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Capítulo 2 — O Dono da Casa

Monarca

Conteúdo da publicação

Azrael continuava sentado diante da janela da estufa.

Depois daquela conversa, eu esperava que ele dissesse alguma coisa.

Não disse.

Apenas voltou a abrir o livro e retomou a leitura como se nossa conversa tivesse terminado.

Fiquei parada por alguns segundos, sem saber exatamente o que fazer.

— Você vai continuar lendo?

Ele levantou os olhos.

— Pretendia.

— Enquanto eu estou aqui?

— Você está me impedindo de ler?

— Não.

— Então não vejo problema.

Fiquei olhando para ele.

Definitivamente estranho.

Caminhei até uma das cadeiras próximas e me sentei.

Agora que estávamos mais próximos, pude observá-lo melhor.

Azrael aparentava ter aproximadamente dezoito anos.

Talvez dezenove, no máximo.

Seu rosto era jovem, com traços bem definidos, mas sem aquela aparência madura que eu esperaria de alguém responsável por uma propriedade daquele tamanho.

Sua pele era clara, quase pálida, mas saudável.

Os cabelos brancos caíam naturalmente ao redor do rosto e chegavam um pouco abaixo dos ombros. Não pareciam tingidos. A cor era uniforme demais para isso.

Algumas mechas estavam desalinhadas, como se ele não se preocupasse muito em mantê-las perfeitamente arrumadas.

Seus olhos eram vermelhos.

Não de um vermelho comum.

Eram de uma tonalidade profunda, incomum, que contrastava fortemente com os cabelos.

Ainda assim, havia algo curioso em seu rosto.

Ele não parecia alguém perigoso.

Na verdade, se eu o encontrasse na rua sem saber quem era, provavelmente pensaria que era apenas um rapaz de aparência incomum.

Talvez alguém um pouco excêntrico.

Seu corpo também não possuía a aparência de um guerreiro.

Era esbelto, com ombros proporcionais e uma postura naturalmente relaxada.

Não havia músculos exagerados ou cicatrizes aparentes.

As roupas eram simples.

Uma camisa escura, calças confortáveis e um casaco leve.

Nada nele gritava riqueza.

Nada nele gritava poder.

Era quase decepcionante.

Eu esperava alguém mais velho.

Talvez um homem de trinta ou quarenta anos.

Não um garoto.

— Você está me encarando.

Sua voz me tirou dos pensamentos.

Desviei o olhar rapidamente.

— Não estava.

— Estava.

— Só estava tentando descobrir quantos anos você tem.

Ele fechou o livro sobre o próprio colo.

— E qual foi sua conclusão?

Pensei por alguns segundos.

— Dezoito?

Um sorriso discreto apareceu em seu rosto.

— Boa tentativa.

— Então quantos?

— Isso é importante?

— Para mim, sim.

— Por quê?

— Porque meu irmão confiou você para cuidar de mim. Eu gostaria de saber pelo menos a idade da pessoa que vai fazer isso.

Azrael soltou uma pequena risada.

Foi a primeira vez que ouvi sua risada.

Era leve.

Quase infantil.

Aquilo combinava ainda mais com sua aparência.

— Você faz muitas perguntas.

— E você responde poucas.

— Talvez seja por isso que funcionamos tão bem.

Revirei os olhos.

— Nós acabamos de nos conhecer.

— Verdade.

Ele abriu novamente o livro.

— Então vamos começar devagar.

— Começar o quê?

— A nos conhecermos.

Fiquei em silêncio.

Havia alguma coisa estranha na maneira como ele falava.

Ele parecia extremamente tranquilo.

Não tinha pressa.

Não parecia preocupado com nada.

Era como se o tempo simplesmente não tivesse importância para ele.

Levantei-me.

— Vou conhecer a casa.

— Tudo bem.

— Posso?

— Você está morando aqui agora.

Parei.

— Agora?

Azrael ergueu os olhos.

— Seu irmão não explicou isso?

— Não.

Ele suspirou.

— Imaginei.

Fechou o livro e o deixou sobre a mesa.

Então se levantou.

Só naquele momento percebi uma coisa.

Azrael era um pouco mais alto do que eu havia imaginado.

Quando ficou de pé diante de mim, sua postura mudou levemente.

Não parecia mais um garoto sentado lendo tranquilamente.

Havia uma elegância natural em seus movimentos.

Ele não fazia esforço para parecer confiante.

Simplesmente era.

— Venha.

— Para onde?

— Vou mostrar seu quarto.

Segui-o para fora da estufa.

Caminhamos pelo corredor em silêncio.

Agora que estava prestando mais atenção, percebi que Azrael se movia de uma maneira curiosamente silenciosa.

Seus passos quase não produziam som.

— Você sempre anda assim?

Ele olhou por cima do ombro.

— Assim como?

— Quase sem fazer barulho.

— Nunca pensei nisso.

— Estranho.

— Você parece gostar bastante dessa palavra.

— Porque você é estranho.

Ele riu novamente.

— Justo.

Subimos a escada.

Enquanto caminhávamos pelo segundo andar, percebi que Azrael conhecia cada canto da casa sem precisar pensar.

Não olhava para as portas.

Não precisava procurar nada.

Simplesmente caminhava.

Paramos diante de uma porta.

Ele a abriu.

O quarto era bonito.

Não exageradamente luxuoso, mas confortável.

Uma cama grande estava posicionada contra a parede, havia uma escrivaninha próxima à janela e uma estante vazia esperando para ser ocupada.

Sobre a cama havia algumas roupas dobradas.

— São suas — disse Azrael.

Aproximei-me.

— Como você sabia meu tamanho?

— Seu irmão me passou algumas informações.

— Ele falou até meu tamanho?

— Entre outras coisas.

Aquilo me deixou ainda mais desconfiada.

— O que exatamente ele contou sobre mim?

Azrael permaneceu alguns segundos em silêncio.

Então respondeu:

— O suficiente.

— Essa resposta é irritante.

— Eu sei.

Ele começou a se afastar.

— Espere.

Azrael parou.

— Você não vai me explicar nada?

Ele virou o rosto.

— Sobre o quê?

— Sobre essa casa. Sobre você. Sobre por que estou aqui.

Por alguns segundos, seu sorriso desapareceu.

Seu olhar ficou mais sério.

Não ameaçador.

Apenas... distante.

— Você realmente quer saber?

— Quero.

Ele voltou a olhar para mim.

— Então faça outra pergunta.

Franzi a testa.

— O quê?

— Uma pergunta de cada vez.

— Por quê?

— Porque algumas respostas merecem ser dadas lentamente.

Ele sorriu novamente.

Dessa vez, havia algo diferente naquele sorriso.

Algo que não consegui compreender.

— Descanse um pouco, Eriel.

Ele começou a caminhar pelo corredor.

— Azrael.

Ele parou novamente.

— Você tem mesmo dezoito anos?

Ele olhou para mim por cima do ombro.

Por um instante, seus olhos vermelhos pareceram brilhar sob a luz do corredor.

Então ele sorriu.

— É uma idade confortável.

E continuou andando.

Fiquei parada na porta.

— Isso não foi uma resposta...

Mas ele já havia desaparecido escada abaixo.

Fechei a porta lentamente.

Olhei para o quarto.

Depois para o corredor vazio.

Aquele homem definitivamente escondia alguma coisa.

E eu tinha a sensação de que descobrir o quê seria muito mais difícil do que eu imaginava.


Thoughts

  • pacoquinha

    Na estufa ele já tinha dito que ela ia entender quando estivesse pronta, e agora solta uma resposta por vez. Se o irmão da Eriel passou até o tamanho da roupa dela pro Azrael, pra mim os dois combinaram essa estadia bem antes dela entrar no carro.

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Azrael continuava sentado diante da janela da estufa.

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