Em um pedaço de papel, escrevi tudo aquilo que eu queria te contar. Cada palavra carregava um peso que minha voz jamais conseguiria sustentar. Escrevi porque o papel não interrompe, não julga e não desvia o olhar quando a verdade dói.
Mas, no fim, dobrei a folha e a guardei. Não sei se você aguentaria ouvir tudo o que ficou preso entre as linhas. Há verdades que machucam mais quando são ditas do que quando permanecem em silêncio.
O som do relógio insiste em me lembrar que o tempo não espera por ninguém. Cada segundo que passa pode ser um passo adiante, rumo ao esquecimento, ou a última chance de dizer o que nunca tive coragem. Entre o medo de perder e a esperança de ser compreendido, permaneço parado, enquanto os ponteiros seguem em frente.
Talvez um dia você encontre esse pedaço de papel. Talvez nunca o leia. Mas, se isso acontecer, saberá que cada palavra escrita foi uma tentativa desesperada de fazer o meu coração chegar até você, quando a minha coragem não conseguiu.