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CAPÍTULO 11 — À MEIA-NOITE (parte 1)

ANGEL-AURORA
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Algumas semanas depois, ela tentou novamente.

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Ovid

O prazo que ela deu até a virada do ano e a mensagem que chega às 00:00 me fez pensar em como a gente inventa esses limites pra si mesmo e depois torce pra não precisar cumprir. Aposto que ela ouviu esse áudio umas cinco vezes antes de responder qualquer

O prazo que ela deu até a virada do ano e a mensagem que chega às 00:00 me fez pensar em como a gente inventa esses limites pra si mesmo e depois torce pra não precisar cumprir. Aposto que ela ouviu esse áudio umas cinco vezes antes de responder qualquer coisa.

Conteúdo da publicação

Algumas semanas depois, ela tentou novamente.

Mais uma vez, surgiu a oportunidade de convidar Ismael para um culto.

Dessa vez, quando fez o convite, a resposta foi diferente.

— Eu vou ver se consigo ir. Qualquer coisa apareço.

Ela respondeu apenas:

— Tá certo.

No fundo, esperou que ele aparecesse.

Mas naquele dia, ele não foi.

Um imprevisto havia acontecido.

E, mais uma vez, ela precisou guardar aquela expectativa em silêncio.

As semanas passaram.

O ano estava chegando ao fim.

E, com ele, parecia que também chegava o fim da esperança que ela ainda carregava.

Em dezembro, cansada de esperar por uma atitude que nunca sabia se viria, ela fez uma promessa a Deus:

“Pai, se até a virada do ano ele não falar comigo, eu vou desistir dele.”

Era o limite que ela mesma havia colocado.

Dali em diante, ela tentaria seguir sua vida.

Os dias continuaram passando.

Mas, antes que o ano terminasse, algo começou a mudar.

Eles voltaram a conversar.

Pouco a pouco, a distância foi diminuindo.

Até que chegou o dia 31 de dezembro.

Naquela noite, ela estava em casa com sua mãe, preparando tudo para a ceia de Ano-Novo.

A casa estava cheia daquele clima especial de fim de ano.

Família reunida.

Comida preparada.

Expectativas para um novo começo.

E então...

00:00.

O ano havia virado.

Ela abraçou sua família, desejou feliz ano novo para todos e, depois, pegou o celular para falar com os amigos.

Abriu o WhatsApp.

Olhou para as mensagens.

E foi aí que viu.

Uma mensagem enviada exatamente à meia-noite.

Ismael.

Ela abriu.

Era um áudio.

A voz dele dizia:

“Feliz ano novo, Jheniffer.”

Ela ficou parada por alguns segundos.

Justamente naquele momento.

Justamente no último dia do prazo que havia dado a Deus.

Seu coração se encheu de emoção.

Ela estava chocada.

Talvez para qualquer outra pessoa fosse apenas uma mensagem de Ano-Novo.

Mas para ela...

Significava muito mais.

Uma pequena luz de esperança, que ela achava que estava apagando, voltou a acender.

E, naquele instante, ela pensou:

“Então ele falou comigo...”

Os dias passaram.

E logo surgiu um novo evento da igreja.

Seriam quatro dias de programação, praticamente ocupando o dia inteiro.

No primeiro dia, ela foi pela manhã, passou a tarde e voltou à noite para o culto.

E Ismael estava lá.

Os dois se viram.

Trocaram alguns olhares.

Mas nada aconteceu além disso.

Não conversaram muito.

No segundo dia, ela não passou o dia na igreja.

Foi somente à noite.

E, novamente...

Ele estava lá.

Mais alguns olhares.

Mais aquela sensação estranha de perceber a presença um do outro sem saber exatamente o que fazer.

No terceiro dia, ela passou o dia inteiro na igreja.

Teve almoço.

Eles almoçaram na igreja e passaram parte da tarde por lá.

Depois foram para casa.

Mais tarde, voltaram para o culto da noite.

E assim o evento foi chegando ao último dia.

No último dia, a programação seria apenas à noite.

Ela aproveitou a tarde para se cuidar.

Lavou o cabelo, escovou, cortou a franja e aparou as pontas.

Depois, dormiu um pouco para descansar antes do culto.

Enquanto isso, Ismael estava na piscina com o pessoal da igreja.

Os dois começaram a conversar pelo celular.

Em determinado momento, ela perguntou:

— Vai hoje à noite?

Ele respondeu:

— Vou sim. E você?

Ela:

— Eu vou.

Enquanto conversavam, ela estava terminando de arrumar o cabelo.

Então decidiu mostrar a mudança.

Tirou uma foto e mandou para ele:

“Olha a doideira que eu fiz no cabelo.”

A resposta veio acompanhada de risada:

“Tu já tá fazendo loucuras, né? Kkkkk.”

Ela explicou:

“Kkkkk, só foi as pontas.”

E então ele respondeu:

“Ficou bonito.”

Ela ficou sem graça.

Aquela simples frase conseguiu arrancar dela um sorriso.

Mas ela não prolongou muito a conversa.

Deixou Ismael aproveitar a tarde com o pessoal da igreja.

E ela também precisava descansar.

Deitou-se para dormir um pouco antes de se arrumar para o culto.

Só que, enquanto ela fechava os olhos naquela tarde, talvez nem imaginasse que aquela noite ainda guardaria alguma coisa para os dois.

Era o encerramento do evento.

E, depois de tantos meses de distância, tantos encontros, olhares, mensagens e pequenas coincidências...

eles finalmente estariam no mesmo lugar outra vez.

Só que, dessa vez, alguma coisa parecia diferente.

E ela ainda não sabia o que estava prestes a acontecer.

Thoughts

  • AmandaPeixoto

    Ele nunca explica qual foi o imprevisto que o impediu de ir ao culto. Quem fica devendo explicação resume desse jeito mesmo, visse. Você tem mais capítulos sobre esse ano de espera dela?

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  • AlmaTavares

    Fiquei com a parte em que ela põe um prazo e não conta isso a ninguém. Há uma calma estranha nessa decisão, é quase um descanso: passa a existir uma data, e a espera deixa de ser sem fim.

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  • tresPaginas

    Que aflição.

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  • HoracioMelo

    Um áudio à meia-noite em ponto. Gostei muito dessa parte, o rapaz demorou meses e depois foi certeiro como um relógio de estação.

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  • Ovid

    O prazo que ela deu até a virada do ano e a mensagem que chega às 00:00 me fez pensar em como a gente inventa esses limites pra si mesmo e depois torce pra não precisar cumprir. Aposto que ela ouviu esse áudio umas cinco vezes antes de responder qualquer coisa.

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  • linhaTorta

    Ela marcou um prazo com Deus até a virada do ano e a mensagem dele chegou exatamente às 00:00. Pondo em ordem: ele passou dezembro quase inteiro calado e reapareceu no último minuto possível, o que me deixou com mais dúvida sobre ele do que sobre ela. Fico do lado dela aqui, porque quem espera esse tanto já sabe de cor a diferença entre alguém que chega e alguém que só não some de vez.

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