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Capitulo 2— primeira noite em Londres

platova

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A casa parecia respirar.

Lenta. Pesada. Como se não estivesse acostumada com gente viva ali dentro.

A porta ainda ecoava quando Ágata atravessou o corredor e jogou as luvas em qualquer lugar.

— Eu odeio esse lugar.

Anthen encostou na parede, observando.

— Você odeia todos os lugares.

— Esse mais. — ela respondeu, cruzando os braços. — Cheira a gente pobre.

Um silêncio curto.

Perto da janela, Kaÿdran permanecia imóvel.

Olhando a rua.

Como se nada daquilo importasse.

— Você nem disfarça mais, né? — disse Anthen, olhando pra ele.

Nenhuma resposta.

Ágata olhou entre os dois.

— O que foi agora?

Anthen deu um passo à frente.

— Ele quer sair.

Ágata franziu a testa.

— Sair pra quê?

Silêncio.

Kaÿdran finalmente virou o rosto.

Calmo.

Demais.

— Comer.

Ágata não reagiu na hora.

Mas um pequeno sorriso surgiu.

— Já? — ela perguntou, curiosa.

— Não. — Anthen respondeu antes dele. — Ele não vai.

Kaÿdran olhou pra ele.

Sem pressa.

— Eu não lembro de ter perguntado.

— E eu não lembro de você pensar. — rebateu Anthen.

O ar ficou mais pesado.

Ágata observava.

Divertida.

— A gente acabou de chegar. — continuou Anthen. — Primeira noite. Cidade nova. E você quer sair matando alguém?

— Não é “alguém”. — disse Kaÿdran, frio. — É alimento.

— Aqui não. — Anthen respondeu. — Não agora.

Kaÿdran inclinou levemente a cabeça.

— Você quer que eu espere?

— Quero que você não seja idiota.

Um silêncio seco.

Ágata soltou um riso baixo.

— Isso vai ser interessante.

Kaÿdran deu um passo em direção a Anthen.

Lento.

Controlado.

— Eu não preciso da sua autorização.

—

Anthen não recuou.

— Não. Mas precisa de discrição. — respondeu. — Ou esqueceu como funciona?

Os olhos de Kaÿdran ficaram mais frios.

— Eu nunca esqueço.

— Então age como alguém que lembra.

Silêncio.

Pesado.

Ágata sentou no braço de um sofá, balançando as pernas.

— Vocês são dramáticos.

Nenhum dos dois olhou pra ela.

— Ele precisa de sangue. — continuou ela, como se fosse óbvio. — Você também precisa.

— Eu sei me controlar. — disse Anthen.

Kaÿdran soltou um riso curto.

Sem humor.

— Você chama isso de controle?

— Chamo de não chamar atenção.

— Eu não chamo atenção.

Anthen arqueou uma sobrancelha.

— Você literalmente mata.

— E você não?

Silêncio.

Ágata inclinou a cabeça.

— Eu acho que ele devia ir.

Anthen virou pra ela.

— Claro que você acha.

— Ele fica irritante sem sangue.

— Ele já é irritante com sangue.

Ela deu de ombros.

Kaÿdran voltou o olhar pra janela.

Como se tivesse perdido o interesse.

— Eu vou sair. — disse.

Simples.

Decidido.

Anthen fechou a mandíbula.

— Se você fizer isso hoje… — começou.

Kaÿdran virou o rosto de novo.

— Vai fazer o quê?

Silêncio.

Anthen não respondeu de imediato.

Só sustentou o olhar.

Ágata sorriu.

— Eu amo quando vocês ficam assim.

Mais silêncio.

Então Anthen respirou fundo.

Desviou o olhar.

— Faz o que quiser. — disse por fim. — Mas não volta com problema.

Kaÿdran assentiu levemente.

Como se aquilo fosse irrelevante.

— Eu nunca volto com problemas.

Ele passou por eles.

Sem pressa.

Ágata acompanhou com o olhar.

— Ele vai matar alguém.

— Eu sei. — respondeu Anthen.

Silêncio.

Ágata olhou pra ele.

— E você?

Anthen pegou o casaco.

— Eu vou andar.

— Mentira.

Ele olhou pra ela.

Ela sorriu.

— Você vai atrás.

Anthen não respondeu.

Mas também não negou.

E saiu.

As ruas de Londres

O ar estava mais frio.

Mais vivo.

E dessa vez…

Anthen não estava só passeando.

#sobrenatural #kaydran #anthen #ficcaosobrenatural #vampiro

Thoughts

  • mesaDeBar

    A Ágata balançando as pernas no braço do sofá enquanto os dois se medem é quem manda naquela casa. Ela só quer assistir o circo pegar fogo.

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