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Capítulo 19/Os Mistérios do Acaso / Um Toque do Tempo!

Pietrodeluccapoeta777
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Depois que Narciso conheceu a linda Helena Dolly, a sua rotina matinal ganhou um novo e sagrado significado. Para ele, tomar um bom café da manhã quentinho e receber uma poesia totalmente…

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Já são dezenove capítulos e o Narciso continua entregando um poema junto com o café da manhã, todo dia. Esse ritual me fez pensar em quanta gente escreve para uma pessoa só e nunca para o público. Aposto que a Helena guarda essas folhas numa gaveta e não

Já são dezenove capítulos e o Narciso continua entregando um poema junto com o café da manhã, todo dia. Esse ritual me fez pensar em quanta gente escreve para uma pessoa só e nunca para o público. Aposto que a Helena guarda essas folhas numa gaveta e não conta pra ele. Valeu por manter a série toda quarta e sábado, Pietro!

Conteúdo da publicação

Os Mistérios do Acaso

Um Toque do Tempo!

Capítulo 19

Depois que Narciso conheceu a linda Helena Dolly, a sua rotina matinal ganhou um novo e sagrado significado. Para ele, tomar um bom café da manhã quentinho e receber uma poesia totalmente personalizada passaram a ter exatamente o mesmo peso, o mesmo valor e o mesmo sentido vital. Praticamente todas as manhãs, entregar uma folha rascunhada com versos frescos para ela havia virado um hábito irresistível, um ritual de adoração que alimentava a alma de ambos antes que as obrigações do dia começassem.

E naquela manhã fria não foi diferente. Narciso, com o coração transbordando, aproximou-se e entregou mais um poema à sua musa. Após terminar a leitura daquelas linhas confessionais, Helena Dolly deu uma pausa profunda. Um silêncio denso e reflexivo instalou-se no ambiente por cerca de três minutos, tempo em que ela pareceu absorver cada palavra. Então, rompendo a quietude, pintou o seguinte diálogo:

— Narciso, o que é que é isso? — perguntou Helena, com a voz embargada pela emoção e os olhos fixos nos dele. — Você é simplesmente demais... Como você escreve bem!

Cada um desses poemas tem um sabor e um valor imensamente especial para mim, eu gosto muito de verdade. Mas, olha... eu gostaria muito que você não se apagasse em mim, que não colocasse todas as suas expectativas na minha figura. Por favor, não me leve a mal, tá bom?

Narciso olhou nos olhos dela, desarmado pela sinceridade daquela preocupação, e respondeu com a franqueza que só os poetas possuem:

— Eu gostaria também de ter esse controle, Helena. Gostaria de não me apegar tanto a você, mas a verdade é que não tem jeito. Olhando para você aqui, agora... como é que alguém consegue não se apegar a você?

Naquele exato instante, pintou um clima irresistível entre os dois. A barreira das palavras desfez-se diante da eletricidade do momento. O Poeta, aproximou-se lentamente de Helena Dolly e a envolveu em um abraço tão apertado, tão profundo e acolhedor, que foi absolutamente inevitável que as suas bocas se encontrassem. Entregaram-se a beijos ardentes, repletos de uma ternura acumulada e de um carinho que transbordava a pele.

Para dois corpos que já estavam se pedindo há muito tempo com tanta urgência, pintou, é claro, novamente o amor em sua forma mais visceral: um misto perfeito de sexo, transa e magnetismo puro. Tratava-se de um fenômeno intenso, inexplicavelmente belo, que se mostrava fundamental tanto para o equilíbrio do corpo quanto para o refrigério da alma daquele artista.

Narciso sabia perfeitamente o quanto gostava de Helena Dolly, e ela, por sua vez, também correspondia a esse sentimento, principalmente depois de tantas idas e vindas emocionais que haviam enfrentado em um curto espaço de tempo, sempre regadas a muitas e muitas poesias confessionais. Na verdade, é algo muito lindo narrar o fato que transformou o caminho desses dois jovens em um romance tão bonito, dono de uma clarividência muito real e de uma energia nota dez!

Incansavelmente, como se estivessem vivendo o primeiro dia de suas vidas, eles se beijavam ardentemente a cada oportunidade secreta, aproveitando sempre o tempo exato de cada momento. Parecia que o beijo era o único tradutor fiel e legítimo da ternura profunda que unia as suas almas. Todas as áreas corpóreas pareciam se fundir em uma só substância; tudo era bom, tudo era delicioso, tudo se resumia ao contorno perfeito de um só pedaço de pecado chamado Helena Dolly. Uma mulher que sempre foi extremamente estilosa, audaciosa na medida certa e dona de uma beleza de tirar o fôlego.

Após aquela recíproca e intensa sessão de Kama Sutra, vivida no recôndito de um belo motel da cidade, a transa virou uma marca registrada do casal pela sua intensidade avassaladora e pelo fulgor dos corpos em sintonia. Quando finalmente deram uma pausa para recuperar o fôlego entre os lençóis, Helena olhou para ele deitada de lado, pensativa, e perguntou novamente:

— Narciso, seja sincero comigo... o que foi que você viu em mim de tão especial? Por favor, não minta! Pode ser totalmente sincero.

O Poeta acariciou o seu rosto e respondeu sem pestanejar:

— Eu vi tudo, Helena. Você é uma mulher muito linda, maravilhosa por completo. Olha que corpo magnífico você tem, que boca linda e desenhada... o seu beijo é visceral, mexe com as minhas estruturas. Tá bem respondido?

Helena deu um sorriso melancólico, desviou o olhar por um segundo e insistiu:

— Você, Narciso, precisa me esquecer... Eu sou uma mulher chata, enjoada, briguenta, cheia de manias. E você é totalmente diferente de mim, é calmo, é poeta!

— Helena, eu acho sinceramente que nós nos damos muito bem — rebateu ele, segurando a sua mão. — Pelo menos é o que tudo na nossa convivência vem indicando até aqui. E além do mais, a física já provou que os opostos se atraem com mais força. Eu sempre tive a nítida impressão de que você, de alguma forma, sempre esteve presente em minha vida, como se estivéssemos destinados. Mas, pelo que estou vendo pelo seu tom, parece que você não está muito a fim de mergulhar de cabeça nisso…

— Eu sou assim mesmo, durona por fora, e você ainda não me conhece por completo — justificou ela, tentando manter a sua guarda levantada.

Narciso, com a paciência dos que sabem amar, puxou-a para perto e conforta o seu coração:

— Calma, meu amor. Está tudo bem. Tudo nesta vida tem o seu tempo certo para acontecer.

As motivações para continuar aquele romance clandestino continuavam a todo vapor no peito do escritor. Havia alguma força intuitiva, quase sobrenatural, que parecia alimentar aquele querer diário. Aquela paixão fornecia tamanha energia vital que Narciso, o Poeta, já não se reconhecia mais como aquela antiga pessoa cheia de traumas, cicatrizes do passado e complexos de inferioridade. Parecia, na verdade, que ele havia bebido um elixir transformador da juventude e vigor; a sua própria personalidade mudou para melhor.

Ele tinha plena consciência de que, a qualquer momento, por força das circunstâncias do mundo, as cortinas daquele palco poderiam ser fechadas repentinamente e tudo poderia se acabar em um piscar de olhos. Porém, ele sabia que arriscar fazia parte da jornada de qualquer artista, e Narciso apostou todas as suas fichas em Helena Dolly, acreditando piamente que a perfeição harmônica de ambos só atingia a plenitude quando eles estavam juntos, dividindo o mesmo espaço.

Estar sempre com ela era o seu grande objetivo de vida. Não era uma tarefa difícil no sentido prático, mas mostrava-se complicada pelas convenções sociais, talvez pela falta de jeito em lidar com o segredo ou coisa assim. O que se sabia de verdade é que o barco daquele amor não afundou e nem afundará tão rápido assim; contudo, para manter-se navegando, o Poeta sabia que teria que enfrentar e passar por muitos tempos ruins e tempestades que o futuro reservava.

Foi nesse cenário de reflexões que Narciso escreveu a poesia Um Toque do Tempo. A inspiração para o título nasceu porque Helena Dolly costumava repetir, em seus momentos de insegurança, que ele estava perdendo o seu precioso tempo ao insistir em ficar com ela. Mas aquilo não era verdade; o que Narciso mais queria no mundo era estar ao lado dela o maior número de horas e minutos possíveis.

Nesta poesia específica, ele tira o seu corpo físico de cena para focar no espírito. Tratava-se, fundamentalmente, de um toque do próprio Tempo. Essa entidade mística, abstrata e soberana que está constantemente nos enviando sinais e mensagens através do acaso, mas que dificilmente conseguimos captar. Afinal, a insensibilidade da humanidade atual ainda necessita de muito aprimoramento, processo de evolução e progresso moral. O ser humano, por excelência e arrogância, não conhece hoje nem a quinta parte de sua real capacidade espiritual... Sigamos, portanto, com os versos:

UM TOQUE DO TEMPO

_________________________

Um tempo a mais contigo,

É um tempo a mais para se viver.

Quando estou contigo

Meu tempo não é perdido

E nem iludido fico.

Quando digo que te amo

Não foi precipitação,

Muito menos antecipação,

Apenas foi um toque do tempo.

Como tudo tem seu tempo,

Hoje,

Tudo que desejaria

Era estar o tempo inteiro contigo.

Comentários de você

Faço tantos e bons,

Principalmente por você ser a princesa

Que tanto desejei e almejei.

Brincadeira, até parece ser...

Só não é, porque não carece.

Quanto mais penso em ti,

Mais o amor aparece.

O que acontece?

Fico feliz,

Te conhecendo

De uma forma tão maravilhosa

Que qualquer argumento

É pouco ou inútil

Para fazer meu eu te esquecer.

Nesse momento,

Nada é mais importante

Que a sua companhia.

Seu brilho é tão reluzente

E presente,

Que jamais permitirei

Que apaguem desta órbita.

Você já faz parte da minha jornada,

Você já é a luz do meu caminhar.

Os bons momentos

Podem por muito tempo

Não durar,

Mas já estão eternizados

Em meu coração...

__________________

Narciso "O Poeta"

NOTA DO AUTOR

Obrigado por dedicar seu tempo às minhas palavras. Este espaço é mantido vivo pela paixão daqueles que ainda acreditam no poder da escrita autêntica, das paixões avassaladoras e das crônicas da alma. Considere tornar-se um assinante — na modalidade gratuita ou paga — para não perder nenhum capítulo dessa jornada literária. Vamos juntos manter viva a chama da literatura.

Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.

________________________

@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️

Escritor, Poeta, Contista e Cronista

Athelier das Letras - Selo 444

opoetalk520.substack.com

pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com

Thoughts

  • NunoParreira

    Ele cita a física para provar que os opostos se atraem e a Helena sorri melancólica. Reli o trecho e fiquei com a impressão de que ela sorriu do argumento e continuou sem acreditar nele.

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  • TintaEAvesso

    Duas vezes a Helena pede sinceridade e duas vezes o Narciso devolve elogio: corpo, boca, beijo. Ela não perguntou isso. Ela está pedindo pra ele enxergar a parte chata, briguenta, cheia de manias, e ele passa reto. Meu palpite: aquelas coisas que ela avisou que ele não sabe, lá no capítulo 15, vão estourar bem no meio de um desses cafés da manhã com poema.

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  • brunocosta

    Outra vez o motel, pá.

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  • Rui_Salgueiro

    Ela pergunta o que ele viu nela e ele só fala do corpo e da boca. Nem uma palavra sobre a pessoa. Foi de propósito?

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  • Ovid

    Já são dezenove capítulos e o Narciso continua entregando um poema junto com o café da manhã, todo dia. Esse ritual me fez pensar em quanta gente escreve para uma pessoa só e nunca para o público. Aposto que a Helena guarda essas folhas numa gaveta e não conta pra ele. Valeu por manter a série toda quarta e sábado, Pietro!

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  • LuizaFontes

    A mãe se irritou com a Helena de novo. Quando ela diz que o Narciso precisa esquecê-la, a velha resmungou que essa moça fala isso desde a lanchonete e continua marcando motel. Eu fiquei do lado da Helena desta vez, a gente discutiu um bom pedaço da leitura por causa disso.

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