Pular para o conteúdo
Carregando…

Capítulo 4 — O Sonho de Selene

SamanthaBruxa
Pensamento

Pensamento

Simao

A mulher no espelho cada vez mais perto fez-me pousar o telemóvel um bocado. Mesmo rosto, olhos pretos, e eu já estava servido.

A mulher no espelho cada vez mais perto fez-me pousar o telemóvel um bocado. Mesmo rosto, olhos pretos, e eu já estava servido.

Conteúdo da publicação

— Finalmente você descobriu meu nome.

A voz ecoou dentro da cabeça de Helena.

Ela levou as mãos aos ouvidos.

— Pare!

Amara segurou seus ombros.

— Helena!

— Ela está dentro da minha cabeça!

— Eu sei.

— Então tire ela de mim!

Amara ficou em silêncio.

Helena percebeu.

— Você não sabe como.

— Não.

— Então quem sabe?

Amara olhou para o corredor.

— Selene.

Antes que Helena pudesse perguntar quem era Selene, todas as velas se apagaram.

O mundo desapareceu.


Helena abriu os olhos.

Estava em uma floresta.

Mas não era a mesma floresta.

O céu estava vermelho.

As árvores eram enormes e completamente secas.

Não havia vento.

Não havia pássaros.

Não havia nenhum som.

Helena olhou para suas mãos.

Eram pequenas.

Ela estava usando um vestido branco.

— Não...

Uma menina apareceu entre as árvores.

Era ela.

A pequena Helena.

A criança caminhou até uma clareira.

No centro havia um círculo desenhado no chão.

Ao redor dele estavam seis mulheres.

Amara.

Morgana.

Isolde.

Luna.

Eva.

E uma mulher que Helena ainda não conhecia.

Ela tinha cabelos prateados.

Olhos azuis.

E uma lua crescente marcada na testa.

— Selene... — Helena sussurrou.

Selene virou-se.

Mas não para a pequena Helena.

Para a Helena adulta.

— Você finalmente chegou.

Helena ficou paralisada.

— Estou sonhando?

— Sim.

— Então você é Selene.

A mulher sorriu.

— A Segunda Lua.

Helena olhou ao redor.

— O que é esse lugar?

— Uma memória.

— Minha?

— Nossa.

Selene se aproximou.

— Você precisa entender uma coisa antes de continuar.

— O quê?

Selene tocou a testa de Helena.

Tudo mudou.


Helena viu a mansão.

Mas ela estava diferente.

Nova.

Iluminada.

Cheia de pessoas.

Havia música.

Risos.

Crianças correndo pelos corredores.

Era uma noite de celebração.

No centro do salão estavam as sete mulheres.

Mas havia uma oitava pessoa.

Um homem.

Helena não conseguia ver seu rosto.

Ele segurava uma criança.

Uma menina.

A pequena Helena.

— Quem é ele?

Selene respondeu:

— O homem que você conhece como Homem das Sombras.

Helena ficou chocada.

— Ele me segurava?

— Sim.

— Então ele não era meu inimigo?

Selene desviou o olhar.

— Naquela época, não.

A visão mudou.

A festa desapareceu.

A mansão ficou escura.

As sete mulheres estavam reunidas em uma sala subterrânea.

Amara gritava:

— Não podemos fazer isso!

Morgana respondeu:

— Se não fizermos, ela vai morrer!

Eva chorava.

Isolde segurava uma pequena caixa.

Selene estava diante de um enorme círculo.

E o Homem das Sombras estava no centro.

Ele segurava a mão da pequena Helena.

— O que vocês estão fazendo? — perguntou Helena.

Selene respondeu:

— Tentando salvar você.

A pequena Helena começou a chorar.

— Eu quero minha mãe.

O Homem das Sombras ajoelhou-se diante dela.

— Você precisa ser corajosa.

— Eu estou com medo.

— Eu sei.

Ele beijou a testa da menina.

Então a sala começou a tremer.

Uma sétima mulher surgiu no centro do círculo.

Seu rosto estava coberto por um véu negro.

Helena reconheceu imediatamente.

— A Sétima Lua...

Selene assentiu.

— Ela não nasceu como as outras.

— Então como nasceu?

Selene olhou para Helena.

— Ela nasceu do seu medo.

Helena ficou em silêncio.

A mulher de véu levantou a mão.

Uma energia escura envolveu a pequena Helena.

Ela começou a gritar.

— NÃO!

Helena adulta tentou correr até ela.

Mas Selene segurou seu braço.

— Você não pode mudar essa memória.

— Solte-me!

— Ainda não.

A pequena Helena gritava.

Amara chorava.

Morgana segurava a porta.

Isolde recitava palavras antigas.

Eva segurava uma vela.

E o Homem das Sombras gritava:

— Agora!

A Sétima Lua desapareceu.

A pequena Helena desmaiou.

E uma marca negra apareceu em seu peito.

Helena adulta caiu de joelhos.

— O que fizeram com ela?

Selene respondeu:

— Dividimos sua alma.

Helena olhou para ela.

— Por quê?

— Porque havia algo dentro de você que estava tentando nascer.

— A Sétima Lua.

Selene assentiu.

— Uma parte de você era luz.

— E a outra?

Selene olhou para a floresta.

— A outra era escuridão.

Helena sentiu lágrimas escorrerem.

— Então ela não é um demônio?

Selene demorou a responder.

— Não.

— Então o que ela é?

Selene se aproximou.

— Ela é você.


Helena acordou gritando.

Estava novamente na mansão.

Amara estava ao lado dela.

— Helena!

Ela respirava rapidamente.

— Eu vi.

Amara ficou imóvel.

— O quê?

— A noite da cerimônia.

Amara empalideceu.

— Selene mostrou para você?

Helena assentiu.

— Ela disse que a Sétima Lua nasceu do meu medo.

Amara fechou os olhos.

— Então Selene decidiu contar.

— Você sabia?

— Sim.

— Por que mentiu para mim?

Amara não respondeu.

Helena se levantou.

— Quero saber toda a verdade.

— Ainda não.

— Chega de segredos!

Amara olhou para ela.

— Se eu contar agora, você pode libertá-la.

Helena congelou.

— Libertar quem?

Amara apontou para o peito dela.

— A Sétima Lua.

Helena sentiu novamente aquela presença.

Tum.

Tum.

Tum.

Então uma voz sussurrou dentro de sua cabeça:

— Não acredite nela.

Helena fechou os olhos.

— Quem é você?

A resposta veio imediatamente.

— Sou aquilo que você tentou esquecer.

Helena abriu os olhos.

No espelho à sua frente, seu reflexo não estava sozinho.

Atrás dela havia uma mulher.

A Sétima Lua.

Helena virou-se.

Não havia ninguém.

Quando olhou novamente para o espelho, a mulher estava ainda mais próxima.

Ela colocou a mão sobre o vidro.

E Helena percebeu uma coisa assustadora.

A mulher tinha o mesmo rosto que ela.

Mas seus olhos eram completamente negros.

— O que você quer de mim? — Helena perguntou.

A mulher sorriu.

— Quero voltar para casa.

— E onde é sua casa?

A mulher respondeu:

— Dentro de você.

O espelho rachou.

Uma pequena fissura atravessou exatamente o rosto de Helena.

E, do outro lado da mansão, uma porta que estava trancada há séculos se abriu sozinha.

Nox apareceu no corredor.

Seus olhos prateados brilhavam.

Ele olhou para Helena.

— Agora começou de verdade.

No fundo da mansão, alguém começou a cantar.

Uma voz feminina.

Baixa.

Triste.

E familiar.

Helena reconheceu aquela voz.

Era a voz de sua própria mãe.

E então percebeu:

A próxima porta levava ao passado.

Thoughts

  • GasparRibeiro

    Contei as mulheres na clareira: seis, com a Selene, e a do véu só aparece depois, no círculo. Aposto que as Sete Luas eram seis até àquela noite e a sétima foi a miúda que a fez.

    Permalink
  • Simao

    A mulher no espelho cada vez mais perto fez-me pousar o telemóvel um bocado. Mesmo rosto, olhos pretos, e eu já estava servido.

    Permalink

Related posts

Pública 0 conversa 2 pensamentos 19 votos positivos 0 voto negativo 0 série

— Finalmente você descobriu meu nome.

Em grupos