Ela segue comendo torta e coxa de porco enquanto o vampiro mais perigoso do castelo tenta entrar na cabeça dela e bate num muro. Aposto que essa calma é coisa das aias, e o Constantino percebeu.
Capítulo 46: O Nome de Aylla
Pensamento
Ela segue comendo torta e coxa de porco enquanto o vampiro mais perigoso do castelo tenta entrar na cabeça dela e bate num muro. Aposto que essa calma é coisa das aias, e o Constantino percebeu.
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livro (trinta dias para a última lua)
Hadria engoliu a carne e jogou o osso no prato de prata com um baque seco.
— O que você quer? Qual será o seu preço? — perguntou ela, indo direto ao ponto.
Constantino jogou a cabeça para trás e gargalhou, o som ecoando rico e macabro.
— Você realmente acha que pode negociar? Comigo? — Ele riu novamente, pegando uma nova taça de sangue que um servo prontamente lhe oferecera, e a levou aos lábios, saboreando cada gota com a imponência de um rei em seu trono. — Você me lembra muito alguém.
A garota era ousada, não demonstrava medo. Realmente peculiar, pensou Constantino. Ele não conseguia ler a mente dela. O rastro mágico indicava tratar-se de um ser demoníaco comum, mas ela era uma Bruxa Negra, com o corpo marcado por amarras criadas pelos Bruxos do Sul para aprisionar magia antiga. Ela era assustadoramente parecida com Aylla.
Constantino tinha muitas perguntas, mas o tempo era um luxo que lhe faltava. A essa altura, os informantes de seu irmão já deveriam ter repassado a notícia de que Luiz e a garota estavam em seu castelo. O Rei Vampiro, por sua vez, certamente venderia essa informação ao Rei dos Bruxos do Sul. Uma guerra global pelo poder e pelo trono estava em andamento, e ali estava a peça central do conflito, comendo uma coxa de porco e procurando uma bugiganga como se nada mais importasse.
E quanto a Luiz? Em que ele estava se transformando? Como aquilo acontecera? Seria o sobrinho uma ameaça aos seus planos de conquistar o trono? Tudo agora deveria ser reavaliado; uma nova e perigosa variável havia sido adicionada ao tabuleiro. O certo era que, ao lado de quem as Bruxas Negras lutassem, ali estaria a vitória. A Rainha das Bruxas Negras seria sua aliada? Essa criança tinha ideia de quem realmente era?
Hadria continuou comendo as tortas e os assados, agindo com uma indiferença que contrastava absurdamente com o risco mortífero da situação.
Constantino era um vampiro puro-sangue da realeza. Seus poderes incluíam ler mentes de criaturas mais fracas — vampiros de escalões menores e demônios —, além de controlar mentalmente a força de vontade de exércitos. No entanto, por mais que tentasse penetrar na barreira de Hadria, ele encontrava apenas um muro sólido e sombrio; não conseguia ler a garota. Tampouco conseguia ler Luiz, cuja linhagem real bloqueava naturalmente o acesso.
Ainda assim, a telepatia não era necessária. Seus sentidos imortais aguçados já haviam captado os sussurros de Luiz e Hadria na entrada do salão sobre a localização de um artefato específico.
Com mais um estalo de dedos, o lorde emitiu um comando silencioso.
As portas duplas se abriram mais uma vez. Dez servas, usando longos vestidos pretos e exibindo uma sincronia militar perfeita, entraram em fila indiana. Cada uma delas carregava nas mãos uma bandeja forrada com veludo negro. E, no centro de cada bandeja, repousavam diferentes colares; entre eles, estava o deslumbrante artefato de pingente azul, idêntico ao que Hadria procurava.
A garota parou de mastigar. Ela se levantou da cadeira lentamente, os olhos varrendo os dez colares brilhantes, enquanto Luiz também se aproximava, assustado com a rapidez da manobra do tio.
— Você vai nos entregar o colar assim? — perguntou Luiz, incrédulo. — Sem pedir absolutamente nada em troca? Sem nos obrigar a lutar por ele?
— Vocês são duas crianças! — Constantino sorriu, a diversão abandonando seu rosto para dar lugar a uma frieza política milenar. — O seu pai, meu querido sobrinho, forjou uma aliança inquebrável com os Bruxos do Sul. Uma aliança profana e tão antiga quanto o próprio tempo, consolidada com o objetivo de nos manter no poder. Mas há uma grande guerra a caminho. O Império das Terras Altas e o próprio reino demoníaco estão prestes a arder. A quem as Bruxas Negras irão servir?
Constantino ergueu sua taça e observou o fundo vazio com melancolia.
— Eu tenho uma dívida de sangue pesada para cobrar do Sul. Eu quero a coroa dos vampiros. E, digamos que... eu mantenha uma aliança muito, muito antiga com as Bruxas Negras, por mais que o reino de Ônix esteja atualmente ruindo de dentro para fora na disputa por aquele trono.
O lorde respirou fundo. O ar altivo desvaneceu-se, e ele fixou em Hadria um olhar que transbordava a dor de verdades esquecidas e o peso de um passado enterrado.
— Eu tenho uma dívida inestimável — sussurrou o príncipe vampiro, a voz grave tremendo quase imperceptivelmente — que devo pagar a Aylla.
Hadria, que analisava o artefato de pedra azul sobre as bandejas, girou os calcanhares no exato segundo em que ouviu o nome de sua mãe ecoar pela boca do vampiro assassino.
— As Bruxas Negras são livres. Não servem a ninguém, a não ser à Rainha e à escuridão que as criou — disse a menina, com um tom sombrio e decidido, como se cada palavra já tivesse sido entalhada em sua alma.
— Pegue o colar que veio buscar, garota... — Constantino apontou para as bandejas com um gesto leve — e podem ir embora.
Sem hesitar, Hadria pegou o colar azul e o guardou no fundo da mochila.
— Precisamos usar o seu portal para voltar ao antigo castelo de Luiz — exigiu.
E, da mesma forma repentina como os servos haviam aparecido, eles desapareceram nas sombras, e o castelo voltou a ficar imerso em um silêncio tumular.
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PermalinkEla segue comendo torta e coxa de porco enquanto o vampiro mais perigoso do castelo tenta entrar na cabeça dela e bate num muro. Aposto que essa calma é coisa das aias, e o Constantino percebeu.
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PermalinkDepois de rir da menina o jantar inteiro, a voz dele treme justo no nome da Aylla. Esse homem perdeu alguma coisa com ela e nunca largou.
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