Envelopinho gordinho.
CAPÍTULO 16 OS MISTÉRIOS DO ACASO A PAIXÃO É PASSAGEIRA!
CAPÍTULO 16
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Envelopinho gordinho.
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CAPÍTULO 16
OS MISTÉRIOS DO ACASO
A PAIXÃO É PASSAGEIRA!
Pietrodeluccapoetanarcisosilva é uma publicação apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se uma assinatura gratuita ou uma assinatura paga.
A efemeridade do fogo estava defronte como um combustível altamente volátil, de queima rápida, o Poeta sabia que para reacender aquele incêndio de paixão uma simples cheiradinha no pescoço, seguido de um beijinho sonoplástico com direito a um sussurro quente era o básico mas foi o suficiente para a Helena chorar por sua delicada intimidade. Ela queria aproveitar cada minuto naquele quarto como se fosse a última vez! Era uma situação que de fato não sabia se era a última ou se o destino os agraciasse com outros momentos futuros de imenso prazer.
Há uma verdade implacável que rege os afetos humanos: a paixão é um incêndio que consome o próprio oxigênio. Ela nasce da urgência, alimenta-se do mistério e atinge o seu ponto de fulgor na consumação. No entanto, por ser eletricidade pura, sua natureza é essencialmente efêmera. Quando duas almas alcançam o ápice do desejo, como Narciso e Helena alcançaram naquela tarde de sábado, o tempo passa a correr contra o relógio. Se o fogo não for convertido na solidez mansa do amor estruturado, o destino final é o retorno ao isolamento de cada um. Compreender a finitude desse estado não diminui o seu valor; ao contrário, confere a cada minuto o peso de um brinde sagrado. O Poeta sabe que voar é um risco, mas escolhe a vertigem do agora, ciente de que as lembranças futuras serão o único patrimônio imune às cinzas do tempo.
Como sugere o próprio mistério do acaso, Helena Dolly e Narciso, O Poeta, formaram um casal ancorado na mais aberta, pura e sincera paixão. Era um magnetismo que desafiava a rotina cinzenta do escritório, uma força que transformava o balcão de atendimento em um palco de expectativas diárias. E como é sabido pela Sra. Maturidade, a paixão é passageira por natureza; seu tempo de vida útil, ao atingir a voltagem máxima de intensidade, rapidamente segue pelos caminhos da efemeridade. É um recurso escasso que deve ser aproveitado ao máximo enquanto arde no ápice do momento. Porque, depois que a tempestade química passa, se não houver a transição para um sentimento mais profundo e calmo, o resultado é o fim, simplesmente o fim daquele belo romance.
Naquele estágio da jornada, curtir Helena Dolly na íntegra, do jeito que o Poeta intimamente queria, revelava-se um desafio constante, quase litúrgico. Helena gerenciava o tempo com precisão milimétrica, oferecendo frestas e recuos que enlouqueciam a mente lírica de Narciso. No entanto, ele fingia se conformar com o curto espaço de tempo que ela lhe concedia no dia a dia. Para o homem apaixonado, um minuto ao lado daquela formosura era algo indispensável, valia mais do que o ouro dos tolos, e Narciso valorizava cada segundo como um banquete exclusivo oferecido às suas almas. Era uma fissura fora do normal, uma obsessão bonita que, embora estivesse destinada a terminar por opção futura dela, operava no presente com a força de um decreto irrevogável.
Acabou virando um costume, uma praxe estabelecida na dinâmica matinal da empresa: Narciso cruzava a porta de entrada já com o coração na boca e uma ou mais poesias prontas no bolso do paletó, dobradas com o esmero de quem guarda um documento oficial. Aquelas linhas eram entregues logo no primeiro bom dia, antes que o telefone tocasse ou a papelada acumulasse.
Naquela segunda-feira específica, o bolso carregava o peso leve e sagrado do poema "Sublime". O texto era o registro fresco, em tinta e sentimento, daquela noite inesquecível no hotel, onde os corpos haviam decifrado as estrias em braille e o prazer havia transbordado. Narciso ainda levitava no universo das letras, caminhando pelo corredor como quem pisa em nuvens — algo maravilhoso que só o amor em estado bruto oferece. Ele havia compreendido que o poder e a energia que uma poesia carrega numa folha de papel têm a capacidade real de fazer uma alma flutuar acima das misérias do mundo.
Ao se aproximar da recepção, o perfume floral de Helena já dominava o ambiente, trazendo de volta a memória sensorial do sábado.
— Oi linda, bom dia! Como você está maravilhosa hoje, Helena! — disse Narciso, segurando o passo diante do balcão.
— Oi Narciso, tudo bem com você? — respondeu ela, erguendo os olhos longos. — Obrigada pelo elogio, você sempre sabe como começar o dia de alguém.
— Tudo, eu estou ótimo! E você, como se sente hoje?
— Ótima, Narciso! Firme e sintonizada.
— Sabe, minha simpatia... eu passei o domingo mergulhado nas lembranças. Escrevi um poema para você como forma de brindar e memorizar aqueles momentos de ontem. Estou sem acreditar até agora, meu encanto... Foi algo mítico.
— Jura? Cadê? — perguntou ela, e Narciso pôde notar uma leve mudança na defensiva dela, um brilho novo e desarmado no olhar. — Eu estava esperando ansiosa por isso. Narciso, vou te falar uma coisa de coração: você mereceu e merece tudo de bom. Eu também gostei muito do nosso sábado. Foi especial.
Narciso tirou o envelope do bolso e entregou-lhe com as mãos levemente trêmulas, um detalhe que denunciava que, apesar de sua virilidade madura, ele ainda guardava a pureza de um menino diante da musa.
— É todo seu, querida! Espero que você guarde com o mesmo carinho com que escrevi, porque você tem o dom de me fazer muito feliz.
Helena recebeu o papel, sentindo a textura do envelope. Com um olhar meio romântico, daqueles que desarmam qualquer armadura, perguntou em um sussurro contido:
— Gostou de verdade de ontem?
— Adorei. E para ser bem honesto, fiquei mais apaixonado ainda por você! Você sabe disso, não sabe? A sua entrega me conquistou por inteiro..
A convicção de que a felicidade habitava seu coração era absoluta no peito do Poeta. Helena, por sua vez, deixava claro, mesmo que nas entrelinhas e nos silêncios entre as frases, que muitos momentos bons ainda estavam por vir, como se o sábado tivesse sido apenas a abertura de um portal. Narciso ficava encabulado, quase sem jeito diante daquele olhar misterioso que alternava entre a entrega e o limite, enquanto continuava:
— Helena, você não tem a menor noção do tamanho do sentimento que carrego aqui dentro, do quanto eu gosto de você! — confessou ele, buscando o olhar dela.
— Narciso, você é uma pessoa muito especial! Maravilhoso, um gentleman — confidenciou ela, mudando o tom para uma gravidade doce. — Adoro estar com você, o seu trato é diferente.
— Digo o mesmo, minha querida e amada! E você sabe que esse meu encanto não é de hoje, vem de uma longa semeadura.
— Te admiro muito, Narciso. Você tem algo que realmente me prende, algo que nunca senti por ninguém! E o mais curioso é que não é pelo que você é ou pelo que você faz, é a sua essência. Adorei esta poesia e a colocarei junto com as outras no meu envelopinho! — revelou ela, abrindo a gaveta.
O detalhe que fazia o peito do Poeta inflar de orgulho artístico era que o "envelopinho" de Helena já estava gordinho, estufado de tantas poesias acumuladas ao longo dos meses, um arquivo vivo alimentado pela inspiração que a própria presença dela transmitia ao Autor.
Helena dizia saber exatamente o que ele sentia, mas, na verdade, sua mente pragmática nem imaginava do que aquela alma poética seria capaz de fazer — para um coração super apaixonado e plugado na frequência do absoluto, qualquer loucura era apenas o prefácio de uma entrega maior. Narciso, embora intensamente entregue ao fogo da paixão, sempre foi um rapaz sensato. Ele ponderava suas emoções na balança da razão, caindo na realidade sempre que o idealismo ameaçava cegá-lo, pois sabia, com a sabedoria da idade, que voar sem asas era atividade restrita para pássaros e aeronaves. Na vida prática, ele tentava manter os pés firmes no chão, ciente de que quebrar a cara no asfalto da desilusão é um processo muito mais rápido do que construir uma história a dois.
Ele sabia perfeitamente que, se flutuasse além dos limites permitidos pelo jogo de Helena, as penalidades cairiam como uma chuva de pedras em sua horta — não pedras físicas, mas granizos de sofrimento emocional e rejeição. Mesmo com esse aviso silencioso do destino, ele não deixou de sonhar. A cada beijo roubado no corredor e a cada abraço de despedida, a ternura parecia um alimento sagrado que, em vez de saciar, aumentava a fome de sua paixão.
Helena, de tanto ler e reler as poesias que recebia no balcão, tinha decorado as manias, as pausas e os gostos do Poeta em poucas semanas. Ela confessou que lembrar dos afagos que recebera naquele momento de intimidade no hotel, trazia a mesma sensação de receber uma nova poesia das mãos de Narciso: é um suspense inicial seguido de um imenso prazer profundo, sempre com a certeza de que o desfecho seria lindo e memorável.
Tudo ali era ótimo, operando em uma harmonia rara. Até os abraços dela tinham o sabor da candura e do acolhimento. Ambos sabiam, lá no fundo, naquela zona franca onde a verdade não precisa de palavras, que aquele era o momento exato de se curtirem ao máximo, pois indícios sutis e silêncios calculados mostravam que a construção de uma vida a dois definitiva estava ficando cada vez mais distante no horizonte. A objeção espontânea da realidade era clara: restava viver o agora, da melhor forma possível, extraindo o néctar de cada instante. Era como se estivessem produzindo uma nobre arte cinematográfica, um filme de alta voltagem sensorial para que, no futuro, pudessem retornar às boas lembranças de todo aquele histórico vivido na euforia do prazer. Foi uma experiência surreal, mas o amor e a paixão, com suas amarras invisíveis, os mantiveram presos um ao outro por muito, muito tempo na memória do tempo.
Responda nos comentários:
O Poeta nos mostra que, embora a paixão seja efêmera e o futuro pareça distante, o 'envelopinho gordinho' de poesias guarda a prova de que o instante foi eterno. Você concorda com Narciso que a paixão deve ser vivida intensamente mesmo quando os sinais mostram que ela tem prazo de validade, ou prefere recuar para proteger a horta contra a chuva de pedras do sofrimento emocional?
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Este capítulo é uma publicação oficial do Selo 444. Descubra os mistérios do acaso todas as quartas-feiras e aos sábados.
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@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444
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Thoughts
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PermalinkEnvelopinho gordinho.
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PermalinkUm poema no bolso do casaco todas as manhãs antes do telefone tocar. Eu não aguentava uma semana, ó pá.
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PermalinkO capítulo responde à própria pergunta antes de fazer: quando o texto inteiro avisa que a paixão tem prazo, o envelopinho gordinho já é a resposta. Eu fico com o Narciso, mas por outro motivo. Recuar pra proteger a horta nunca protegeu horta nenhuma, só adiou a chuva de pedras pra um dia em que a gente já não tem o poema.
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PermalinkEla decorou as manias, as pausas e os gostos dele em poucas semanas, e ele acha isso romântico. Eu punha um olho nisso, epá.
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PermalinkRespondendo à pergunta do fim: vivo, sem dúvida. Aquele envelopinho gordinho na gaveta da Helena me fez pensar em quanto essa história já rendeu só em poemas, e aposto que o Narciso nem lembra da metade deles. Uma ideia, Pietro: os capítulos ficariam ótimos organizados numa série aqui no Seavien, fica mais fácil acompanhar do 1 ao 16.
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PermalinkUm envelope gordo de poemas na gaveta do balcão e ninguém no escritório deu por isso. Vais publicar o Sublime também?
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