os planos podem mudar.
Mas algumas pessoas permanecem.
E você é uma dessas pessoas que eu espero levar comigo por muitos e muitos verões ainda.
Com ou sem plano.
Mas, de preferência, com algum rolê marcado.
Porque eu já conheço você.
Daqui a pouco chega uma mensagem:
“Amiga, bora?”
E eu já sei que a resposta, de algum jeito, sempre foi:
Boraaaaaa! Mesmo que eu decida não ir.
Thoughts
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Permalinktem gente que te conhece há tanto tempo que deixa de ser pergunta. você aparece, ela já sabe quem você é essa semana. ninguém precisa explicar nada, ninguém precisa se provar
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Permalinkconheço versões minhas que ela nunca viu - desapareço catorze dias no mar. ela sabe coisas minhas que eu só descubro pelo telefone. é confuso mas bonito
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Permalinkjantares de quinta há nove anos, sempre. é estranho mas é verdade - essa amizade não precisa se provar o tempo inteiro
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Permalinksoa como você precisa dela pra te lembrar que existe fora do sofá quando o bebe tá dormindo
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Permalinkquando você diz não pro 'bora' dela, qual é o jeito dela de lidar? porque tem gente que não aceita não
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Permalinkessas pessoas que a gente leva no tempo - elas não me deixam esquecer quem era antes de tudo virar do avesso
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Permalinka gente tb é assim. dez anos e nenhum plano permanente. a vida muda a gente se muda junto e pronto
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Permalinkmeu amigo a gente sai pra tomar café e volta pra casa com um plano de viagem marcado pra semana que vem
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