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Meu décimo segundo... Virou um pesadelo

hyan_amorim

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Terça-feira, 23/01/2024

Estou completamente entrelaçado com Victor. Estamos nus. Ainda não acredito que fiz amor com ele… com o meu Victor Uchiha. Não foi como estar com Do-hyun — foi como se fossem duas pessoas completamente diferentes.

Victor abre os olhos e fica me encarando. Pelo olhar, sei que não é o Do-hyun… é o Victor.

— Bom dia, flor de cerejeira. — diz Victor, sonolento.

— Bom dia. — respondo, sorrindo, enquanto o abraço e apoio a cabeça em seu peito.

— Desculpa se ontem eu fiz algo que você não gostou. — diz Victor, um pouco receoso. — Foi a minha primeira vez.

— Você se saiu bem, não se preocupe. — digo, tímido.

— Com quem você gostou mais de fazer amor? Comigo ou com o Do-hyun? — pergunta Victor, ainda inseguro.

— Já falei para não criar rivalidade com ele… vocês são um só. — digo, olhando para ele. — Mas, para ser sincero… eu gosto do jeito fofo do Do-hyun. Porém, eu amei ainda mais o seu jeito… nada fofinho de ontem.

Digo isso antes de esconder o rosto em seu peito, envergonhado.

Depois de ficarmos um tempo deitados, tomamos um banho juntos. Agora estamos tomando café da manhã. Enquanto servia a mesa, a empregada percebeu o clima totalmente diferente e me deu um sorriso satisfeito antes de voltar para a cozinha.

— Você está sentindo falta das vozes na sua cabeça? — pergunto, antes de levar a xícara à boca.

— O Do-hyun é chato, mas… ele conseguia sentir magia. Poderia nos avisar sobre perigos. — diz Victor, pensativo. — Mesmo assim, prefiro manter as coisas como estão.

— Estou com medo de andar na rua agora. — digo, apreensivo.

— Não fique com medo, flor. — diz Victor, tocando minha mão. — Vou contratar seguranças para você.

— Não exagera também, né? — digo, incrédulo. — Eu não sou filho do presidente do Brasil.

— É para a sua segurança. — diz Victor, firmemente.

— Não me sinto à vontade com seguranças me seguindo. — digo, com convicção. — Se acontecer de novo, aí você contrata, tá bom?

— Assim você vai me deixar preocupado. — diz Victor.

— Não se preocupe, eu só vou para a casa da minha mãe. — digo, com um sorriso. — E também vou passar o dia todo te mandando mensagens, para você não ficar preocupado.

Victor foi para a empresa, e eu fui visitar minha mãe. Levei comigo o material de pintura que ganhei dele. Quando cheguei, apenas minha mãe estava em casa — Ariana ainda não havia voltado do plantão, e eu não sabia onde Ana estava.

Contei para minha mãe o que havia acontecido no dia anterior.

— Não duvido que tenha sido a Ana que fez essa brincadeira de mau gosto. — digo, cruzando os braços.

— Você e a Ariana precisam parar de implicar com a Ana. — diz minha mãe, irritada. — Quando vocês vão crescer?

— Não sei por que ainda discuto com a senhora. — digo, respirando fundo. — Já que a Ana é sua protegida.

— Você é insuportável mesmo, hein, Ariel? — diz Ana, surgindo de repente. — Por que eu perderia meu tempo tirando fotos suas?

— Não liga para ele, filha. — diz minha mãe.

— Nem um pouco. — responde Ana, revirando os olhos enquanto sobe as escadas.

Ela pensa que me engana… tenho certeza de que foi ela. Só ela se incomoda com a minha felicidade.

O clima ficou tenso, então fui para o jardim. Gosto de pintar as flores de lá.

Enquanto organizava meu material de pintura, acabei deixando algumas coisas caírem no chão. Entre elas, a pequena esfera com a Poção do Ceifeiro da Morte, que rolou pelo jardim.

— Olha quem está aqui! — diz Ariana, animada ao me ver.

Ela ainda estava com seu uniforme de médica.

— O que é isso? — pergunta, curiosa, ao se abaixar e pegar a pequena esfera.

— É uma poção que eu fiz. — digo, me aproximando.

— Eu vou te levar a um psiquiatra. — diz Ariana, incrédula, enquanto coloca a esfera na minha mão.

Assim que ela toca na minha mão, o líquido dentro da esfera fica vermelho.

Meu sangue gela.

— Que macumba é essa? — diz Ariana, assustada.

— É a Poção do Ceifeiro da Morte. — digo, chocado. — Se você tocar nela e depois entregá-la para outra pessoa, e o líquido ficar vermelho… significa que essa pessoa ceifou sua vida em uma vida passada.

— Você matou sua própria irmã? — brinca Ariana.

O líquido volta a ficar transparente.

Como assim… eu já matei ela?

— Segura de novo. — digo, colocando a esfera em sua mão.

O líquido fica vermelho outra vez.

— O que isso quer dizer? — pergunta Ariana, observando o líquido mudar de cor. — Eu… também te matei? É isso?

Do-hyun me contou que o assassino da vida passada me matou… e que, antes de morrer, eu o acertei com um punhal envenenado.

Não pode ser…

A minha irmã… é a reencarnação de Hyeon-um, o serial killer da vida passada?

Não… não posso acreditar que ela seja a reencarnação daquele monstro.

— Sim… — digo, com a voz trêmula.

— Por que está com essa cara? — diz Ariana, incrédula. — Não acredito que você acredita nessas coisas de vida passada.

— E daí que a gente se matou em outra vida? — acrescenta ela, dando de ombros.

É melhor eu não falar nada sobre Hyeon-um… O que eu estou pensando? Eu não posso suspeitar que a minha irmã seja o devorador de íris. Mesmo que Ariana seja a reencarnação de Hyeon-um… ela não é ele.

— Vamos esquecer esse papo de vida passada. — digo, mudando de assunto. — Agora me conta, como foi o trabalho, doutora? — falo com um sorriso, passando o braço por cima do ombro dela.

— Eu tratei um caso de apendicite aguda. — diz Ariana, com a voz cansada. — É quando o apêndice inflama e pode até romper se não for tratado a tempo. O paciente chegou com muita dor no lado direito do abdômen, febre e náuseas… tivemos que agir rápido.

— Tá com fome, amor? — pergunto.

— Sim, muita. — diz Ariana, enquanto entramos em casa. — Me faz companhia?

— Claro! — respondo, sorrindo.

É noite, e estou em casa. Victor acabou de chegar. Resolvi não contar nada a ele… pelo menos por enquanto.

Ele ainda não tomou banho e continua de terno e gravata. Estou desenhando ele agora. Victor está sentado na cama, com os braços apoiados para trás, sustentando o próprio peso.

— Essa posição está perfeita. — digo, enquanto começo a fazer os primeiros traços.

— Logo essa posição, flor de cerejeira? — pergunta Victor, com a voz cansada.

— Sim. — respondo, concentrado.

Observo cada detalhe enquanto desenho.

— Fica quietinho… seu rosto é difícil de capturar. — murmuro.

Começo pelo contorno do rosto. Victor tem traços marcantes, mas ao mesmo tempo suaves. Um equilíbrio estranho… sério e fofo ao mesmo tempo.

— Difícil? Então quer dizer que eu sou complicado? — diz Victor, arqueando levemente a sobrancelha.

— Muito. — respondo, sorrindo de lado. — Seu olhar é intenso… mas, ao mesmo tempo, parece que está sempre escondendo alguma coisa.

Sigo desenhando.

Os olhos dele são escuros, puxados — herança clara da descendência coreana. O pai dele veio da Coreia ainda criança.

— Você ficou lindo. — digo, todo bobo, após terminar.

— Estou todo dormente. — diz Victor, levantando-se. Ele estica os braços para cima e os estala. — Deixa eu ver. — acrescenta, curioso, enquanto se aproxima.

— Se admira aí. — digo, virando o quadro para ele.

Victor observa em silêncio, encarando a tela com atenção.

— Você desenha muito bem, amor. — diz ele, ainda admirando.

— Estou um pouco enferrujado, mas ficou bom. — comento, analisando o desenho. — Assim que eu praticar mais, vou fazer um retrato pintado. Quero usar as tintas que você me deu. — digo, com um sorriso.

— Eu vou tomar banho. — diz Victor, antes de dar um beijo na minha bochecha. — Já volto.

Ele se afasta, seguindo em direção ao banheiro.

Deito-me na cama, esperando meu marido voltar do banho.

De repente, meu celular começa a vibrar.

Pego o aparelho, mas, assim que abro as mensagens… meu corpo inteiro gela.

São fotos.

Fotos tiradas da janela do meu quarto.

Meu coração dispara.

Outras mensagens chegam, uma atrás da outra. Mais fotos… fotos de mim desenhando Victor. Fotos nossas, sorrindo, felizes.

E, logo abaixo, as mensagens:

“Você está tão feliz.”

“Como ousa ser tão feliz?”

“Você não merece ser feliz.”

“Eu vou acabar com a sua felicidade.”

Minha respiração falha.

Mais uma foto chega… da janela.

O desespero toma conta de mim.

Corro até lá, com as mãos tremendo, mesmo sabendo que as janelas são gradeadas. Estico o braço para fechá-la, meu coração está batendo tão forte que parece que vai sair do peito.

Mas, de repente — Uma mão surge do lado de fora.

Ela agarra a argola da minha camisa com força brutal e me puxa violentamente contra a grade.

— Aaaah! — grito enquanto meu rosto bate com tudo no ferro. O impacto é forte, seco, fazendo um barulho alto que ecoa pelo quarto.

— Victor! — grito, desesperado.

Tento me soltar, puxando para trás, mas ele é absurdamente forte.

— Seu desgraçado! — grito, em pânico, antes de morder com força o braço dele.

Ele usa mangas compridas pretas… e luvas.

Mordo com toda a força que tenho.

Mas ele não reage.

Nem um movimento.

É como se não sentisse dor… como se fosse completamente insensível.

O medo cresce ainda mais.

— Ariel! — Ouço a voz de Victor atrás de mim.

— Solta o Ariel! — grita ele, agarrando o braço do homem.

Agora somos dois puxando, tentando me libertar.

Por um instante, parece que não vai funcionar… mas então com um tranco violento, conseguimos puxá-lo.

O braço dele atravessa a grade, e o corpo bate com força contra o ferro.

O impacto faz a estrutura tremer.

E então eu vejo.

Capuz preto.

Máscara de caveira.

Meu sangue congela.

— Você… — minha voz sai trêmula. — Você é o assassino!

Estou diante do Devorador de Íris.

#romancesombrio

Thoughts

  • tmoreira93

    A esfera ficando vermelha nas duas mãos, cara. Os dois se mataram na outra vida e a Ariana ainda faz graça com isso

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