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Meu namorado fantasma capítulo 9

hyan_amorim

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Segunda-feira, 13 de maio de 2024

É ela.

A Daniella é a minha Bela Dama.

Meu coração está disparado. No momento em que nossos olhos se encontraram, eu senti isso.

Eu não vou pressioná-la. Quando ela estiver pronta, virá me procurar.

Estou dentro do carro, segurando a máscara da Bela Dama em minhas mãos. Olho intensamente para ela.

- Nossa, irmão... você está mesmo apaixonado - diz Cecília, incrédula. - Mas que pena que ainda não encontrou sua Princesa de Papel.

- Se pelo menos você soubesse quem ela é... - acrescenta.

- Mas eu já sei quem é - digo todo bobo, sem tirar os olhos da máscara.

- Como assim? - pergunta Cecília, chocada.

- Eu sei quem é - digo com firmeza. - Mas ela ainda não está pronta para se revelar.

- Mesmo sabendo quem ela é, eu não vou pressioná-la - acrescento antes de dar um beijo na máscara.

Chego em casa e subo direto para o meu quarto.

Olho para a janela, onde está o pequeno cacto que Ariel me deu.

- E aí, plantinha? - digo enquanto me aproximo.

Mas, assim que olho melhor, percebo que a planta não está nada bem.

Ela parece murcha, um pouco enrugada e levemente inclinada para um dos lados. Algumas partes estão com uma coloração amarelada, e a terra parece úmida demais.

- Mas por que você está assim? - digo frustrado enquanto observo a plantinha. - Eu fiz tudo direitinho. Estou seguindo certinho o que vi na internet sobre cuidados com caquitos.

Pego a caixinha onde o cacto veio. Dentro havia um pequeno papel com o endereço e o contato da floricultura.

- Floricultura Jardim das Flores... - leio em voz alta. - Não é tão longe daqui.

Já sei.

Vou levar o cacto até lá para descobrir o que há de errado com ele.

Desço as escadas segurando o pequeno vaso nas mãos.

- Filho, daqui a pouco o almoço fica pronto, tá? - diz minha mãe enquanto passa por mim.

- Mamãe, posso ir até a floricultura? - pergunto com um sorriso. - É que meu cacto está murchando, e eu quero aprender a cuidar melhor dele.

- Pode sim, filho - responde minha mãe enquanto caminha pela sala. - Só não demora muito, porque daqui a pouco o almoço fica pronto.

- Sim, mãe - respondo enquanto sigo em direção à porta.

Mostro o endereço para o motorista, e ele me leva até lá.

Desço do carro e olho para a loja.

Nossa...

Ela é muito bonita, cheia de plantas na frente e vasos coloridos espalhados pela entrada.

Me aproximo e vejo alguém, de costas, regando as plantas.

- Com licença - digo sem jeito enquanto me aproximo.

A pessoa se vira e, assim que vejo seu rosto, fico surpreso.

É Ariel.

Ele está usando um avental com o nome e o logo da floricultura estampados.

- Sebastião?! - diz Ariel, chocado ao me ver. - O que você faz aqui?

- É que meu cacto não está bem - digo preocupado enquanto mostro a planta. - Eu segui todas as dicas que encontrei na internet, mas não funcionou.

- Deixa eu ver - diz Ariel, estendendo a mão.

Entrego o vasinho para ele.

Ariel pega a planta e começa a examiná-la atentamente.

- Ela vai ficar bem? - pergunto preocupado.

- Vai sim - responde enquanto coloca o cacto sobre uma mesa. - Você não seguiu os cuidados que deixei no bilhete?

- O único papel que tinha era o endereço da floricultura - digo, confuso.

- Ah... então o outro bilhete deve ter caído quando você tirou o cacto da caixa - explica Ariel, meio sem graça.

- Me explica como cuidar dela corretamente - digo apreensivo enquanto me aproximo.

- O nome dessa espécie é Mammillaria elongata, mas ela também é conhecida como "cacto-dedal" - explica Ariel enquanto acaricia de leve a plantinha. - Ela é pequena e parece resistente, mas também precisa de alguns cuidados.

Ele pega um pequeno regador e continua:

- Primeiro: nada de colocar água todo dia. Cacto não gosta disso. Você só deve regar quando a terra estiver completamente seca.

- Sério? - pergunto, surpreso.

- Sim. E outra coisa: ela precisa de bastante luz. Pode deixar perto da janela, mas tomando cuidado para não pegar sol forte demais logo de cara, porque ela pode acabar queimando.

Ariel aponta para a terra do vaso.

- E olha aqui... a terra está úmida demais. Acho que você colocou água em excesso.

- Ah... - murmuro, culpado.

- Relaxa, ela ainda vai ficar bem - diz Ariel com um sorriso. - Quando um cacto recebe água demais, ele pode ficar mole, amarelado, inclinado e até começar a apodrecer.

Arregalo os olhos imediatamente.

- Eu quase matei ela?!

- Quase - responde Ariel, segurando o riso. - Mas ainda dá para salvar.

Ele sorri enquanto segura o pequeno vaso.

- Igual às pessoas, algumas plantas só precisam dos cuidados certos.

- Eu prometo que vou cuidar melhor dele, tá bom? - digo, esticando as mãos.

- Se acalma, por favor. - diz Ariel, olhando para o cacto. - Ele não fez por mal. Vai cuidar bem de você a partir de agora.

- Você está falando com o cacto? - pergunto, chocado e incrédulo.

- As plantas também têm sentimentos, sabia? - responde Ariel enquanto me entrega o vasinho de volta. - Vou anotar todos os cuidados, tá bom? - acrescenta, pegando um pequeno caderno.

Ele logo começa a escrever.

- Eu prometo que não vou errar com você de novo. - digo enquanto olho para o caquito.

- Aqui. - diz Ariel, me entregando a folha de papel com todos os cuidados que eu precisava seguir.

Olho para Ariel e logo me lembro: ele é o melhor amigo da Daniella. Talvez possa me ajudar com ela.

- Você pode me fazer um favor? - pergunto, um pouco receoso.

- Que tipo de favor? - pergunta Ariel, surpreso.

- Você pode me falar sobre a Daniella? - digo, sem jeito.

- O quê?! - grita Ariel, totalmente chocado. - Por acaso você gosta da minha amiga?

- Tá tão na cara assim? - pergunto com um sorrisinho sem graça.

- Mas e a sua Princesa de Papel? - diz Ariel, ainda em choque. - Você não estava apaixonado por ela e procurando por ela feito um louco?

Será que eu conto para ele que a Princesa de Papel é a Daniella?

- Não vou permitir que você brinque com a minha amiga! - diz Ariel, ofendido, cruzando os braços.

- Se acalma, Ariel. - digo, chocado com a reação dele. - Eu não quero brincar com ninguém. Só quero conhecer melhor a Daniella.

- Ah, é mesmo? - pergunta Ariel, desconfiado, arqueando uma sobrancelha.

- Sim. - respondo enquanto pego uma rosa vermelha que estava ao meu lado. - Por favor, Ariel... - digo com um sorriso, erguendo a mão com a rosa.

- Para mim? - pergunta Ariel, chocado, enquanto pega a rosa. - Você é tão gentil... - diz ele, sem jeito, desviando o olhar.

De repente, a expressão de Ariel desperta uma lembrança em minha mente.

Era manhã, e eu caminhava pelo jardim de uma grande casa ao lado de uma mulher. Estávamos trajando vestes próprias do início do século XIX, e o jardim encontrava-se ornado por flores das mais variadas cores.

Então me abaixava e colhia uma flor.

- Permiti que vos ofereça esta singela flor, minha senhorita. - digo, estendendo-a em sua direção.

O rosto daquela mulher...

Ela se parecia muito com Ariel.

- Recebo-a com muita gratidão, senhor Álvaro. Sois deveras generoso. - responde ela, toda acanhada, aceitando a flor com delicadeza.

- Mesmo assim, não vou ajudar. - A voz de Ariel me puxa de volta para a realidade. - Se quiser saber sobre a Dani, pergunte diretamente para ela.

- Senhor Sebastião, sua mãe está me ligando. - diz o motorista do carro.

- Não me peça mais esse tipo de favor. - Ariel parece desconfortável. - Você sabe o que eu sinto por você.

Ele faz uma pequena pausa.

- Mas, se quiser saber sobre mim, terei o maior prazer em contar. - acrescenta, ficando vermelho.

Pera aí...

O Ariel gosta de mim?

- Você gosta de mim? - pergunto, chocado.

- Sim. Ou você ainda não se lembrou das minhas múltiplas declarações? - responde Ariel, levando a rosa até o nariz.

- Senhor! - insiste o motorista.

- Já estou indo. - digo, ainda em choque. - Até amanhã, Ariel.

- Até. - responde ele sem tirar os olhos da rosa.

Ele gosta de mim?

Volto para o carro ainda completamente chocado.

O Ariel gosta de mim?

Não... ele gosta do Sebastião.

Acho que é por isso que a Daniella está tão receosa em se revelar.

Fico pensando naquela mulher da minha lembrança.

Ela é idêntica ao Ariel.

Ela me chamava de Álvaro... então esse era o meu nome naquela vida passada.

Mas por que estou tendo essas lembranças?

Primeiro, aquela lembrança de mim dançando com aquele homem no estábulo. Agora essa.

Tenho a sensação de que Daniella e Ariel fizeram parte da minha vida passada como Álvaro.

Assim que chego em casa, sou surpreendido por uma notícia trágica.

Meus pais e minha irmã estão em choque.

Uma aluna do segundo ano, chamada Bárbara, foi encontrada morta no banheiro da escola após sofrer uma reação alérgica.

- Pobre menina... - diz minha mãe, ainda muito abalada.

- Eu vi a Bárbara no intervalo. Ela estava bem. - diz Cecília enquanto enxuga as lágrimas. - Ainda não consigo acreditar que ela morreu.

- Não consigo imaginar como deve estar a mãe dessa menina... - diz minha mãe, começando a chorar.

- Se acalma, amor, senão você vai passar mal. - diz meu pai, preocupado, enquanto segura sua mão.

Terça-feira, 14 de maio de 2024

Por causa da morte da Bárbara, as aulas foram suspensas hoje.

A mídia está um caos, e a polícia continua investigando o caso.

É de manhã, e estou no circo abandonado.

Ficar aqui me faz lembrar da minha vida como Luiz.

Olho para o palco e me recordo das apresentações, das luzes, do público sorrindo e das gargalhadas ecoando pelo circo.

Até que uma lembrança específica invade minha mente.

Aquele fatídico dia.

Eu estava me apresentando quando, de repente, uma dor intensa surgiu no meu peito.

Era como se algo estivesse apertando meu coração com força.

A pressão aumentava a cada segundo.

Minha respiração começou a falhar.

O ar parecia não entrar nos meus pulmões.

Senti uma dor forte se espalhar pelo peito e subir lentamente pelo pescoço e pelo braço.

As pernas começaram a perder a força.

O sorriso que eu mantinha no rosto desapareceu.

Os sons ao meu redor ficaram abafados.

As vozes do público começaram a ficar distantes.

Levo a mão ao peito e sinto exatamente a mesma sensação.

Era como se eu estivesse revivendo tudo outra vez.

- Mamãe... papai... - murmuro chorando enquanto aperto o peito.

De repente, tudo ao meu redor começa a girar.

Minha visão fica embaçada.

E então...

Tudo escurece.

- Sebastião, acorda! - escuto a voz de Daniella me chamando.

Abro lentamente os olhos e logo a vejo ao meu lado.

- Você está bem? - pergunta, preocupada.

- Eu tive uma lembrança muito forte - digo com a voz fraca enquanto me sento. - Acho que foi minha última lembrança... a lembrança da minha morte.

- Você se lembrou do infarto que teve? - pergunta Daniella, chocada.

- Como você sabe que eu tive um infarto? - pergunto, desconfiado.

- Porque você me contou. - Daniella responde com firmeza enquanto me ajuda a levantar.

- Eu finalmente consegui... me lembrei de toda a minha vida como Luiz - digo, satisfeito.

- E as lembranças depois que você morreu? - pergunta Daniella com cuidado. - Você ainda não se lembrou?

- Não... - respondo, pensativo.

- Pensei que, assim que abrisse os olhos, você se lembraria de mim - diz Daniella, frustrada.

- Mas eu me lembro de você. - Dou um sorriso enquanto seguro suas mãos. - Você é a Bela Dama. Você é meu amor.

- Então você me reconheceu? - pergunta Daniella, toda boba.

- Claro. Eu não caí naquela desculpa de que a máscara apareceu magicamente na sua mochila - digo com firmeza. - Eu te reconheci assim que vi seus olhos castanhos. - Acrescento enquanto acaricio seu rosto.

- Eu tentei te dizer várias vezes - diz Daniella, toda boba. - Mas as palavras simplesmente não saíam.

- Quer dançar comigo, bela dama? - pergunto, erguendo a mão.

- Eu queria poder dançar com você em um salão de festas cheio de gente - diz Daniella, com os olhos brilhando. - Mas, no momento, isso é impossível. - Seu olhar logo se entristece.

Então começamos a dançar.

- Por quê, bela dama? - pergunto, confuso. - Está se referindo ao seu amigo Ariel?

- Eu sei que ele gosta de mim. Ele se declarou para mim ontem! - acrescento.

- O Ariel gosta do chato do Sebastião - diz Daniella com firmeza. - E não do Luiz.

- Então qual é a sua preocupação? - pergunto, sem entender.

- Minha madrasta e as filhas dela - responde Daniella com a voz cansada. - Aquelas três infernizam a minha vida.

- Não vamos pensar nelas agora. - Toco o rosto dela com as duas mãos. - Vamos falar só sobre nós dois.

- Luiz... - diz Daniella, com os olhos brilhando enquanto me encara.

- Sim? - pergunto sem desviar o olhar.

- Eu te amo. - Daniella toca meu rosto suavemente.

Sinto meu coração acelerar.

- Eu também... - sussurro enquanto aproximo meu rosto do dela.

Chego mais perto.

E mais perto.

Até que nossos lábios finalmente se encontram.

No instante em que nossos lábios se tocam, minhas memórias como fantasma voltam com força.

Eu me lembro de tudo.

De quando conheci Daniella.

Das nossas promessas.

Da maldição dela.

E, principalmente...

Da promessa que fizemos de partir juntos para o além.

#romancesobrenatural

Thoughts

  • PatriciaNeves

    Caquito! Fazia anos que eu não via ninguém chamar cacto assim, e o rapaz conversando com o vasinho como se fosse bicho de casa.

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