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Capitulo 5 - A Resposta

AllyneMaia
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Por alguns segundos, nenhum de nós disse nada.

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Pensamento

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conto84

Li de novo hoje cedo e reparei que quem põe a criança no colo dela é a mãe dele. Desde o capítulo 2 eu esperava esse pedido de perdão, só achava que ele é que ia falar primeiro.

Li de novo hoje cedo e reparei que quem põe a criança no colo dela é a mãe dele. Desde o capítulo 2 eu esperava esse pedido de perdão, só achava que ele é que ia falar primeiro.

Conteúdo da publicação

Por alguns segundos, nenhum de nós disse nada.

Eu sabia que aquele momento chegaria.

Durante anos, imaginei como seria contar tudo o que havia ficado preso dentro de mim. Em alguns momentos pensei que seria fácil. Em outros, achei que jamais teria coragem.

Mas agora ele estava ali.

Sentado diante de mim.

E eu finalmente poderia falar.

Respirei fundo.

— Eu não sei como começar...

Minha voz saiu mais baixa do que eu esperava.

Olhei para ele.

— Mas de uma coisa eu sei: preciso começar te pedindo perdão.

Ele permaneceu em silêncio.

Então continuei.

— Eu fui imatura naquela época. Muitas vezes agi como uma menina mimada. Fiz escolhas que hoje, olhando para trás, consigo entender que machucaram não só você, mas também a mim.

Parei por um instante.

Era difícil admitir.

Mas eu não queria mais esconder nada.

— Eu estava completamente apaixonada por você.

Dizer aquilo em voz alta, depois de tantos anos, parecia estranho.

Como se eu estivesse confessando algo que já deveria ter deixado para trás.

— E talvez justamente por estar tão apaixonada, eu tenha criado um escudo ao meu redor.

Baixei os olhos.

— Eu me envolvi com outra pessoa porque, naquele momento, ela me transmitia uma segurança que eu não sentia vindo de você.

Respirei fundo.

— Não estou dizendo isso para justificar o que fiz. Eu sei que errei. Só quero que você entenda por que, naquela época, tomei aquela decisão.

Ele continuava me ouvindo.

Sem interromper.

E aquilo me dava coragem para continuar.

— Mas eu me arrependi muitas vezes.

Minha voz falhou.

— Chorei por muitas noites.

Abaixei a cabeça por alguns segundos.

— Principalmente quando percebi que você estava seguindo em frente.

Depois que aquela relação terminou, uma parte de mim continuou imaginando como poderia ter sido a nossa história.

Como seria se nós tivéssemos escolhido ficar juntos.

Como seria o nosso futuro.

Eu imaginava possibilidades que nunca existiram.

Criava vidas que só existiam dentro da minha cabeça.

Até que você realmente decidiu seguir em frente.

E então veio o casamento.

Naquele momento, eu entendi que precisava parar.

Precisava esquecer.

Precisava tirar você do meu coração e da minha mente.

Lembro até hoje da última mensagem que te mandei.

Era uma semana antes do seu casamento.

Eu te desejei felicidade.

E, naquele mesmo dia, tomei uma decisão.

Excluí você das minhas redes sociais.

Eu não queria mais ver suas publicações.

Não queria acompanhar sua vida.

Não queria descobrir coisas que pudessem me fazer sentir novamente.

Eu queria me proteger.

Queria finalmente conseguir seguir em frente.

Mas parecia que a vida ainda tinha uma última coisa para me mostrar.

Eu continuava seguindo seu irmão.

E, no dia do seu casamento, vi as fotos que ele publicou.

Fiquei olhando para aquelas imagens por alguns segundos.

E senti uma dor que eu não esperava mais sentir.

Durante o dia, me segurei.

Fingi que estava tudo bem.

Segui minha rotina.

Mas quando a noite chegou, as lágrimas vieram.

Chorei.

Talvez pela última vez.

Porque naquele dia eu entendi que precisava aceitar que você havia escolhido outro caminho.

E, depois daquela noite, decidi que não choraria mais por você.

Decidi viver.

E vivi.

Até que, anos depois, nós nos encontramos novamente.

Você estava com sua mãe.

E com sua filha.

Sua mãe me perguntou se eu queria segurá-la.

Eu não sabia o que responder.

Mas aceitei.

Peguei aquela criança nos braços.

E naquele instante algo dentro de mim voltou a doer.

Depois de tantos anos, uma pergunta que eu acreditava estar enterrada voltou.

E se?

E se tivesse sido diferente?

E se tivéssemos ficado juntos?

E se aquela criança estivesse nos meus braços porque fosse nossa?

Por alguns minutos, imaginei uma história que nunca existiu.

Mas então olhei para ela.

Tão pequena.

Tão inocente.

E pensei em tudo o que eu conhecia sobre a vida.

Eu cresci sem meu pai.

E talvez por isso aquela criança tenha me feito enxergar as coisas de uma maneira diferente.

Ela precisava de segurança.

Precisava de amor.

Precisava de uma família.

E eu não queria que uma criança inocente carregasse as consequências das escolhas dos adultos.

Foi naquele momento que alguma coisa dentro de mim finalmente desistiu.

Não de amar.

Mas de esperar.

Desisti de você.

Desisti da nossa história.

Desisti daquele futuro imaginário que eu havia carregado por tanto tempo.

Depois disso, continuei minha vida.

Aprendi a conviver com a lembrança.

Aprendi que algumas histórias não precisam continuar para terem sido importantes.

E achei que aquele capítulo estivesse encerrado.

Até hoje.

Até você me mandar aquela mensagem.

Até você perguntar se poderíamos nos encontrar.

Até você me fazer sentar aqui, quinze anos depois, diante de você.

Eu parei por alguns segundos.

Olhei diretamente para ele.

— Quando você me chamou para sair, uma parte de mim ficou feliz.

Sorri de leve.

— Mas outra parte ficou com medo.

Ele me olhava atentamente.

— Porque eu não queria voltar a ser aquela menina.

Balancei a cabeça.

— Não queria voltar a esperar por você. Não queria voltar a criar expectativas. Não queria passar novamente pelo mesmo sofrimento.

Respirei fundo.

— Mas eu sabia que precisava ouvir você.

Minha voz ficou mais firme.

— Talvez essa fosse a única oportunidade que teríamos de colocar tudo às claras.

Olhei para as minhas mãos.

— Quinze anos é tempo demais para carregar perguntas sem respostas.

Levantei os olhos novamente.

— Eu não vim aqui esperando que você conserte o passado.

Fiz uma pausa.

— Nem esperando que me diga aquilo que eu gostaria de ouvir.

— Eu só precisava saber a verdade.

O silêncio voltou.

Mas, dessa vez, ele não parecia pesado.

Parecia necessário.

— E talvez — continuei — nós precisássemos dessa conversa nem que fosse pela última vez.

Ele respirou fundo.

Eu também.

— Porque eu não quero sair daqui com mais um arrependimento.

Olhei para ele por alguns segundos.

— Se essa for a última página da nossa história, eu quero que pelo menos seja uma página escrita com a verdade.

Ele permaneceu em silêncio.

Então percebi que havia chegado a hora.

Eu havia contado a minha versão.

Agora precisava ouvir a dele.

Depois de quinze anos, finalmente estávamos diante daquilo que sempre evitamos.

O passado.

Sem desculpas.

Sem jogos.

Sem orgulho.

Apenas a verdade.

E eu não sabia se estava preparada para ouvi-la.

Mas, pela primeira vez, eu estava pronta para descobrir

Thoughts

  • conto84

    Li de novo hoje cedo e reparei que quem põe a criança no colo dela é a mãe dele. Desde o capítulo 2 eu esperava esse pedido de perdão, só achava que ele é que ia falar primeiro.

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  • cadernoPreto

    Gostei da parte em que o silêncio volta e ela diz que dessa vez não pesava. Copiei no caderno e fiquei com ela até o fim do turno.

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  • Ovid

    Ela senta ali sem querer que ele conserte o passado, só querendo a verdade, e isso me pareceu bem mais difícil do que pedir desculpa. Aposto que a versão dele vai sair bem mais curta que a dela, e que é justamente aí que vai doer. Obrigado por seguir publicando estes capítulos!

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  • brunocosta

    Ó pá, ele esteve calado o capítulo inteiro. No anterior era ele a perguntar da rotina dela e agora não diz nada, e isso deixa-me desconfiado. O meu pai era assim, ouvia tudo sem dizer nada.

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