Em 2022, quando ainda era pré adolescente, percebi que não estava nada bem mentalmente. Minha mãe me encaminhou para um psicólogo, e eu passei a escrever diários.
Para ser sincera, eu já escrevia antes disso, mas não era nada sério, escrevia qualquer coisa nas Notas do celular. Passei a realidade escrever diários quando minha professora de redação OBRIGOU todos os alunos a arranjarem um caderno e escreverem pelo menos uma página de um diário, que era o assunto daquele bimestre, diários.
No início, foi uma obrigação irritante, depois, um passatempo terapêutico. Minhas primeiras anotações eram confusas e as letras garranchudas, eu escrevia em momentos de profundo estresse e crises de choro.
Com o tempo, passei a escrever tanto que precisei de outro caderno, minhas anotações iam de "maratonas de desenhos animados" até reflexões de "até onde a religião é capaz para arrancar dinheiro dos fiéis?" após uma conversa que tive com minha avó quando encontramos um jornal da igreja universal.
O que quero dizer é que assim como a leitura, escrever diários deveria ser algo comum e não "performático" ou "instagramável" como algumas pessoas fazem parece com suas rotinas malucas de corrida às 4 da manha e meia hora escrevendo em "caderninhos de gratidão".
Escrever tem se tornado cada vez mais subestimado e incomum, e a leitura enfraquecida. É preciso escrever mais para poder ler mais, e ler mais para poder escrever melhor.
Gostaria que pessoas escrevessem mais em diários.