Você se lembra?
Lembra das nossas primeiras vidas?
Eu tenho flashes delas.
Lembro de como você sempre era a criatura mais bela em todas as eras.
Lembro do seu cabelo.
Da sua pele.
Das pinturas sobre ela.
Lembro de como, em uma de nossas vidas, você me feriu gravemente durante uma guerra.
Lembro que, depois daquela vida, eu voltei e você era uma menina.
Você se casou com um nobre.
E depois perdeu a vida.
Lembro de colher ao seu lado.
Foi no inverno que pecamos contra algo sagrado.
E eu morri.
Nunca consegui te esquecer.
Em milhares de vidas, em diferentes épocas, em diferentes corpos, eu sempre encontrei você.
E sempre amei você.
Eu ainda amo você.
Entendo que pode ser uma maldição.
Mas, se for, aceito carregá-la.
Porque o destino sempre me leva pela mão até você.
Por mais vidas que passem, por mais nomes que tenhamos, por mais vezes que eu precise te encontrar, eu sei que acabarei diante de você outra vez.
E espero que, nesta existência, eu possa finalmente te ter.
Se aceitar, eu vou.
Serei devoto a ti.
Farei o impossível para te ver sorrir.
Darei a você tudo aquilo que estiver ao meu alcance e, se não estiver, encontrarei um caminho.
Porque, depois de tantas vidas procurando por você, eu não quero apenas te encontrar.
Quero ficar.
Quero viver esta vida ao seu lado.
E, eternamente, quero ter você para mim.
Em todas as vidas.
Até que o destino finalmente se canse de nos unir.
P.S.: Acho que, mesmo assim, vou continuar a te seguir.
— Carta, sem remetente ou data.