série crônicas
Estou aqui pensando sobre como foi a semana. Bem comum e normal; deve ser igual a todas as casas com duas meninas. A minha filha mais velha, de sete anos, anda seguindo um rigoroso cronograma de treinos em casa: todos os dias pela manhã, após o café, dá quinze voltas correndo em torno da casa e pula mais alguns minutinhos no pula-pula que fica na garagem.
Perguntei o motivo de tudo aquilo, e a resposta foi:
— É que eu sou lenta demais. Então, fiz um cronograma. Estou fazendo séries de cinco, cinco e cinco, que no total dão quinze voltas, e mais uns exercícios no pula-pula.
Insisto em perguntar o porquê de tanta cobrança, e ela rebate:
— Porque eu sou lenta na educação física, já te falei! Quero melhorar a minha corrida e ser a primeira.
À tarde, recebo uma mensagem da secretaria da escola notificando que a minha filha mais nova, de quatro anos, havia feito xixi na roupa e não havia troca reserva na mochila. Pediram para levar meias, sapato, calça e calcinha. Eram três da tarde. Arrumo uma sacola com todas as roupas, incluindo até outra jaqueta. A professora tira a roupa suja de xixi e coloca direto no bolso menor da mochila dela, que não é impermeável. Resultado: molhou tudo lá dentro. Já a minha outra filha deixa a garrafa de água aberta e molha todo o interior da bolsa dela e alguns livros.
Mais tarde, no carro, pergunto para a caçula por que ela não foi ao banheiro, e ela responde:
— Eu disse para a professora que queria ir, mas ela falou "é só um minutinho". E um minutinho, para mim, é muito, eu não aguentei.
E eu indago:
— Mas por que você fica segurando o xixi até o último momento para pedir para ir?
E ela:
— Eu não sei, só fiz. Um minutinho é muito para mim.
Resumo da ópera: em casa, tive que lavar as duas mochilas. Já a minha filha mais velha estava feliz porque fez um gol.
Na terça-feira, elas pedem para andar de bicicleta na frente de casa. A mais velha cai e rala as mãos; a mais nova corre e arranca o tampão do dedão no asfalto. Nenhuma das duas chorou.
Na quarta-feira, a caçula estava toda feliz porque a plantinha que ela havia plantado na sala de aula nasceu, e ela estava trazendo a "filha" para casa. A mais velha também estava radiante porque foi dia de filme na aula de educação socioemocional.
A quinta-feira foi dia de reunião após a aula para os informes de rematrícula. Também foi dia de "xis-salada", que elas chamam de "xis-saladeira". Elas choraram no carro porque queriam comer lá na lanchonete, mas levamos os lanches para casa — já estava tarde e fazendo muito frio.
Na sexta-feira, fomos buscá-las na escola. Na volta, quando passávamos perto do shopping, a mais nova anunciou que queria ir ao banheiro. O detalhe é que sempre que estamos perto do shopping ela diz que quer fazer xixi lá; na maioria das vezes, ela só quer passear e inventa uma desculpa. Mas, enfim, dessa vez ela cravou que estava querendo fazer cocô:
— Não vou aguentar, vamos ao shopping!
Mas ainda havia três semáforos antes da entrada.
— Não vou aguentar! Rápido, papai!
Segundo semáforo.
— Rápido, rápido, rápido!
O pai tenta acalmá-la:
— Minha filha, a gente está no trânsito. Não posso acelerar, temos que esperar o sinal abrir.
Terceiro semáforo. Ainda no vermelho.
— A gente não precisa mais ir. Eu fiz cocô.
Eu, chocada, pergunto:
— Sério que você fez mesmo cocô?
— Fiz, não deu para segurar.
— Você está com dor de barriga? — questiono.
— Não... Mas vamos para casa, porque eu tô nojenta com cocô — responde, fazendo ânsia de vômito.
A minha outra filha, do lado, começa a ter ânsia de vômito também:
— Mãe, tá muito fedorento! Vou vomitar!
— Vou desligar o ar e abrir os vidros do carro! — eu aviso, desesperada.
Apesar de tudo, conseguimos chegar em casa sem vômitos. Para fechar com chave de ouro: ao abrir o portão, encontro minha filhote de pastor-alemão de cinco meses baixando o espírito de jardineiro e arrancando todas as plantas que eu havia plantado este ano no jardim. Levo as duas para tomar banho.
À noite, estou preparando a janta e a minha filha de sete anos dispara:
— Mãe, eu tenho três planos, qual você prefere?
— Minha filha, pode ser depois? A mãe está fazendo a janta.
A mais nova entra na história:
— Eu voto na bicicleta! Bicicleta, bicicleta, bicicleta!
E de repente:
— Mudei de ideia! Luana, Luana, Luana!
A outra repetindo sem parar:
— Mãe, mãe, mãe, mãe!
— Tá bom, tá bom! — Paro de preparar a janta, me viro para elas impaciente e digo: — Fala.
Ela, empolgada, começa:
— Meu primeiro plano: amarrar o dente em uma cordinha, amarrar a cordinha na porta e bater a porta com força. Segundo plano: amarrar uma cordinha no dente e a minha irmã andar rápido na bicicleta e puxar o dente. Terceiro plano: amarrar o dente na cordinha, amarrar a cordinha em um brinquedo da Luana (nossa filhote de pastor-alemão de cinco meses) para ela sair correndo e puxar o dente.
E, toda séria, conclui:
— Mãe, não se preocupa. Não é para fazer hoje, é para fazer amanhã, tá?
Eu tento processar todas aquelas informações, com a minha outra filha pulando e saltando de alegria, gritando "Luana!".
— Você está com o dente mole de novo? — pergunto.
Ela responde:
— Com dois!
A mais nova emenda:
— Então dá para fazer de bicicleta e com a Luana! Eu tô tão animada! — diz, pulando de alegria.
O pai, que veio ouvir a conversa, fala:
— Se for fazer isso, faz em um dia que eu não estiver em casa.
Olho para ela e respiro fundo.
— Adorei seus planos, mas é melhor esperar mais um pouco, deixar o dente ficar mais mole. Amanhã a gente conversa mais sobre os seus planos, ok? Posso terminar a janta?