Do outro lado do salão, Oden ajustava a própria máscara.
Pentre estava ao seu lado.
— Você ainda está procurando a sobrevivente?— O amigo voltou a puxar assunto.
— Estou curioso.
— Curioso?
Oden sorriu.
— Você falou dela durante esse fim de tarde todo.
Pentre suspirou.
— Novamente isso?
— Sim.
— Eu só a achei interessante.
— Claro.— Oden observou a multidão.
— E a princesa humana?— Pentre olhou ao redor.
— Não virá, Amme a deixou desacordada. Enquanto você se arrumava, ela foi ao meu quarto avisar a mudança de planos.
Pentre ficou em silêncio por alguns segundos.
— Ela fez o quê?
Oden segurou uma risada.
— Pelo que entendi, exagerou um pouco no pó calmante.
Pentre fechou os olhos.
— Eu não sei se devo ficar preocupado ou impressionado com a capacidade da sua irmã de transformar qualquer situação em um problema maior.
— As duas coisas são possíveis.
Oden olhou novamente para o salão.
— Então a princesa humana não está aqui?
— Não.
— Tem certeza?— Pentre arqueou uma sobrancelha.
— meu amigo, tenho.
— Porque ainda parece estranho.
— O quê?
— Uma pessoa ser sequestrada, sobreviver ao choque inicial, e no mesmo dia estar dormindo tranquilamente em um quarto?
— Amme é... muito cuidadosa quando decide proteger alguém, além do que você já argumentou sobre isso.— Oden sorriu. — Sei que minha irmã pode ser muito imaginativa é fazer planos mirabolantes, mas ela não mente.
— e, o exagero com o pó calmante... às vezes ela age como uma criança.
— E mesmo assim você gosta dela.
Pentre desviou o olhar.
— Não estamos falando sobre isso!
— Estamos sim.
Pentre abriu a boca para responder, mas desistiu.
Oden riu.
— Impressionante. Você consegue conversar com seres antigos, criaturas corrompidas e líderes de guerra sem hesitar.— Ele apontou para o amigo. — Mas basta eu mencionar minha irmã e você perde toda a habilidade de argumentar é age como criança assim como acusa eu e ela de agirmos.
Pentre apenas suspirou.
— Você é insuportável!
— insuportávelmente correto sempre.
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No centro do salão, Aras observava a dança.
Ela não sabia os passos.
Não conhecia as músicas,não entendia as tradições.
Uma senhora eteriana passou por ela e sorriu.
— Primeira vez no Maxpen?
Aras suspirou.
— Está tão óbvio?
A senhora riu.
— Para quem conhece, sim.
Aras olhou ao redor.
— Eu não sei exatamente o que devo fazer.
— Nada.
A resposta surpreendeu a princesa.
— Nada?
— Apenas existir.— A senhora apontou para as máscaras. — Essa é a parte bonita. Hoje ninguém precisa ser aquilo que esperam.
A mulher se afastou antes que Aras pudesse responder.
Ela ficou parada.
Apenas existir.
Era estranho como aquelas duas palavras pareciam tão simples...
E tão difíceis.
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Do outro lado do salão, Oden percebeu a jovem de máscara branca.
Não sabia por quê.
Talvez fosse o jeito como ela observava tudo, seus olhos castanhos acinzentados pareciam um limbo.
Parecia estar vendo aquele lugar pela primeira vez.
Como alguém que tinha acabado de acordar em um mundo novo, onde finalmente se encaixava.
Ele ficou alguns segundos olhando, seu éter parecia pulsar de maneira tão acelerada que se sentia queimado por dentro.
Pentre percebeu a agitação da energia do amigo.
— O que foi?
Oden inclinou a cabeça.
— Nada.
— Você está olhando para alguém.
— Estou?
— Está.
Oden sorriu, sentido uma inquietação, uma euforia. Era uma sensação de pular alto, enquanto os sentidos se embaralham é você não sabe se ainda está pulando ou está voltando para ter seus pés no chão.
— a energia emanando dela é tão...
Pentre acompanhou o olhar dele.
— Uma desconhecida?
— Sim, eu acho que me lembraria de um éter tão forte...
— Você sabe que essa é exatamente a coisa que você me acusou de fazer hoje?
Oden riu.
— Agora entendo totalmente seu deslumbre e admiração por uma novata, mas eu acho que essa Eteriana sempre esteve aqui... Eu apenas... Eu apenas nunca a senti tão.
Pentre cruzou os braços.
— vá falar com ela.
Oden olhou para ele.
— Você está me dando ordem?
— Eu estou dizendo para você parar de olhar como um estranho assustador e se aproximar dela?
— Eu não olho como um estranho assustador.
Pentre apenas encarou.
Oden ficou em silêncio.
— Certo. Talvez um pouco. Mas não posso fazer isso, a Yria ficaria com um ciúmes mortal é a verdadeira forma dela já foi muito corrompida.
Amme havia chegado ao salão no momento exato em que ouviu a última frase de Oden.
Ela parou atrás de uma das colunas, observando o irmão encarar a jovem de máscara branca.
E, pela primeira vez naquela noite, não sorriu.
Conhecia aquele olhar.
Era o mesmo olhar que Oden tinha quando encontrava algo que realmente despertava sua atenção. Algo que fazia o mundo ao redor parecer desbotado e só seu foco de atenção brilhava em cores florescentes.
Ela respirou fundo.
Então virou-se para Pentre.
— Pentre.
O eteriano quase se assustou ao perceber a presença dela.
— Amme.
Ela apontou discretamente para o outro lado do salão.
— Preciso que você faça uma coisa.
Pentre seguiu seu olhar.
— o Oden...
— Yria.
O rosto de Pentre perdeu a cor.
— Por quê?
Amme sorriu de um jeito inocente.
— Porque você é o único que consegue conversar com ela.
— Isso é injusto.
— Se não fosse tão bom com palavras, eu concordaria.
Pentre abriu a boca para reclamar, mas Amme já havia empurrado levemente seu ombro na direção da multidão.
— Vá.
Ele suspirou.
— Vocês são terríveis .
Assim que Pentre se afastou, Amme caminhou até o irmão.
Oden mal percebeu sua aproximação.
— irmão?
Ele virou.
— Amme.
Ela segurou o braço dele e o puxou para um canto mais reservado.
— O que você sentiu?
Oden franziu a testa.
— O quê?
— Quando olhou para ela.
O príncipe ficou em silêncio.
A pergunta parecia simples.
— Eu... não sei.
Amme cruzou os braços.
— Sabe sim.
Ele desviou o olhar.
— Foi uma sensação estranha.
— Estranha como?
Oden demorou.
— Como se eu já conhecesse ela.
Amme suavizou a expressão.
— E você não acha isso um pouco importante?
— Amme...
— Não. Escuta.— Ela segurou os ombros dele. — Você passou a vida inteira sentindo as coisas antes de entender elas. Você sempre diz que seu éter percebe aquilo que sua mente demora para aceitar.
Oden ficou quieto.
Amme apontou discretamente para Aras.
— Olha para ela. — Ele olhou. — O que você vê?
Oden respondeu quase sem pensar:
— Alguém sublime.
Amme sorriu.
— E?
Ele ficou alguns segundos em silêncio.
— Alguém que parece estar procurando um lugar.
— Exatamente.— Ela respirou fundo.
— Oden... isso tem nome.
Ele levantou uma sobrancelha.
— Tem?
Amme deu um sorriso pequeno.
— Tem. Se chama destino!
Oden arregalou os olhos.
— Amme.
— O quê?
— Eu tenho um compromisso com Yria.
O sorriso dela diminuiu.
— Eu sei.
— Foi você quem nos aproximou.
— Eu sei.
— Então você está me dizendo para...
— Não estou dizendo nada sobre abandonar ninguém.— Amme respondeu com calma. — Estou dizendo para você ser honesto consigo mesmo.
Amme olhou para o salão.
Para Aras.
A jovem ainda observava as danças, completamente alheia à conversa.
— Oden...— Ele seguiu o olhar dela. — Você quer conhecê-la?
O príncipe demorou apenas alguns segundos.
Mas a resposta veio com uma sinceridade que surpreendeu até ele.
— Quero.
Amme sorriu amargamente.
— Quanto?
Oden respirou fundo.
— O suficiente para querer que ela faça parte da minha vida.
Amme sentiu uma pequena dor no peito. Aquela era exatamente a resposta que ela esperava e exatamente a que ela temia.
Ela virou de costas.
— Então eu vou ajudar.
— Amme...
Ela não olhou para trás.
— Só não esquece uma coisa.
— O quê?
Amme sorriu.
— Não quebre o coração dela.
Oden riu.
— O que quer dizer com isso?
— Ela parece ser especial.
Ele balançou a cabeça, divertido e completamente confuso com sua irmã.