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Nós e Osíris II - O Braços Esquerdo: II

FinnMcCool

Conteúdo da publicação

- (É aqui. Aqui que ele me pediu pra vir. Quando ouvi o que disse, eu tinha certeza absoluta de que não vinha. Como eu poderia? Já a vi como está (deve estar muito melhor agora) e, como esperado, a registrei... é rezar para que ele não tenha visto os jornais. Se ele me convidou então é porque não viu. Não faria sentido. Olha como me olham. Acham que vim aqui para fotografá-los, ou a ela de novo sob nova perspectiva. Sob estado fúnebre civilizado, só querem saber de personalidades conhecidas. Não é nada sensato vir aqui, ainda mais com atraso. Mas eis que vim, que seja.)

E à entrada, a entrada de algo a muito separado. Os suscedentes da cisma. A muito tempo estamos todos aqui. A magnitude e profusão e a decisão do imemoriável. A pontualidade daqueles ali foi transformada em pressa para que ofegassem, não chorassem. Manter sua própria água e manter a própria vida. Sem mar. Sem rio. Seja bom, seja misericordioso, faça fiado, Charonte. Transição e integridade: não se movimente, permaneça parado, intacto. Levar e chegar, acabar e terminar. Mais uma.

Clementia, por mais que se esforce, chora. Corona e Piedade, por mais que se esforcem, comovem-se apenas com grande empenho. Mais alguém, alguém. Coerentes a essa igreja, ateus, estoicos, todos pensam no fim de que ao menos não foram eles mesmos. Thanatos, Shinigami, Lama, Hela ou o Soberano que aqui escolhem esvaem a alma, e ali jaz o que resta. Aqui dentro, não hão de profanar. É o mesmo Deus, irmãos... sabemos sim onde está ela, ou onde vai ela.

- (Já está quase acabando... já vão levar.)

Chega sem fogo, sem seu trabalho. Irônica mão gelada:

- E não é que você veio mesmo.

- Não quis ser indelicado. Minha mãe me ensinou a não recusar convites a não ser que seja estritamente necessário.

- Os encontros do Clube não estão inclusos na sua regra, aparentemente.

- Deixe disso. Sabe que não tenho tempo nem mais interesse.

- E no que você de fato tem interesse mesmo?

- Poucas coisas. E funerais certamente não tem sido uma delas.

- É o que?

- Poucas coisas. E funerais certamente não tem sido uma delas.

- Mais alto!

- FUNERAIS NÃO TEM SIDO UMA DELAS! Aposto mais dois anos de trabalho até você perder de vez a audição.

- Ah, não é de se surpreender, você já acompanha as prelimimares de todos eles em primeira mão. Não precisa se alongar mais. Consegue o que quer e vai embora.

- Fique você com seus fogos e que eu ficarei com minhas fotos, Pirotécnico. E sua ocupação por aqui? Não nada seu para a festa.

- Leonardo, não somos Irlandeses e os Nórdicos daqui não foram permitidos de se manifestar por pedido da família, e nós nos conhecemos a mais de quarenta anos. Você pode me chamar pelo meu...

- Assim na terra como no Céu, Amém.

- Todos se achegam.

- Vá lá ver.

Abanada a emanação dos turíbulos: Bruges, Desdêmona. Izanami: atrás da pedra, escondida e deplorável. Não deveria tê-la visto. Amaldiçoado: mil mortes diárias. Não darei luz a mais que isso para compensar. Maldita. Malditas sejam. Mas e quem agora pretende, deseja olhá-la?

- É, ela está bem melhor agora (esteticamente, fisicamente, talvez espiritualmente também...).

- Uma fatalidade. Era minha cliente. Frequente, sempre com colegas ou conhecidos, com alvará da prefeitura e documentos dos pais ia comprar os embalos para as festas. Conversávamos por um bom tempo até que se decidissem sobre o que levar, também a ajudava nas tarefas de química, curiosidades culinárias e tive o prazer de ter sido convidado para algumas de suas festividades.

- É mesmo uma pena.

- Era uma boa menina. E eu vi as fotos.

- ... Puta que pariu...

- Uma mistura de tudo que ela carregava com a própria composição do corpo, primeira ainda espremida contra o muro pelo caminhão, depois logo depois de recuarem o veículo e soltá-la. Uma copiosa aquarela de tintas, geléia, papel, maquiagens, lã e outros tecidos, carne e sangue. E por fim, encaminhada na ambulância nas melhores condições que o cuidado com a fragilidade inanimada poderia proporcionar.

- E por que me chamou? Sabendo disso?

- Para ser sincero, não sei. Mas acho que para tentar te tirar do protocolo, puxar você lá de baixo mesmo que só um pouco aqui para cima.

- ...

- ... Para ver se... devo ou não te manter por perto, se você possui alguma noção, ou se minha noção está em pleno juízo. para ver se... você se comove, com a mais básica, fundamental concepção de empatia.

Esperando, esperando, esperando o momento certo. Busca minuciosa. Visão impecável, perseguição cautelosa, impacto descendente. Voluptuosamente acostumado, não fogem as presas.

- ... Por que viraste como um abutre? Aquele baluarte e seus trabalhos já não são o suficiente?

- Em Roma como os Romanos.

- Aposto que sua visão é muito, muito apurada, óbviamente, melhor do que a minha só por você ter dois olhos funcionais. Apenas olhe em volta, dê seu veredito, sem floreios: Isso é mesmo o que acontece?

- "Se não tem pães, que comam brioches." Quando vira o tempo, eu não espero a tempestade passar, eu passo pela chuva o mais rápido que posso.

- Não sei o que deu em você. Até poderia dizer que foi a Aisha, mas isso já vem de muito tempo... espero que as últimas desgraças mais próximas de você coloquem um pouco de juízo na sua cabeça.

- Ela nem disse isso na verdade, a rainha deficit.

- Você quem disse.

Eles querem uma resposta, sempre querem. Nunca se contentam com os benefícios da dúvida. E é por isso que gostam tanto Dela. Faz pouco o sol surgiu, algumas horas até que desça sobre o indicador de Zepar, que se esconda atrás do Alicerce e do Esperança, período solar. Ritualizada, sedada, some a fumaça do turibulo porque foi aspirada. Um beijo para acordá-la? Alguém? Chapéus, distintivos distinguíveis distintos, firmemente de pé lá fora esperam, ainda mais uns muitos pela frente, além, mais além. Não querem esperar.

Passo, passo, passo passado. O que é o que é: Quem conhece o tempo mas não os horários?

- Já disse como você fica bem de tapa olho?

- Questões médicas. Os óculos escuros atrapalhavam meu olho funcional.

- Nasceste como Joyce velho.

- Não me venha com nomes acadêmicos que você se interessa ou que só tirou das palavras dela, e foi aos dois anos.

- O ciclope de Clementia, três olhos... Os seus apelidos eram hilários... E o Aim ainda insistia em te chamar de quatro.

- Seria de bom tom você não trazer essas coisas à tona... já passou do tempo em que gostava de rir de mim mesmo.

- Deixou o ego tomar conta? Humor como esse é melhor quando mais o tempo passa.

- Quando o sentido dilui e não resta nenhum amargor de maneira alguma e quando não resta nenhuma resposta coerente para a piada a não ser rir. E pra você entender muito bem, essas aí envelheceram como leite.

- Se você diz...

- É o meu direito permitir ou não, e se você não quiser respeitar, não se preocupe, posso devolver tudo na mesma moeda: e como você tem material quente, fresquinho, pra ser motivo de chacota. Ou melhor, anedotas.

- Olá, senhor Andras. Estamos interrompendo algo?

- De modo algum, senhora. Eu sinto muitíssimo... vim o mais rápido que pude assim que soube...

- Claro... que bom ver você aqui. Ela sempre falou muito sobre o senhor...

- É mesmo uma tragédia...

- Como pode, como pode... ela saiu de casa de manhã, passamos uma hora a procurando, meu marido ligou para a polícia, até que um morador de Corona nos ligou...

- Não precisa entrar em detalhes, sei o quanto é doloroso...

- Sim... e eu não entendo, não consigo entender...

- Todos estamos... suscetíveis a infortúnios como...

- Ela estava fugindo, estava fugindo.

- Desculpe, pode repetir um pouco mais alto?

- Ela estava fugindo, estava fugindo... daqui? Da escola? De nós? ... Óh Deus, O que fizemos nós de errado?

"Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que ali firmaste, Pergunto: Que é o homem, para que com ele te importes? E o filho do homem, para que com ele te preocupes?"

Sinos rebimbantes, logo chega. Tarda, mas não falha. Rezam, rezem, o quanto antes. Alguns já foram, pagaram seu tributo. Os cassetetes batem de leve nas palmas, abuso de paciência. Bênçãos passadas, embalagem. O que poderia ser, como poderia ser, quando poderia ser, onde...

- ... Meu Marido não sai de perto... dela...

- ... Ele deve tomar o tempo que for necessário a ele...

- (... Os Silepses estão impacientes).

- Já recitou tudo que tinha para recitar, implorou tudo que tinha para implorar, esvaziou o estoque do ciriero do bairro, chorou tudo que tinha de chorar...

- (Ou estão... certamente estão com pressa. Ao estilo do irmão que aqui se encontra: é claro que eles tem pavio curto).

- Acho que esse último não... e acho que não deve ter... quebrado o que tem de quebrar...

- ... Sim, desde ontem trêmulo, pálido, incompreensivelmente balbuciante...

- (Começou às seis. Já são oito e quinze. Mais quinze minutos. Eles sabem sobre as multas, não sabem?).

Conversar. Incensurável logo inconsolável. Um se aproxima do leito, o outro permanece imóvel, incólume onde está. Agora, despiciendo, a fantasia; término agora próximo, logo logo remoto. Aquelas horas foram suficientes para todo o escopo parental, apenas resta o mais próximo.

- Com licença...

- ...

- ... Olá senhor.

- ... Óh, querida, querida, querida... como está belíssima, surreal, estupenda...

- Senhor...

- Olha, olha olha. É o senhor Andras, querida. Pode cumprimentá-lo, pode. Pode comprar os fogos dele, pode brincar no Bosco, podemos ir a Porto Alegre como você sempre quis ir, pode ficar com meninos não vou implicar. Pode faltar às aulas pode pintar não precisa acompanhar a bolsa nem julgamentos pode ir às baladas não precisa vender as geléias às ruas pode observar os pássaros pode...

Está sem fogo; aqui, para si e os outros, sem seu trabalho. Irônica, condolente, condoída mão gelada, mas não fantasmagórica:

- ...

- ... Por que... por que isso... por que desse jeito?

- Ela está em um lugar melhor...

- Claro! Claro que está! Claro...

- ...

- ... Não é como se fosse muito... difícil...

- Ser melhor que aqui, sim. Chegar lá, tendo em vista a proposital e virtuosa falta de atalhos, certamente não.

Aguardem, Keres, aguardem! E por que? Nenhum segundo, minuto, hora, nenhum dia é suficientemente calmante, reconfortante. As Íris estão caindo e se preparando a nascer, simultaneamente no mesmo vento. O destino é logo adiante, aprontado e feito o novo cômodo, sem timidez. Viciosos, retroalimentados e auto-replicantes olhos mais que marejados. Por que não pacífico? Muitas são as flores dedicadas. Alívios de uma presença despojada, sóbria, comedida, taciturna mas não silenciosa, que se aproxima.

- ... Ah, senhor Andarilho.

- ... "Não celebrem entre os que choram, e não chorem entre os que se divertem."

Delicadeza em contraste à robustez. Golem. Os sentimentos que se derramam em borbotões, olhares turvos, variações de vida. Cumprimentos corteses. A procura de quem deve as desculpas. Ares severos para ambientes severos e assuntos severos. Solenidades.

- Desceu... desceu do monte até aqui?

- Não se comova tanto, é mais simples do que aparenta.

- (Curioso. Sempre o vejo às portas de todos os lugares dos redutos. Flexível. Mesmo com seu respeito, é então meu semelhante).

- Homem dos fogos, imaginava mesmo vê-lo por aqui.

- Não pense que apenas as relações de clientela seriam o suficiente para me fazer vir aqui, eremita. Era muito mais que profissionalismo.

- Meus pêsames, pai e comerciante tão gentil.

- (Espero lá fora. Deixo-o? O espero, caso queira ele mais algum assunto com a minha pessoa. Mas não quero permanecer nessa lugubridade que não me compele o bastante).

- Minha cultura não faz uso de flores nessas ocasiões, são efêmeras, acima ou abaixo da terra. Mas dedico essas algumas com muito respeito à menina.

- ... Eu... agradeço...

- Não há problema? Seus colegas das sinagogas não implicam?

- Que impliquem. Se profanarem a morte pura e superfluamente pelas suas tratativas, estarão em desacato às bifurcações do caminho de Deus.

Não perca o Styx Acheron Cocytus Phlegethon Lethe, não perca o Duat, não perca Helheim. Nem pelos presentes, os comparecimento e as oferendas, parecem haver, assim, resquícios nem indícios de vida. Agradecimentos. Encima da hora, não errem. Passo passo, passo passado. O que é o que é: quem conhece o tempo mas não os horários?

- Astromélias, Lírios Brancos, Crisântemos e também algumas Íris.

- Como conseguiu? Não vai me dizer...

- Não escalei a encosta por mais que pudesse e não trabalho para o Alicerce. Às vezes com sorte o vento às leva para perto de minha casa, e com ainda mais sorte, chegam inteiras nas redondezas.

- E considerando quantas trouxe, quanta ventura.

- ... Nosso remédio... o remédio... de sono dela...

- Aqui não estamos abusando da natureza, enlutado. Elas não vão embalá-la em sono ruim e, sinto em dizer, mesmo se concentradas, também não vão acordá-la... mas, que os responsáveis e o além às aceitem, modestamente. "Assim como veio, assim irá". Chega logo a hora, infelizmente. Insiro também um dos meus jaspes aos lábios dela, se me permitem.

- Disponha.

- Isso a privará do desespero e da exasperação, pacífica será, desapercebida de sua condição. Tudo correrá, em reparação à vida, indolor e mansamente.

- É muita gentileza sua.

- ... Sim...

- Faço também agora um Kriah, sei que não há outros seis para o fazerem comigo, mas me permitam.

- Espere...

Rompe seda. Muito por pouco. Alguns segundos já são acréscimos. Cessão do ódio, um pedaço de pena e compai-xão.

- ... Posso pedir a um alfaiate para consertar? Posso? Conhece o Mr. F? Conhece? Óh, como desfiou...

- Senhor... minha atitude é de minha crença, atitude de enternecimento, direcionado à sua amada filha.

- ... Um exemplo excepcional de solidariedade você, senhor Andarilho, considerando que nem mesmo a conhecia. Aceitamos toda a compreensão, não é senhor?

- ... Claro...

- Sabe, um... amigo meu, definitivamente devia aprender alguns modos com você, eremita.

- Às ordens. O fotógrafo? O nome me foge agora...

- Leonardo Allocer.

- Ah sim, claro. Faz pouco menos de um ano que deixei de acompanhar os jornais, mas as representações daquele homem, me valendo até de eufemismos, tornaram-se lamentáveis, enojáveis, dignas de pena.

- O senhor foi mesmo atenuante com suas palavras...

- Não desejo o mal a ninguém, mas esse sujeito possui um perigo que, ao que me parece, apenas outro de igual ou maior potência parece poder corrigir. Espero que não seja necessário chegar a esse ponto para que o orgulho se retraia. "A inclinação almeja apenas aquilo que é proibido".

- Sem sombra de dúvidas.

- Como tocaste no assunto, há algo que mais me incomoda na atitude do seu amigo. Pelo que sei, sua pessoa é de fato notória, o que, consequentemente considerando a abundância de ídolos diversos e carência de ídolos próprios daqui, ele, de certa maneira, nos representa.

Comunidade. Agora um minuto já é acréscimo. Caindo, cedendo, dobrando-se aos efeitos da hipnose. "Um corpo em movimento tende a permanecer em movimento"

- ... Amplamente, pode até ser. Mas, com efeito, somos melhores que...

- Não justifique demais. Um conselho, senhor pirotécnico: Nós judeus, povo de Israel, em parcelas específicas envolvido na morte de Cristo, se não fosse a advertência da Virgem, quase pagamos por inteiro um preço pontual.

- Desculpe, pode repetir um pouco mais alto?

"Aparecem flores na terra, e chegou o tempo de cantar; já se ouve em nossa terra o arrulhar dos pombos." Agora já são dois minutos, vinte e quatro segundos de acréscimos.

- ... Temos de ir...

- Certo. Vou ao Alicerce, acompanhar o Alboróquio.

- Me despeço dos senhores aqui. Não pense que a distância para com a sua filha seja um impedimento, senhor. Apenas me recuso veementemente a adentrar aquele lugar.

- ... Não se preocupe... sua presença por aqui já foi um grande alento...

- Não há de que. Pelo que pude ouvir, gostaria muito de tê-la conhecido.

Tramas curtas para vidas perdidas. A parte final, esteta. Agora, ou antes, três minutos, oito segundos já são delongas.

Recipiência completa, a mumificação. E o calcário acelera, para cobrir. Cadaverina em ouro. Termina a Prothesis, começa a Ekphora. Param os cassetetes, olham acertiva e inexpressivamente, já está concluído. Por pouco, mas concluído, sem excessões. E junto da transição muito se encerra, muito se consuma, pouco se conclui, acabou-se.

- ...

- ... Essa... pedra, na boca dela...

- O que tem ela?

- ... Isso não... irá calá-la, não é?

- A joia de Benjamin? Elemento dos muros da Nova Jerusalém? Garanto que não.

- ... E suas roupas? Tem certeza de que não quer uma nova?

- Meu armário é composto por trapos. Sem messianismo ou martírio, mas espero aliviar a dor dos enlutados com meu corpo e alma. E, sendo honesto, peças de roupa estripadas são um preço muito barato, uma barganha certamente injusta, a se pagar pela indulgência.

- E pensar que as pessoas o descrevem como a um indigente... É como Francisco, entre os homens.

- Nesse momento, guarde seus elogios a você, senhor pirotécnico.

- No mais, envio bênçãos de todo, Andarilho.

- Conte comigo, para o que der e vier.

- ... Vamos.

- Vamos.

E vão, vão vão. Romaria. Acima de todos, um indivíduo.

[Morre uma garota em trinta de agosto de 1980, em verdadeira desgraça. Como de praxe e hábito, prestei minhas simplórias homenagens. Sonhos, tempo, rebeldia, tudo isso, literalmente, irrompeu, estourou. Um atropelamento às seis e vinte e uma da manhã do dia vinte e nove. Nada pôde, assim, completar-se em si mesmo, pois, é uma pena, que mais facilmente seja de o fazer tendo mais e mais tempo. Também o sentem? Nos tempos que forem, no lugar que for, quem quer que seja que tenha acesso aos meus registros. E lá vão logo eles e ai, como ele bate...]

- Ai!

- Ah, desculpa, desculpa.

- Olha por onde anda! Cego!

[E mais uma vez, também de praxe, à levam para cima. Mais e mais umas vezes. Convivemos à base de extremos. Vejo, e como vejo, fui abençoado com bons olhos, diferente do nosso amigo dos lampejos. Deus há de nos castigar, a qualquer momento. A qualquer momento derrubam, a Babel tumular.]

- O quê? Não, não pode... por favor, foram só...

- Sinto muito senhora, mas essa é a lei. A senhora, como advogada deveria, melhor do que ninguém, saber disso.

- Ahm... o que houve, querida?

- Lamento senhor, mas três minutos, quase quatro de atraso, não podem ser tolerados.

- Mas... mas como assim?

- Terão de pagar a multa e o transporte ao Alicerce e o Alboróquio não serão cobertos pela prefeitura.

Quanta, quanta demora. Como voam os pássaros, vão eles para lá? Resoluções e expectativas. E ali alguns morcegos fugitivos.

- ... Ainda por aqui?

- Imaginei que quisesse conversar comigo.

- ... Sim...

- Mas isso é um absurdo!

- Sem pressa, sem pressa. No seu tempo, certamente não tenho nada o que fazer hoje.

- ... Deixe-me escorar, logo aí.

- Como ousam! Disparate! Isso é desacato e negligência institucional!

- ... Um trago?

- Não. Não sou movido a fogo como você. Mas aceito uma bebida, se sua intenção for tomar meu tempo para além daqui.

- ... Estou preocupado com você, genuinamente.

- Já lhe disse, não posso fazer nada. Apenas executo ordens contidas em nossos protocolos oficiais, não reclame nada a mim.

- ... Não tem porquê...

- Eu vou abrir um recurso contra sua divisão, contra seu departamento e se for necessário contra o Alicerce!

- ... E por que não? Está tão certo de si?

- E por que eu tenho de estar?

- ... Para mim, além de... eternizar a morte, assim como eles logo ali, com problemas e arbitrariedades, você faz algo... muito pior.

- ... E o que seria?

- Você ostenta a vida.

Atropófago. Volte as profundezas! A Niflheim, Nidhogg! "Aquele que golpeia com malícia". Não corta o mal pela raíz: roe-se sua cortiça, bebe-se sua seiva, e intocada está a gema apical.

- ... Não tenho muito a que me gabar.

- Então você exibe o seu pouco, a sua miséria.

- Simplesmente calhou oferta e demanda (e também posso assim fugir dela, em no completo outro extremo), quanta dureza.

- Se é assim que você pensa, tudo bem. Eu não posso te convencer do contrário. Decidi continuar... desejando o bem a você, desejando compreensão para você. Mas fazer você cair em si, isso só você pode fazer.

Acaba a espera. O caminho do destino, o peso e fundamento do fado. Diferente Dele, sem retorno. "Duas pessoas andarão juntas se não estiverem de acordo?"

- ... Enfim, gostaria que você não se perdesse mais.

- Eu guio um farol e você lança luzes fugazes aos céus, não temos como nos perdermos nem de nós, nem dos outros.

- Eles já foram. Foram só três minutos, muito inflexíveis.

- Como sempre.

- Tenho de ir, permanecerei junto daqueles até o fim, e darei mais todas as vênias que eu puder.

- Então vá lá, demonstrar seu amor.

- Me despeço.

- Sem bebida mais tarde?

- Sem. , ... E digo mais a você, de novo, em adição: "Tudo me

é permitido", mas nem tudo convém. "Tudo me é permitido", mas eu não deixarei que nada me domine."

Um vaga-lume, um abutre, carros e animais e atrás ao longe um negro gato. Os que caminham sobem com e por suas patas, já os que voam, preferem a estrutura, fixidez do solo. Passo, passo, passo passado. Não é noite, ninguém está saciado.

[Não estou aqui, mas bem eu poderia dizer:

Na entrada, sentindo o chão na planta do pé descalço.

Aqui, as lufadas de calor e atrás de mim, as nuvens.

E eu olho, olho. Para isso fui chamado:

Para louvar as coisas, porque são.]

Thoughts

  • ArnaldoBessa

    A multa pelos três minutos de atraso me revoltou mais do que o fotógrafo. A família enterrando a filha, e o fiscal lembrando a mãe advogada de que a lei é a lei. Norma usada desse jeito sempre cai em cima de quem já está pior.

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  • Florisvaldo

    Meu, esse Andras vendia os embalos, ajudava na química e ia nas festas da menina. Chamar o fotógrafo pra testar a empatia dos outros é coisa de quem tá com culpa.

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