8. A MÁSCARA SOCIAL
Aprendi a vesti-la antes de aprender a falar.
Feita de sorrisos largos, respostas prontas,
um ´´tudo bem`` que saía mais fácil que a verdade.
De manhã, colocava-a sobre o rosto,
armadura para uma guerra que ninguém via.
Escondia o cansaço, o medo, a dúvida,
deixando apenas uma versão aceitável:
alguém que estava bem, alguém que se encaixava.
Como ´´Nina Simone`` em ´´Feeling Good ``,
eu cantava sobre pássaros voando e sol no céu,
mas por dentro era um poço sem fundo.
Como ´´Marilyn Monroe`` sorrindo para as câmeras
enquanto sua alma pedia socorro.
Quando ria com os outros, era a máscara que ria.
Quando concordava com piadas erradas,
era a máscara que balançava a cabeça.
Escondia-me atrás dela como atriz no palco.
Mas o palco era minha vida inteira,
e eu nunca podia descer aos bastidores.
O pior não era usá-la.
O pior era que, ao tirá-la para dormir,
eu não sabia mais quem estava debaixo dela.
Medo de que tivesse colado na pele,
que meu verdadeiro rosto se apagasse
de tanto tempo sem sol.
Como ´´Sinead O'Connor`` que rasgou a foto do Papa,
eu queria rasgar minha própria imagem
e mostrar o que estava por baixo.
A máscara me protegia.
Mas também me sufocava.
Carregava o peso de saber
que o mundo só gostava da máscara,
e que talvez nunca quisesse conhecer
quem estava atrás dela.
— NelleAziul